Europa mista com mira nos bancos centrais. Ouro avança e juros da dívida aliviam na Zona Euro
Portugal escapa a agravamento dos juros das dívidas europeias
Petróleo cede com foco a transitar da OPEP para a Fed
Euribor sobem a três, seis e 12 meses
Euro próximo de mínimos de dois meses
Wall Street na linha d'água com aumento nos pedidos de subsídio de desemprego
Ouro ganha com perspetiva de moderação do aumento das taxas de juro da Fed
Lira turca recupera terreno depois de queda histórica
Juros aliviam após notícias de recessão na Zona Euro
Petróleo cai com acordo EUA-Irão na mira e fracas perspetivas para a procura
Europa "flat" com aposta em mais subidas de juros a pressionar sentimento
- Bolsas europeias mistas com investidores a ajustarem expectativas
- Portugal escapa a agravamento dos juros das dívidas europeias
- Petróleo cede com foco a transitar da OPEP para a Fed
- Euribor sobem a três, seis e 12 meses
- Euro próximo de mínimos de dois meses
- Wall Street na linha d'água com aumento nos pedidos de subsídio de desemprego
- Ouro ganha com perspetiva de moderação do aumento das taxas de juro da Fed
- Lira turca recupera terreno depois de queda histórica
- Juros aliviam após notícias de recessão na Zona Euro
- Petróleo cai com acordo EUA-Irão na mira e fracas perspetivas para a procura
- Europa "flat" com aposta em mais subidas de juros a pressionar sentimento
As bolsas europeias seguem a negociar mistas, após a decisão inesperada de dois bancos centrais - do Canadá e da Austrália - de subirem ainda mais os juros. Os investidores estão assim a reavaliar as expectativas para o curso da política monetária global.
No rescaldo da decisão no Canadá, Stoxx 600 cede 0,09% e o britânico FTSE 100 recua 0,13%, enquanto o alemão DAX ganha 0,08%, o espanhol IBEX 35 ganha 0,38% e o italiano FTSE Mib avança 0,19%. Lisboa fica do lado dos ganhos.
O Banco do Canadá anunciou na quarta-feira uma inesperada subida da taxa de juro de referência em 25 pontos base, para 4,75%, o nível mais alto desde 2001. A decisão foi justificada com o persistente "excesso de procura" da economia e seguiu-se a um aumento semelhante pelo banco central da Austrália na véspera.
As movimentações antecipam a reunião de política monetária da Reserva Federal norte-americana na próxima semana e geraram receios de que o banco central dos EUA possa ser mais agressivo do que o esperado. Neste momento, o mercado está a apostar numa subida dos juros de 25 pontos base.
As obrigações globais estão a sofrer um agravamento das "yields" à medida que os investidores estão a tentar ajustar-se a novas perspetivas de evolução das taxas de juro de referência dos bancos centrais, após as surpresas vindas do Canadá e Austrália.
A "yield" das Treasuries norte-americanas a 10 anos voltou, na última sessão, aos 3,8%, enquanto a linha a dois anos atingiu 4,5%, o valor mais elevado desde o colapso do Silicon Valley Bank.
Por toda a Zona Euro a tendência é de agravamento: é o caso dos juros da Grécia (3,77%), Itália (4,268%) e Espanha (3,455%). Portugal segue a contrariar, com um ligeiro alívio e uma "yield" de referência nos 3,144%.
O preço do petróleo segue a negociar com perdas ligeiras dadas as preocupações de que os cortes na produção petrolífera pela Arábia Saudita sejam anulados pela fraqueza da procura por combustíveis e pela desaceleração económica.
Numa reunião no domingo passado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e dos parceiros da OPEP+, a Arábia Saudita comprometeu-se em limitar a produção de crude em um milhão de barris por dia em julho (além de um acordo mais alargado para 2024).
Contudo, os efeitos da decisão estão a ser ofuscados. "Com a reunião da OPEP+ para trás, o foco está agora a transitar para o próximo movimento que a Fed irá fazer na próxima semana", diz Tamas Varga, "trader" da PVM, em declarações à Reuters.
Se o banco central dos EUA decidir não subir juros, poderá impulsionar os preços do petróleo ainda antes da produção começar a diminuir. Na sessão desta quinta-feira, seguem a aliviar.
O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, recua 0,12% para 72,44 dólares por barril. Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, cede 0,13% para76,85 dólares por barril.
As taxas Euribor sobem esta quinta-feira a três, seis e 12 meses. A taxa a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu para 3,936%, mais 0,013 pontos do que na quarta-feira, depois de ter aumentado em 29 de maio para 3,982%, um novo máximo desde novembro de 2008.
Segundo dados de março de 2023 do Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses representa 41% do 'stock' de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável. Os mesmos dados indicam que as Euribor a seis e a três meses representam 33,7% e 22,9%, respetivamente.
A média da taxa Euribor a 12 meses avançou de 3,757% em abril para 3,862% em maio, mais 0,103 pontos.
No prazo de seis meses, a taxa Euribor, que entrou em terreno positivo em 06 de junho de 2022, subiu, ao ser fixada em 3,757%, mais 0,024 pontos, depois de ter atingido o novo máximo desde novembro de 2008, de 3,781%, verificado também em 29 de maio.
A média da Euribor a seis meses subiu de 3,516% em abril para 3,682% em maio, mais 0,166 pontos.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses subiu, ao ser fixada em 3,486%, mais 0,027 pontos, face a quarta-feira. No dia 05 de junho deste ano, a taxa Euribor bateu um novo máximo desde novembro de 2008 ao ser fixada em 3,493%.
A média da Euribor a três meses subiu de 3,179% em abril para 3,372% em maio, ou seja, um acréscimo de 0,193 pontos percentuais.
Lusa
O euro negoceia a valorizar 0,24% contra o par norte-americano, nos 1,07 dólares. Apesar da apreciação, mantém-se próximo de mínimo de dois meses. Por todas as classes de ativos, a sessão está a ser de procura por direção com os investidores a tentar antecipar o que vão fazer os bancos centrais.
A reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) na próxima semana já terá em consideração que, afinal, a Zona Euro entrou em recessão técnica no início do ano, sinalizando o impacto das políticas monetárias mais restritivas.
Segundo os dados divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat, o produto interno bruto (PIB) dos países da moeda única recuou 0,1% entre janeiro e março, o que significa o segundo trimestre consecutivo de contração económica.
O abrandamento tanto dos preços nos consumidores como nos produtores foi superior ao esperado, mas a presidente do BCE Christine Lagarde tem defendido que a inflação continua em níveis elevados, o que poderá justificar novas subidas dos juros.
Fora da Zona Euro, os mercados estão também com dúvidas sobre o que vai fazer a Reserva Federal norte-americana após as surpresas vindas do Canadá e Austrália. O banco central dos EUA também tem encontro marcado na próxima semana, altura em que serão também conhecidos novos dados da inflação no país.
Na incerteza, o dólar norte-americano segue a desvalorizar contra a generalidade dos pares. Já o ouro ganha 0,42% para 1.947 dólares por onça, mas mantém-se 5% abaixo do pico de maio.
O índice Dow Jones cede 0,05% para 33.648,06 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq avança 0,28% para 13.141,12 pontos e o S&P 500 sobe 0,11% para 4.272,42 pontos.
O Departamento do Trabalho anunciou esta quinta-feira que os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA totalizaram 261.000 na semana terminada a 3 de junho, um aumento de 28.000 em relação aos 233.000 da semana anterior.
O número de norte-americanos que semanalmente pede subsídio de desemprego é considerado representativo das demissões nos EUA e vem juntar-se às variáveis que os investidores estão a ter em conta no reajustamento das expectativas sobre a política monetária da Reserva Federal norte-americana. Entre as cotadas que mais se destacam está a GameStop, a afundar 19,5% - a maior queda em dois anos, no seguimento do anúncio da saída do CEO Matt Furlong, que tinha sido escolhido para liderar o processo de expansão online da empresa. Nos últimos cinco anos, a GameStop teve cinco CEO e três CFO diferentes.
Os preços do ouro seguem a subir esta quinta-feira, apoiados pelo aumento dos pedidos de subsídio de desemprego nos Estados Unidos - que alimentaram a esperança de que a Reserva Federal dos Estados Unidos adote uma postura mais suave em relação à política monetária.
"Esses dados mostram uma fraqueza adicional na economia dos EUA, o que é uma boa notícia para o ouro, ja que podem fazer com que a Fed se modere", disse Edward Moya, analista sénior de mercado na OANDA, à Reuters.
A lira turca recuperou em relação ao dólar, depois de ter sofrido uma queda recorde com as notícias da substituição do ministro das finanças no país, o que pode sinalizar uma mudança de estratégia económica. A lira turca segue a ceder 0,31% para 0,0428 dólares, uma dimensão reduzida em comparação com a queda anterior de 7,2%.
Depois de ter sido reeleito, o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan reestruturou o seu gabinete e nomeou mesmo um novo ministro das Finanças. Quem comanda, agora, a pasta é Mehmet Simsek, antigo vice-primeiro-ministro, o que poderá significar uma mudança de estratégia económica.
Desde já, o novo ministro fez questão de dizer que o país não pode continuar como está. "A Turquia não tem outra opção senão regressar a uma base racional", disse Mehmet Simsek, após ter sido eleito. "Uma economia turca baseada em regras e previsível será a chave para alcançar a prosperidade desejada", acrescenta.
Entre os principais pares cambiais, o euro segue a somar 0,67% para 1,0778 dólares, mesmo com as notícias de que a Zona Euro entrou numa recessão técnica.
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro aliviaram esta quinta-feira, depois das notícias que a Zona Euro entrou em recessão técnica - o que levou a uma maior procura pela segurança das obrigações.
A "yield" das Bunds alemãs com maturidade a dez anos, referência para a região, subtraiu 5,2 pontos base para 2,398% e os juros da dívida portuguesa desceram 5,1 pontos base para 3,099%.
Já os juros da dívida pública italiana com a mesma maturidade aliviaram-se 9,9 pontos base para 4,172%, ao passo que a "yield" das obrigações espanholas desceu 7,5 pontos base para 3,392%.
A economia da Zona Euro contraiu no primeiro trimestre do ano. Apesar das estimativas iniciais apontarem para crescimento, o produto interno bruto (PIB) da região recuou 0,1% entre janeiro e março, o que significa que não escapou a uma recessão no inverno.
Os preços do "ouro negro" seguem a perder terreno nos principais mercados internacionais, pressionados com a debilidade da procura e com o relato de que os Estados Unidos e o Irão poderão estar perto de um acordo sobre as exportações de petróleo – o que ofuscou a expectativa de uma oferta mais apertada por parte da Arábia Saudita e de uma potencial pausa na subida dos juros diretores por parte da Reserva Federal norte-americana.
O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, cede 0,12% para 72,44 dólares por barril.
Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, desliza 0,13% para 76,85 dólares/barril.
As bolsas europeias negociaram sem grande direção, entre ganhos e perdas ligeiras, com a aposta no aumento dos juros diretores a penalizar setores como o imobiliário e as telecomunicações – que ofuscaram os ganhos das cotadas dos setores automóvel e mineiro.
O sentimento dos investidores continuou a ser pressionado pela inesperada decisão do banco central do Canadá de voltar a subir as taxas de juro de referência – decisão que se seguiu a um anúncio no mesmo sentido por parte da Austrália.
Com reuniões de política monetária do Banco Central Europeu e da Reserva Federal norte-americana agendadas para a próxima semana, os operadores optaram pela prudência, perante a maior aposta num aumento dos juros por parte do BCE (quanto à Fed, há quem já estime uma pausa na reunião dos dias 13 e 14, mas também quem ainda preveja mais uma subida de 25 pontos base).
O Stoxx 600, índice de referência do Velho Continente, fechou a somar 0,015%, para se estabelecer nos 460,87 pontos.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão Dax somou 0,18%, o francês CAC-40 valorizou 0,27%, o italiano FTSEMIB ganhou 0,81%, o britânico FTSE 100 cedeu 0,32% e o espanhol IBEX 35 recuou 0,17. Em Amesterdão, o AEX registou um decréscimo de 0,088%.
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