Indefinição no Irão atira petróleo para os 106 dólares. Libra sob pressão em nova crise de Starmer
Dólar aproveita escalada de tensões para avançar. Libra sob pressão com liderança de Starmer ameaçada
O dólar está mais uma vez a ganhar terreno face aos principais concorrentes, beneficiando da posição como um dos ativos de refúgio prediletos dos investidores face ao reavivar das tensões no Médio Oriente. O acordo de cessar-fogo entre os EUA e Irão mostra-se cada vez mais frágil e os mercados estão a adotar uma posição defensiva, afastando-se do risco e apostando que o estreito de Ormuz não vai reabrir tão cedo.
"O impasse entre Teerão e Washington continua a ser a principal fonte de atrito nos mercados cambiais globais", escreve Philip Wee, estratega sénior de câmbio do DBS Bank, numa nota de "research" a que a Bloomberg teve acesso. "Até que seja anunciado um avanço diplomático concreto ou um plano de ação para o recuo das tensões, é de esperar que o posicionamento defensivo limite o potencial de valorização das moedas do G-10", refere ainda.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da "nota verde" face aos principais rivais - está a avançar 0,28%, num dia em que os preços do petróleo aceleram quase 2%. O euro perde 0,3% para 1,1748 dólares, enquanto a libra desvaloriza 0,57% para 1,3532 dólares, numa altura em que a liderança de Keir Starmer está a ser ameaçada internamente, após eleições locais que deram o pior resultado para um partido no poder em mais de três décadas.
O dólar pode ainda vir a conseguir um catalisador nos dados da inflação que vão ser divulgados esta terça-feira. Os economistas antecipam que os preços tenham acelerado de 3,3% para 3,7% no mês passado, refletindo uma escalada nos preços da energia e afastando-se cada vez mais da meta de 2% estabelecida pela autoridade monetária.
Ouro perde "brilho" e cai abaixo da marca dos 4.700 dólares
O ouro está a negociar em território negativo esta terça-feira, caindo mais uma vez abaixo da marca dos 4.700 dólares por onça, num dia em que os investidores estão a reagir com pessimismo aos desenvolvimentos no Médio Oriente. Apesar de o metal amarelo normalmente ganhar com um aumento das tensões geopolíticas, beneficiando da posição como ativo de refúgio, a escalada nos preços da energia está a aumentar as pressões inflacionistas pelo mundo - o que pode levar os bancos centrais a terem de apertar a política monetária.
A esta hora, o ouro recua 0,8% para 4.698,41 dólares por onça, apesar de até ter chegado a valorizar durante a madrugada. Dirigindo-se aos jornalistas na Casa Branca, o Presidente dos EUA referiu que o acordo de cessar-fogo com o Irão está agora em "suporte de vida" - isto depois de ter decidido rejeitar a contraproposta iraniana ao seu plano de 14 pontos para acabar com a guerra, apelidando-a de "um pedaço de lixo" que nem terminou de ler.
"[Os movimentos do ouro] reforçam como o ativo continua a ser negociado menos como um refúgio seguro e mais como um indicador de risco macroeconómico, que se encontra preso entre o petróleo e a inflação, as expectativas em relação à política monetária da Reserva Federal (Fed), a dinâmica do dólar e o sentimento de risco", explica Christopher Wong, estratega do Oversea-Chinese Banking Corp., à Bloomberg.
Os investidores ainda veem a Fed a manter as taxas de juro inalteradas em 2026, embora exista cada vez uma maior probabilidade no mercado de "swaps" do banco central avançar com um aperto da política monetária até ao final do ano. Uma subida de 25 pontos base não está fora da mesa e as probabilidades podem vir a ser ajustadas já esta terça-feira, quando for conhecido os dados da inflação norte-americana referentes a abril.
Os economistas antecipam que os preços tenham acelerado de 3,3% para 3,7% no mês passado, refletindo uma escalada nos preços da energia e afastando-se cada vez mais da meta de 2% estabelecida pela autoridade monetária. Os decisores da Fed já disseram que estão a acompanhar de perto o efeito indireto da guerra e do choque petrolífero sobre os preços.
Petróleo volta a avançar e ultrapassa os 106 dólares por barril
Os preços do petróleo estão mais uma vez a avançar esta terça-feira, embora sem as grandes movimentações das últimas sessões, numa altura em que os investidores avaliam a sustentabilidade do acordo de cessar-fogo alcançado entre os EUA e Irão. As negociações para acabar com o conflito no Médio Oriente estão bloqueadas, depois de o Presidente norte-americano ter rejeitado a contraproposta de Teerão ao seu plano de 14 pontos, prolongando a interrupção na circulação de uma das vias comerciais mais importantes do mundo - o estreito de Ormuz.
A esta hora, o barril de Brent - de referência para a Europa - está a avançar 1,86% para 106,15 dólares, depois de já ter acelerado mais de 2% na sessão anterior. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) - que serve de referência para os EUA - ganha 2,46% e volta a negociar acima dos 100 dólares por barril.
Na segunda-feira, Donald Trump disse aos jornalistas na Casa Branca que o cessar-fogo em vigor está em "suporte de vida", tendo ainda classificado a resposta do regime iraniano como um "um pedação de lixo". O republicano não confirmou se iria - ou não - retomar os ataques militares contra Teerão, como tinha ameaçado caso o país não aceitasse o acordo, mas assumiu que está a ponderar "ressuscitar" o plano para escoltar navios através de Ormuz.
"É improvável que se concretize um acordo de paz abrangente", escrevem os analistas da Bloomberg Economics, numa nota divulgada nesta terça-feira. "Consideramos que os EUA e o Irão provavelmente voltarão a trocar ataques. No entanto, prevemos que uma intensa troca de fogo seja temporária e se reduza a níveis mais baixos de combate - aquilo a que chamamos o 'novo normal' neste conflito prolongado", acrescentam.
Apesar de Trump não o ter confirmado, a publicação norte-americana Axios reportou na segunda-feira que o Presidente dos EUA vai reunir com a equipa de segurança nacional para discutir uma possível retoma das ações militares no Médio Oriente, de acordo com três fontes oficiais da Casa Branca. Caso o acordo de cessar-fogo cai por terra, antecipa-se um prolongamento nas disrupções no estreito de Ormuz, que nos últimos meses levaram os preços da energia a dispararem e mergulharam o mundo numa crise energética sem precedentes.
De acordo com o CEO da Saudi Aramco, a petrolífera estatal da Arábia Saudita, o mercado global de petróleo está a perder 100 milhões de barris por semana enquanto o estreito de Ormuz permanece fechado. Numa conferência com analistas, Amin Nasser referiu que a maior parte da capacidade excedentária de produção de petróleo do mundo está localizada no golfo Pérsico, o que significa que este crude não está disponível para ajudar a colmatar a escassez global registada devido à guerra no Médio Oriente.
Cessar-fogo em "suporte de vida" deixa Ásia sem rumo e Europa no vermelho
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta terça-feira divididas entre ganhos e perdas, numa altura em que o frágil cessar-fogo alcançado entre EUA e Irão está a ser ameaçado pelo bloqueio nas negociações para alcançar a paz no Médio Oriente. O Presidente norte-americano, Donald Trump, chegou mesmo a declarar que o acordo de suspensão dos ataques está em "suporte de vida", levando os investidores a apostarem que o estreito de Ormuz não vai reabrir tão cedo.
"Ainda não se vislumbra um acordo e os riscos continuam elevados", explica Mark Haefele, do gabinete de investimento do UBS, à Bloomberg. "Ambas as partes continuam sob pressão para chegar a um acordo", diz ainda, referindo que essa pressão só deverá aumentar com a visita de Trump a Pequim na quinta-feira. O líder dos EUA vai reunir com o homólogo chinês e a guerra no Irão deverá dominar a agenda, em conjunto com as relações comerciais dos dois países.
O MSCI Asia Index - "benchmark" para a região - está a desvalorizar 0,6% esta manhã, enquanto a negociação de futuros do Euro Stoxx 50 aponta para uma abertura em território negativo, com perdas de igual magnitude. Estes movimentos seguem-se a mais uma sessão bastante otimista em Wall Street, com o S&P 500 e o tecnológico Nasdaq Composite a acelerarem para novos máximos, impulsionados por ganhos no setor da inteligência artificial (IA) - nomeadamente nas fabricantes de chips.
Na Ásia, a IA também esteve em destaque nesta sessão, embora tenha servido mais como um fator de pressão do que um catalisador. O sul-coreano Kospi - "cabeça de cartaz" para a tecnologia e o índice com melhor desempenho este ano - caiu 2,60% dos máximos históricos atingidos no dia anterior, depois de um alto representante do Presidente ter sugerido o que chama de "dividendo para os cidadãos" através da introdução de uma taxa sobre os lucros da indústria de IA.
Em pouco mais de uma hora e meia, o Kospi perdeu mais de 300 mil milhões de dólares em valor - cerca de 3 mil milhões por minuto, o que acabou por ter um impacto negativo nas restantes praças da região. O australiano S&P/ASX 200 encerrou a sessão com um recuo de 0,36%, enquanto os chineses Shanghai Composite e Hang Seng, de Hong Kong, perderam 0,27% e 0,2%, respetivamente. Já o japonês Nikkei 225 conseguiu resistir à turbulência e valorizou 0,48%.
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