Bolsas europeias com sessão vermelha. Nórdica Orsted sobe 5%
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro
Dólar estabiliza, iene perde força com fantasma de eleições no Japão
Ouro corrige ligeiramente após máximo histórico, prata sobe
Petróleo ganha força com tarifas sobre parceiros do Irão
Japão regressa de feriado com recordes e dão força ao "rally" na Ásia
Europa no vermelho antes de inflação nos EUA. Orsted sobe 5%
As bolsas europeias estão a recuar dos máximos históricos atingidos ontem, enquanto os investidores esperam pelos dados da inflação nos EUA e avaliam alguns desenvolvimentos do mundo empresarial.
O mercado está a "ignorar" a escalada de tensões entre os EUA e o Irão, à espera de impactos reais decorrentes das tarifas de 25% a quem "faça negócio" com o Teerão, ontem anunciadas por Donald Trump. A atenção vai hoje também para o lado de lá do Atlântico, com a publicação da evolução da inflação no último mês do ano, que deverá dar mais pistas ao mercado sobre qual será o próximo passo da Reserva Federal na política monetária.
Nesta manhã, o Stoxx 600, de referência para o bloco, recua dos máximos históricos de ontem, ainda que de forma ligeira, cedendo 0,02% para 610,85 pontos. O setor da construção é o que mais arrasta o "benchmark", ao tombar 2,35%.
A suíça Sika mergulha 7,5%, depois de, no ano passado, as vendas de produtos químicos para construção terem cedido quase 5%.
Também a construtora Persimmon perde 1% após ter apresentado uma perspetiva cautelosa para 2026, ao anunciar que vendeu mais casas do que o esperado no ano passado.
O grande destaque da sessão vai para a Orsted, que chegou a avançar quase 6%, depois de a justiça dos EUA ter revertido uma decisão do Governo de proibir a dinamarquesa de construir um parque eólico em Rhode Island. Os analistas parecem, contudo, ainda bastante cautelosos quanto à conclusão e operacionalização deste projeto. As ações sobem agora 4,7%.
A Airbus sobe 0,5% numa reação dos investidores ao aumento das entregas da empresa no ano passado. Já a Mercedes-Benz cai 1%, depois de no ano passado ter registado uma queda de 10% nas vendas mundiais, com um total de 2,16 milhões de unidades comercializadas.
Quanto aos resultados por praça, o espanhol IBEX 35 avança 0,2%, o francês CAC-40 cede 0,37%, o britânico FTSE 100 está inalterado, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,04% e o alemão Dax cede 0,1%. O neerlandês AEX sobe 0,35%.
A apresentação de resultados da banca americana arranca hoje com as contas do JPMorgan, à qual os "traders" também irão estar atentos.
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro agravam-se em toda a linha na sessão desta terça-feira, depois de um 'sell-off' nas obrigações japonesas ter empurrado as yields globais para cima.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, agravam-se em 1,9 pontos-base para 2,858%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade sobe 2,4 pontos para 3,528% e os juros das 'bonds' italianas avançam 2,2 pontos para os 3,488%.
Pela Península Ibéria, registou-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a agravar-se em 1,9 pontos-base para 3,099% e as espanholas a subirem 2,0 pontos para 3,249%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, sobem 2,3 pontos-base, para 4,395%.
Dólar estabiliza, iene perde força com fantasma de eleições no Japão
O braço de ferro entre a Casa Branca e a Reserva Federal (Fed), uma "novela" que já dura há vários meses e que tem como tema central a pressão da administração Trump para que o banco central seja mais agressivo no corte das taxas de juro, continua a dominar as atenções nesta terça-feira.
O Departamento de Justiça dos EUA intimou a Fed relativamente a um depoimento do líder do banco central, Jerome Powell, a propósito das obras de renovação da sede da instituição. O caso judicial pode, em última instância, levar a um processo de destituição. Powell ripostou, dizendo que a intimação nada tem a ver com a renovação da sede da Fed, mas sim com as pressões políticas sobre a política monetária.
Entretanto, a Casa Branca negou que Donald Trump esteja por trás da investigação lançada pelo Departamento de Justiça. Depois do choque provocado pelo caso ontem nos mercados, o índice do dólar americano (DXY), que compara o valor da moeda norte-americana com outras divisas, segue estável nesta terça-feira e avança 0,10% para os 98,9580 pontos.
Já a possibilidade de o Japão ir a eleições legislativas antecipadas, num movimento que poderia reforçar a posição da primeira-ministra Sanae Takaichi, está a retirar força ao iene face às outras divisas.
"À medida que o cenário de o LDP assegurar uma maioria absoluta se torna mais realista, as preocupações com uma maior expansão orçamental, sustentada pelo apoio público, deverão acelerar as vendas de obrigações japoneses e do iene", analisou Rinto Maruiama, da área de estratégia cambial da SMBC Nikko Securities, citado pela Bloomberg.
A esta hora, o euro cede uns ligeiros 0,01% para 1,1666 dólares e a libra avança 0,08% para 1,3476 dólares. O dólar valoriza 0,06% para 0,7979 francos suíços e avança 0,54% face à divisa japonesa, para 158,99 ienes.
Já noutros pares de câmbio, o euro recua 0,08% para 0,8657 libras e avança 0,54% para 185,50 ienes.
Ouro corrige ligeiramente após máximo histórico, prata sobe
O ouro negoceia em leve queda, após de ter disparado para um máximo histórico na segunda-feira, com os mercados a reagirem aos receios sobre a independência da Reserva Federal (Fed), depois do Departamento de Justiça ter ameaçado o presidente do banco central, Jerome Powell, com uma acusação criminal.
O metal amarelo desce uns ligeiros 0,21% para os 4.587,73 dólares a onça, depois de ter subido 2% na sessão anterior, quando Powell afirmou que a possível acusação fazia parte de um conjunto de tentativas de pressão sobre o banco central. O mais recente ataque à Fed reavivou a chamada estratégia de “vender a América”, com o dólar a cair na segunda-feira e as obrigações do Tesouro a serem vendidas ao longo de toda a curva.
A investigação do Departamento de Justiça a Powell levou até membros do próprio Partido Republicano e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a alertarem Trump de que a medida poderia ser prejudicial para os mercados.
Em sentido contrário, a prata segue a subir 0,74% para 85,74 dólares por onça.
O Citigroup prevê que o ouro atinja 5.000 dólares por onça e a prata 100 dólares por onça nos próximos três meses. “Esperamos que o mercado em alta se mantenha no curto prazo”, escreveram os analistas do Citi numa nota, citada pela Bloomberg.
Noutros metais, a platina cai 0,81% para 2.324,54 dólares por onça e o paládio afunda 2,07%, para os 1.819,60 dólares por onça.
Petróleo ganha força com tarifas sobre parceiros do Irão
Os preços do petróleo atingiram o valor mais elevado desde novembro, numa reação dos investidores ao anúncio do Presidente dos EUA, Donald Trump, de que vai impor uma tarifa de 25% sobre os produtos dos países que negoceiem com o Irão.
Estas tarifas vão afetar países como a China, Brasil, Turquia e Rússia e entram em vigor com efeitos imediatos. Os EUA querem pressionar o regime de Teerão a acabar com a repressão contra os protestos anti-governamentais que entram na terceira semana e já causaram cerca de 600 vítimas mortais.
As sanções vêm adicionar uma nova camada de preocupações quanto ao abastecimento de "ouro negro" pelo mundo, reacendendo a guerra comercial com a China, o maior importador de petróleo bruto do mundo e comprador de cerca de 90% das exportações do Irão.
Neste contexto, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – avança 0,55% para os 59,83 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 0,5% para os 64,19 dólares por barril.
A estratega-chefe da Saxo Markets, Charu Chanana, disse à Bloomberg que o impacto imediato das ameaças das tarifas pode ter um prémio geopolítico nos preços do crude, mas tudo depende de as ameaças se consolidarem em "políticas aplicáveis" e se provocarem interrupções mensuráveis "no abastecimento, ou mesmo retaliações comerciais mais alargadas que prejudiquem o crescimento da procura”.
Por outro lado, uma possível paragem nas exportações iranianas vieram acalmar os receios de excesso de oferta no mercado este ano, sobretudo depois de os EUA forçarem um aumento da produção na Venezuela. As vendas de crude do Irão, país membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), representam pouco menos de 2% da procura global.
Japão regressa de feriado com recordes e dão força ao "rally" na Ásia
As bolsas asiáticas terminaram a sessão com valorizações significativas, com as praças japonesa, sul-coreana e taiwanesa a tocarem máximos históricos, à boleia do otimismo dos investidores em relação às ações de tecnologia.
Grande parte do otimismo surgiu do Japão, onde as ações dispararam e os juros da dívida soberana subiram devido às notícias de que a primeira-ministra, Sanae Takaichi, poderá convocar eleições antecipadas, de forma a fortalecer a maioria parlamentar da sua coligação, o que abriria espaço para políticas mais agressivas. O iene caiu para o nível mais baixo em relação ao dólar desde julho de 2024. As ações de defesa e nucleares subiram no chamado "efeito Takaichi", que ajudou a impulsionar os ganhos dos mercados asiáticos.
No Japão, o Nikkei disparou 3,1% para 53.549,16 pontos, enquanto o Topix subiu 2,41% para 3.598,89 pontos - os dois bateram recordes, o primeiro nos 53.814,79 pontos e o segundo nos 3.604,16 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi somou 1,47% para 4.692,64 pontos, perto do máximo de 4.693,07.
Em Taiwan, o Taiex ganhou 0,46% para 30.707,22 pontos, mas chegou a um recorde de 30.973,85 pontos. Na China, o Shangai Composite ficou para trás na corrida ao perder 0,64% para 4.138,76 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng pulou 0,62% para 26.772,97 pontos.
Para os analistas, os investidores começam a querer diversificar as suas carteiras para lá das ações americanas - movimento que tem mais impulso no arranque do ano. Mark Cranfield, estratega da MLIV, diz à Bloomberg que "as ações asiáticas estão a estender a sua recente trajetória de subidas, com um impulso adicional da inquietação dos investidores com a saga Powell-Casa Branca, que paira sobre os mercados norte-americanos. Assim, os investidores que procuram um caminho para a inteligência artificial têm muitas opções na Ásia, com empresas chinesas, coreanas, japonesas e taiwanesas na vanguarda dos desenvolvimentos".
Entre os principais movimentos empresariais, as ações da GigaDevice Semiconductor chegaram a subir até 54% na sua estreia em Hong Kong, apesar de terem terminado com ganhos de 0,64% para 263,5 yuans.
O otimismo asiático e o movimento de diversificação de carteiras deverá contagiar a Europa, com os futuros do Euro Stoxx 50 a subirem 0,3%. Nos EUA, o foco irá para o arranque da "earnings season" da banca americana, com as contas do JPMorgan.
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