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Europa vive o melhor agosto desde 2009. Fraqueza do dólar ajuda ouro e petróleo

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Reuters
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 31 de Agosto de 2020 às 17:25
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Bolsas arrancam semana em alta

Os títulos acionistas nos Estados Unidos e na Ásia começam a semana em alta, reforçando desta forma os ganhos que levaram a recordes históricos na semana passada.

Em Hong Kong e na China a tendência foi de subida e, no Japão, o desempenho foi impulsionado por uma compra da Berkshire Hathaway em cinco grandes empresas, um dos maiores investimentos do milionário Warren Buffett nesta nação. A atividade económica chinesa continuou a recuperar em agosto.

Já nos Estados Unidos, os futuros apontam para que o S&P500 avance para novos máximos de sempre, depois de este índice ter fechado em níveis recorde nas últimas seis sessões consecutivas.

A nível mundial, um índice que agrega as ações globais encaminha-se para um aumento pelo quinto mês consecutivo, no seu maior ciclo de ganhos mensais desde o início de 2018. Os investidores estão a ser confortados pelas perspetivas no desenvolvimento de vacinas assim como no compromisso dos bancos centrais em apoiar a economia, um movimento que ficou mais evidente na semana passada, depois de a Fed ter surpreendido com uma política mais expansionista.

Passado o furacão, petróleo sobe

As cotações do "ouro negro" estão com sinal verde apesar de o furacão Laura ter desviado o seu curso de forma a não afetar tão gravemente como esperado as refinarias.

O barril de Brent, referência para a Europa e negociado em Londres, avança 1,16% para os 46,34 dólares, e é acompanhado nesta subida pelo nova-iorquino West Texas Intermediate (WTI), que sobe 0,77% para os 43,30 dólares.

Esta matéria-prima prepara-se para fechar o quarto mês consecutivo de ganhos acumulados mas está a ter dificuldade em reforçar o valor, uma vez que o ressurgimento do vírus em várias geografias retrai a procura por petróleo.

Europa arranca semana forte no verde

As principais praças europeias iniciam a semana em alta numa altura em que os investidores se mostram otimistas quanto à evolução da economia mundial.

O índice que agrega as 600 maiores cotadas europeias, o Stoxx600, ganha 0,58% para os 370,94 pontos, acompanhado por Madrid, Frankfurt, Paris e Amesterdão acima da fasquia dos 0,5%. O índice europeu volta desta forma ao verde depois de duas sessões no vermelho.

Os investidores seguem otimistas depois de, na semana passada, a Reserva Federal norte-americana ter sido mais uma vez exemplo do apoio dos bancos centrais à economia.

Jerome Powell, o presidente deste banco central, anunciou que o plano será não aumentar as taxas de juro diretoras como forma de controlo à inflação, uma política antiga que é agora quebrada e que serve de almofada ao choque da pandemia. Paralelamente, as expectativas quanto ao desenvolvimento de uma nova vacina ajudam ao otimismo.

Otimismo nas bolsas penaliza ouro

O ouro volta a cair, na quarta sessão de "sobe-e-desce", numa altura em que os investidores se mostram otimistas quanto à evolução dos mercados acionistas e deixam este ativo refúgio de parte.

O metal precioso desce 0,35% para os 1.957 dólares por onça, depois de a Fed ter decidido não mexer, para já, nas taxas de juro diretoras, deixando-as em níveis historicamente baixos e dando, desta forma, novo impulso à recuperação da economia.

Juros voltam a agravar

Num cenário de otimismo reforçado nos mercados acionistas, os juros das obrigações soberanas voltam a avançar. No que toca à dívida portuguesa a dez anos estes sobem 0,7 pontos base para os 0,403%.

A mesma tendência verifica-se em Espanha, onde os juros sobem 1,5 pontos base para os 0,392% e na referência europeia, a Alemanha, onde a taxa remuneratória das bunds agrava 1,4 pontos base para os -0,395%.

Dólar em força contra iene e euro

A moeda janponesa, o iene, está em queda livre desde que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, anunciou que iria retirar-se do cargo devido a problemas de saúde.

O dólar está a valorizar 0,46% para os 105,85 ienes.

"Com o dólar norte-americano a permanecer fraco dada a atitude expansionista na política monetária, o iene pode não cair demasiado contra o dólar mas outras divisas como o euro, ou indexadas a matérias-primas, podem ter um melhor desempenho", estimam os analistas na Newton Investment Management, em declarações à Bloomberg.

O euro segue a cair para os 1,1894 dólares.

Wall Street morna em dia de stock split da Apple e Tesla

A maioria dos três índices de referência em Wall Street abriu em queda ligeira, numa altura em que o ressurgimento de surtos de covid-19 assusta os investidores mas, por outro lado, estes ainda sentem o conforto da parte dos bancos centrais, depois de a Fed ter decidido manter as taxas de juro em níveis historicamente baixos.

O generalista S&P500 desce 0,046% para os 3.506,39 pontos, o industrial Dow Jones recua 0,39% e o tecnológico Nasdaq foge à regra, com uma subida de 0,36% para os 11.732,50 pontos. Isto, depois de o primeiro, o S&P500, ter atingido novos máximos históricos na última sessão.

"Apesar de o impulso ter abrandado na sequência do aumento de novos casos de covid-19, nos Estados Unidos em julho e na Europa em agosto, a recuperação económica continua a desenrolar-se", apontam os analistas da Natixis, em declarações à Bloomberg. "É provável que os ativos de risco se mantenham apoiados, mesmo se a viagem for atribulada", defendem os mesmos especialistas, nomeando a política dos bancos centrais como um dos maiores reconfortos.  

No mundo empresarial, a Apple sobe 1,85% para os 127,11 dólares, depois de cada título da "gigante da maçã" ter sido dividido em quatro. A Apple subiu mais de 70% este ano, tornando-se a primeira empresa dos EUA a atingir uma capitalização de mercado acima dos 2 biliões de dólares.

O mesmo acontece com a Tesla, que só este ano valoriza quase 430%, e, na sessão de hoje – o dia do stock split -, abre a ganhar 0,31% para os 444,06 dólares. Sozinha, tem uma capitalização superior a 370 mil milhões de dólares. Agora, as suas ações foram divididas em cinco.

Ainda em destaque estão os títulos da Microsoft, Walmart e Oracle, depois de a China ter avisado que tem o poder de bloquear uma possível venda da aplicação TikTok a estas empresas as quais tenham mostrado interessadas na compra. A Walmart cede 2,30% para os 137,07 dólares, a Microsoft cai 0,29% para os 228,25 dólares e a Oracle recua 0,43% para os 57,65 dólares.

Petróleo fecha mês com saldo positivo

As cotações do "ouro negro" seguem em terreno positivo nos principais mercados internacionais.

 

O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, para entrega em outubro avança 0,40% para 43,14 dólares por barril.

 

Já o contrato de novembro do Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, regista uma valorização de 0,35% para 45,97 dólares, depois de já ter chegado a tocar num máximo de cinco meses (nos 46,46 dólares).

 

O Brent vai fechar o mês de Agosto com saldo positivo pelo quinto mês consecutivo, ao passo que o WTI está a caminho de marcar o quarto mês seguido em alta – depois de a 26 de agosto ter atingido um máximo de cinco meses, nos 43,78 dólares por barril, por conta do furacão Laura.

 

Na sessão de hoje, os preços estão a ser sustentados pela expectativa de uma nova queda das reservas norte-americanas de crude, bem como pela depreciação do dólar – o que torna os ativos denominados nesta moeda, como o petróleo, mais atrativos como investimento.

 

Por outro lado, a robustez surpreendente do setor dos serviços na China também ajudou à subida das cotações do petróleo.

 

Também o anunciado corte de 30% nas exportações de crude de Abu Dhabi a partir de outubro está a contribuir para o otimismo no mercado petrolífero.

 

Além disso, sublinha a XTB na sua análise de hoje, o número de sondas de perfuração no Mar do Norte diminuiu de 18 em 2018 para 11 atualmente e 3 delas estão "empilhadas a frio" – incapazes de retornar ao trabalho. Logo, menos extração, menor fornecimento, o que anima as cotações.

Euro sobe, dólar desce: agosto termina com novos marcos

O dólar continua fragilizado pelo discurso, no passado dia 27 de agosto, do presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell. A Fed mudou a sua meta para a inflação, que pode agora superar os 2%.

 

Por seu lado, o euro continua a ganhar terreno, seguindo neste momento, face à nota verde, a ganhar 0,46% para 1,1958 dólares.

 

A divisa norte-americana vai fechar agosto com a quarta queda mensal consecutiva, ao passo que a moeda única europeia encerra a marcar o quarto mês seguido de valorização.

 

Em ambos os casos, as duas moedas estão em níveis que não se viam desde 2018.

 

"Mesmo que os banqueiros centrais dos EUA tenham ficado satisfeitos com a interpretação dos seus indicadores, não foi uma boa notícia para o dólar", comentaram os analistas do Commerzbank numa nota de análise citada pela Reuters.

 

"Se se espera que o poder de compra doméstico do dólar diminua mais rapidamente, é difícil assumir que manterá o seu poder de compra no mercado cambial no longo prazo", acrescentaram.

 

Face a um cabaz de moedas de referência, o dólar segue estável na sessão desta segunda-feira, mas cai 1,28% no acumulado do mês.

 

Se se mantiver assim, será o pior agosto dos últimos cinco anos para o dólar e a mais longa série mensal de quedas desde o verão de 2017.

 

Com a maioria dos traders londrinos fora, devido ao feriado, as atenções estão hoje viradas para os discursos de vários responsáveis da Fed.

Ouro avança em Londres com desvalorização do dólar

O metal amarelo está a negociar em alta na sessão de hoje em Londres, mas a caminho de um saldo mensal negativo.

 

O ouro a pronto (spot) segue a somar 0,10% para 1.965,72 dólares por onça no mercado londrino. Durante a sessão chegou já a marcar o valor mais alto desde 19 de agosto, nos 1.976,14 dólares.

 

No mês, o ouro negociado em Londres segue a cair 0,40%, depois de ter chegado a estabelecer um novo máximo histórico, nos 2.072,49 dólares. Está assim a caminho do seu primeiro mês, em cinco, com saldo negativo.

 

No mercado nova-iorquino (Comex), os futuros do ouro deslizam 0,10% para 1.972,40 dólares por onça.

 

A sustentar o ouro em Londres está a depreciação dólar. Uma vez que o metal precioso é denominado na nota verde, fica mais atrativo quando esta desvaloriza. O dólar caiu para mínimos de maio de 2018 face a um cabaz de moedas de referência.

 

No entanto, os stocks mundiais de ouro estão perto de máximos históricos, o que está a pressionar o metal amarelo, sobretudo na negociação nos EUA.

Europa vive o melhor agosto desde a grande crise financeira
Os principais índices europeus terminaram a última sessão de agosto em queda, com o Stoxx 600 a desvalorizar 0,55% para os 366,77 pontos, depois de ter conseguido valorizar quase 1% a meio do dia.

Hoje, o volume de negociação foi mais curto do que o normal, uma vez que os mercados no Reino Unido estiveram encerrados, devido a feriado.

Ainda assim, apesar deste precalço, o índice de referência europeu viveu o melhor agosto desde o pós grande crise financiera, em 2009. 

Para este marco contribuiu uma valorização de cerca de 3% no mês, impulsionada pelas notícias positivas sobre o desenvolvimento da vacina anti-coronavírus e dos governos na região terem recusado um novo confinamento na região. 

Hoje, todas as praças do "velho continente" perderam força, com o alemão DAX a cair 0,7%, o francês CAC 40 a desvalorizar 1,1% e o italiano FTSEMIB a perder 1%.

Apenas três de 19 setores conseguiram valorizar no Stoxx 600.
Juros de Portugal interrompem ciclo de quatro quedas mensais
Os juros de Portugal acumularam cerca de 7 pontos base em agosto, em linha com as restantes taxas dos países da Zona Euro, que subiram após o discurso de Jerome Powell, na quinta-feira.

Hoje, a "yield" da dívida portuguesa a 10 anos subiu 2,1 pontos base para os 0,414%.

Os juros a dez anos na Alemanha subiram 1,2 pontos base para os -0,399% e a taxa de Itália na mesma maturidade subiu 4,9 pontos base para os 1,091%.
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