Ouro soma e segue, passando a barreira dos 5.100 dólares. Iene em máximos de dois meses
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta segunda-feira.
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Juros das dívidas soberanas aliviam em toda a Europa. "Gilts" com maior descida
Os juros das dívidas soberanas na Europa estavam a aliviar em toda a linha no arranque da semana, como reflexo de que os investidores estão a privilegiar ativos mais seguros, como, aliás, ficou patente na valorização do ouro que, pela primeira vez, "brilhou" acima dos 5.000 dólares por onça.
Esta segunda-feira, por volta das 08:30 horas, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para o contexto europeu, estavam a recuar 2,2 pontos-base para uma taxa de 2,882%.
A rendibilidade da dívida soberana francesa, com a mesma maturidade, recuava 2,7 pontos para 3,465%, enquanto a da dívida italiana deslizava 2,6 pontos (para 3,485%) tal como a da espanhola (para 3,244%).
A "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas cediam 2,4 pontos para 3,235%.
O maior alívio estava a ser protagonizado pelas "Gilts" britânicas: os juros desciam 3,2 pontos para 4,479%.
Nos EUA, as obrigações seguiam a tendência deslizando 2,2 pontos-base para uma taxa de rendibilidade de 4,203%.
Iene salta para máximos de dois meses com intervenção iminente. Dólar em queda
A perspetiva dos EUA juntarem-se ao Japão numa intervenção cambial para reverter as grandes perdas do iene nos últimos meses acabou por castigar o dólar. A moeda norte-americana está a negociar em mínimos de setembro face a um conjunto das suas principais rivais, enquanto o iene conseguiu tocar em máximos de dois meses, numa altura em que a escalada nas tensões geopolíticas mundiais está também a pesar sobre a "nota verde".
A esta hora, o dólar cai 1,06% para 154,04 ienes, enquanto o euro avança 0,09% para 1,1839 dólares e a libra mantém-se quase inalterada, crescendo apenas 0,01% para 1,3644 dólares. Já face à moeda suíça, vista como um dos ativos refúgio prediletos dos investidores, o dólar cede 0,12% para 0,7790 francos suíços - isto depois de já ter perdido cerca de 2% do seu valor na última semana.
Para muitos investidores, os sinais de que os EUA estão prontos para ajudar o iene abre caminho para uma possível intervenção no mercado que leve o dólar a desvalorizar contra as divisas dos países que representam a grande fatia das importações norte-americanas. "Se a Reserva Federal (Fed) de Nova Iorque decidir juntar-se a esta iniciativa, isto irá amplificar ainda mais a recuperação do iene - e não apenas por razões simbólicas", explica Gareth Berry, estratega do Macquarie Group, à Bloomberg, acrescentado que uma intervenção conjunta "seria interpretada como um sinal de que Trump deseja um dólar mais fraco".
A discussão sobre uma possível intervenção conjunta entre EUA e Japão no iene reacendeu-se na sexta-feira, quando vários "traders" informaram que a Fed de Nova Iorque tinha contactado instituições financeiras para perguntar sobre a taxa de câmbio da divisa nipónica. Seria apenas a terceira vez na história recente que algo assim aconteceria, com a primeira instância a ocorrer em 1985 com o Acordo de Plaza e a outra uma década mais tarde, em 1998.
Desde o arranque do ano, o índice do dólar da Bloomberg já caiu cerca de 9%, pressionado pelas ameaças à independência da Fed, pelas perspetivas de um novo presidente do banco central mais alinhado com a visão do Presidente norte-americano, bem como pela escalada nas tensões geopolíticas mundiais, que culminaram numa grande disputa diplomática entre EUA e Europa.
"Rally" do ouro continua a todo o gás. Metal precioso ultrapassa os 5.100 dólares
O "rally" do ouro continua sem qualquer travão. Depois de ter ultrapassado os 5 mil dólares já no final da noite de domingo, o metal amarelo continua a acelerar e superou mesmo a marca dos 5.100 dólares nesta segunda-feira, impulsionado por uma renovado apetite por ativos de refúgio, numa altura em que as tensões geopolíticas continuam a centrar as atenções dos investidores.
Entretanto, o ouro perdeu algum gás e encontra-se a valorizar 2,11% para 5.092,81 dólares por onça, depois de ter chegado a tocar nos 5.110,50 dólares durante a madrugada. O preço do metal precioso está ainda a ser impulsionado por um dólar em queda, com um índice da "nota verde" que mede a força da divisa norte-americana face às suas principais rivais a cair quase 2% na última semana.
A procura por refúgio e a queda do dólar estão ainda a beneficiar os restantes metais preciosos, com a prata a ultrapassar a marca dos 109 dólares por onça e a platina a atingir um novo pico nos 2.891,60 dólares. Já o paládio tocou em máximos de três anos, ao valorizar mais de 2,5% para os 2.060,70 dólares.
"Muitas das atuais incertezas geopolíticas iniciadas por Trump provavelmente não vão desaparecer tão cedo", afirma Vasu Menon, diretor de estratégia de investimento da Oversea-Chinese Banking, à Bloomberg. Isso significa que "o ouro pode continuar em alta nos próximos meses e até anos, embora os investidores devam se preparar para recuos intermitentes após os fortes ganhos nos últimos 12 meses".
Desde o arranque do ano, a política errática de Donald Trump tem servido como catalisador dos ativos de refúgio. As tensões geopolíticas mundiais começaram a aquecer com o ataque à Venezuela, que culminou na captura de Nicolás Maduro, e intensificaram-se com ameaças de intervenção no Irão e ainda as intenções do Presidente dos EUA de anexar a Gronelândia - território sob a égide da Dinamarca.
Petróleo avança com disrupções nos EUA e tensões no Irão em foco
O barril de petróleo está a negociar em território positivo esta segunda-feira, embora com movimentações de pequena magnitude, num dia em que os investidores continuam a avaliar uma possível intervenção militar dos EUA no Irão e reagem a algumas disrupções na produção de crude em território norte-americano. A pesar sobre os preços do petróleo está, no entanto, a retoma de operações em dois grandes campos petrolíferos no Cazaquistão.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – avança 0,41%, para os 61,32 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 0,38% para os 66,14 dólares por barril. Os dois "benchmarks" encerraram a sessão de sexta-feira com um saldo semanal positivo de 2,7%, isto depois de Donald Trump, Presidente dos EUA, ter afirmado que uma "armada" estava a dirigir-se para o Irão com o objetivo de conter a repressão aos manifestantes iranianos por parte das autoridades do país.
"A agitação constante na geopolítica está a manter os prémios de risco vivos", explica Priyanka Sachdeva, analista sénior de mercado da corretora Phillip Nova Pte, à Bloomberg. "No entanto, o mercado em geral continua cauteloso, com o crescimento da produção dos EUA e de outros grandes exportadores a superar o crescimento da procura", acrescenta. Neste campo, a Agência Internacional de Energia atualizou recentemente as suas previsões para o mercado petrolífero em 2026, prevendo agora um excedente de 4,25 milhões de barris por dia no primeiro trimestre.
Mesmo assim, no curto prazo, os investidores devem focar-se nas disrupções ao abastecimento de crude que estão a acontecer nos EUA. A Exxon Mobil Corp. teve de encerrar algumas das suas unidades de refinação no Texas devido a um inverno rigoroso com temperaturas bastante baixas, o que está a aumentar significativamente a procura por gás natural - e a elevar os preços da matéria-prima. Os analistas do JPMorgan estimam que estejam a ser perdidos cerca de 250 mil barris de petróleo por dia.
Ásia e Europa no vermelho com iene e recuo do Canadá no radar
As principais praças asiáticas encerraram a primeira sessão da semana maioritariamente no vermelho - uma tendência que deve ser seguida pela Europa, numa altura em que os investidores encontram-se a avaliar uma possível intervenção no mercado cambial por parte das autoridades japonesas em conjunto com as norte-americanas, além do aumento das tensões geopolíticas entre os EUA, Canadá e China.
Depois de Donald Trump, Presidente dos EUA, ter ameaçado o Canadá com tarifas de 100%, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, decidiu dar um passo atrás e afirmar que, afinal, o país não tem qualquer intenção de assinar um acordo comercial com a China. "De acordo com o USMCA [acordo comercial trilateral que inclui o México, o Canadá e os Estados Unidos], estamos empenhados em não procurar acordos de comércio livre com economias não de mercado sem notificação prévia", esclareceu.
Apesar de a situação não ter escalado, os mercados continuam a ver nas ameaças tarifárias de Trump um fator de instabilidade. Em reação, o Hang Seng, de Hong Kong, e o Shanghai Composite terminaram a sessão em território negativo, embora com perdas pouco acentuadas de 0,05% e 0,09%, enquanto o sul-coreano Kospi - um dos índices mundiais com melhor desempenho no ano passado - cedeu 0,08%.
Em foco está ainda uma possível intervenção do Banco do Japão no mercado cambial. O iene chegou a saltar cerca de 1,2% esta madrugada, atirando o dólar para mínimos de setembro, depois de a primeira-ministra nipónica, Sanae Takaichi, ter afirmado que o país vai tomar "todas as medidas necessárias para responder a movimentos especulativos e altamente anormais". Os mercados estão a especular se os EUA não poderão assistir as autoridades japonesas nesta intervenção.
As ações de uma das maiores economias asiáticas acabaram por ser castigadas pela subida anormal do iene, com o Nikkei 225 a ceder quase 1,8% e o abrangente Topix a cair mais de 2%. As empresas japonesas, grandes exportadoras, tendem a beneficiar de um iene mais frágil.
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