Europa em dia misto, à procura de direção. Juros agravam-se na Zona Euro
Acompanhe minuto a minuto o desempenho dos mercados durante esta segunda-feira.
- Europa aponta para verde. Ásia encerra em terreno positivo
- Petróleo oscila entre ganhos e perdas, de olhos postos no G7
- Juros agravam na Zona Euro
- Ouro sobe à espera de ataque do G7 contra metal amarelo russo
- "Dip buyers" colocam Europa no verde. Ações ainda não incorporaram recessão, alerta Morgan Stanley
- Depois do maior avanço semanal de junho, Wall Street regressa ao vermelho
- Metais preciosos valorizam na expectativa da proibição de importação de ouro russo
- Petróleo desliza com receios de desaceleração económica
- Rublo oscila entre ganhos e perdas após "default" russo
- Juros agravam-se de forma expressiva na Zona Euro mas spread longe da "linha vermelha" do BCE
- Europa em dia misto, com apenas três setores do "benchmark" a registarem perdas
A Europa aponta para verde horas antes do discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), dando continuidade aos ganhos arrecadados na última sessão.
Os futuros sobre o Euro Stoxx 50 sobem 0,3%.
Esta segunda-feira, o mercado está de olhos postos em Sintra, onde arranca o Fórum do BCE que reúne os 19 governadores da Zona Euro e outras personalidades dos mercados, como o presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell.
Os investidores procuram sinais sobre o percurso da política monetária da instituição, em concreto sobre a dimensão da subida das taxas de juro em setembro, já antecipada pela autoridade monetária, e ainda mais detalhes sobre a ferramenta anti-fragmentação.
Na Ásia a sessão terminou pintada de verde. Pelo Japão o Nikkei somou 1,43% e o Topix somou 1,11%. Pela China, em Hong Kong, o Hang Seng valorizou 2,02% e Xangai cresceu 0,88%, no mesmo dia em que o governo da cidade anunciou ter vencido o surto de Covid-19 que obrigou ao encerramento de fábricas e negócios em abril e maio. Por fim, o Kospi, na Coreia do Sul, somou 1,59%.
O petróleo oscila entre ganhos e perdas, à medida que os investidores acompanham a par e passo a reunião do G7, numa altura em que o mercado teme o advento de uma recessão.
O West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, negoceia na linha d’água (0,08%) para 107,71 dólares por barril. Já o Brent do Mar do Norte - negociado em Londres – ganha 0,26% para 113,41 dólares por barril.
O petróleo caminha para a primeira queda mensal desde novembro, à medida que aumenta o temor sobre a possível entrada da economia numa recessão, contraindo assim a procura pelo ouro negro.
Os investidores vão estar atentos à reunião do G7 que continua esta segunda-feira. A Bloomberg avança que as sete potências estão a negociar um teto para o preço de compra do petróleo russo, no entanto, até ao momento ainda não se chegou a um consenso.
Os juros agravam na Zona Euro, horas antes de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), discursar em Sintra, dando assim início ao fórum anual da autoridade monetária.
A yield das Bunds alemãs a dez anos – "benchmark" para a Zona Euro – soma 3,2 pontos base para 1,464%. Desde o dia 5 de maio, que os juros da dívida alemã com esta maturidade negoceiam acima de 1%.
Por sua vez, os juros da dívida italiana a dez anos acumulam 3,9 pontos base para 3,450%. O spread face ao "benchmark" fixa-se em 198 pontos base, longe dos 250 pontos base, apontados por alguns especialistas como a "linha vermelha" do BCE.
Na Península Ibérica, os juros das obrigações nacionais a dez anos crescem 2,8 pontos base para 2,530%, ainda assim longe da fasquia dos 3%, ultrapassada no passado dia 14 de junho. O fosso face à yield da dívida alemã fixa-se em 105,8 pontos base.
Em Espanha a yield da dívida com a mesma maturidade agrava 3,9 pontos base para 2,573%.
O ouro segue a valorizar numa altura em que o G7 negoceia a proibição de novas importações deste metal com origem russa.
O ouro soma 0,75% para 1.840,54 dólares por onça. Embora em março o metal amarelo tenha tocado em máximos muito perto do recorde, este ano foi pressionado pelo aperto monetário decretado por mais de 60 bancos centrais em todo o mundo.
Os Estados Unidos, Japão, Canadá e Reino Unido planeiam anunciar, no âmbito do encontro do G7, a proibição de importações de ouro russo. Downing Street revelou em comunicado este domingo que "esta medida terá um impacto global, fechando as portas das principais praças mundiais à 'commodity' russa".
Para os analistas, como Warren Patterson, esta medida não terá, no entanto, grande impacto na cotação do metal amarelo. "O impacto da decisão do G7 no preço do ouro será bastante limitado, já que a indústria já tomou medidas para restringir o ouro russo", explicou à Bloomberg o responsável pelo departamento de estratégia de matérias-primas do ING Groep.
No mercado cambial, o índice do dólar da Bloomberg – que compara o "green cash" com 10 divisas rivais – perde 0,33% para 103,84 pontos. Na Zona Euro, a moeda única aproveita a fraqueza da nota verde e ganha 0,17% para 1,0571 dólares.
A Europa arrancou a sessão pintada de verde, com os "dip buyers" – investidores atraídos por ações com avaliações mais baratas – a dominarem o início do dia.
O Stoxx 600, índice de referência europeu, soma 1,03% para 417,19 pontos, dando continuidade aos ganhos arrecadados na sessão da passada sexta-feira. Dos 20 setores que compõe o índice, os setores automóvel, de mineração e energia comandam os ganhos.
Nas principais praças europeias, o espanhol IBEX valoriza 0,52%, o alemão DAX cresce 1,51% e o francês CAC 40 acumula 1,22%. Por sua vez, Londres sobe 0,82%, Amesterdão ganha 2,11% e Milão cresce 0,78%.
As ações europeias foram pressionadas este ano pela guerra na Ucrânia e pela imposição de uma política monetária restritiva.
Para os analistas, apesar desta recuperação em duas sessões consecutivas, ainda não há sinais para festejar mas sim para antecipar mais volatilidade no futuro. "Vamos continuar a assistir a ‘rallies’ e retrocessos. Neste momento, eu não definiria uma direção", antecipa Anita Gupta, responsável pelo departamento de estratégia da Emirates NBD.
A especialista justifica que esta indefinição se deve ao facto de "ser muito difícil sabermos se a inflação já atingiu o seu pico e aí, sim, aconteceria um fenómeno de viragem para as ações".
Por seu lado, o Morgan Stanley alerta que as ações europeias ainda não incorporaram no preço a possibilidade de uma recessão. "Os mercados de ações tendem a cair entre duas a três semanas antes que as revisões em baixa dos lucros toquem no fundo, no entanto as últimas estimativas ainda nem foram negativas", explica o banco de investimento numa nota de "research" citada pela Bloomberg.
Os estrategas liderados por Graham Secker esperam que a estimativas de lucro por ação comecem a ser revistas em baixo no terceiro trimestre.
Wall Street arrancou no vermelho, depois de as ações norte-americanas terem registado o maior avanço semanal num mês, na semana passada. Esta segunda-feira foram divulgados dados sobre as encomendas em fábricas de bens duradouros nos Estados Unidos em maio, que mostraram um crescimento mais elevado que o esperado. Ainda assim, as notícias parecem não ser suficientes para convencer o mercado.
Os investidores estão a fazer a reavaliação trimestral das suas carteiras, numa altura em os mercados estão a ser pautados por muita incerteza económica, com a inflação a crescer e receios de uma recessão económica.
Nos primeiros momentos de negociação, o industrial Dow Jones perde 0,14% para 31.457,32 pontos, enquanto o S&P 500 cede 0,33% para 3.899,62 pontos. Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite cai 0,57% para 11.535,44 pontos.
"O tamanho de uma reviravolta no mercado acionista continua a ser preocupante, numa altura em que uma subida de 3% ou 4% em ações é um sinal de que o mercado continua volátil, as condições continuam instáveis e o ganhos podem não durar", adianta a analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote à Bloomberg.
Também a analista da Hargreaves Lansdown, Susannah Streeter, corrobora o sentimento: "As preocupações com a inflação não vão desaparecer, dado que os pedidos para um aumento dos salários por parte dos trabalhadores têm vindo a aumentar".
Os metais preciosos sobem na expectativa de que o G7 decida proibir as importações de ouro russo.
A prata ganha 1,33% para 21,39 dólares por onça, enquanto o paládio avança 2,95% para 1.931,75 dólares por onça e a platina soma 0,10% para 908,12 dólares por onça. Já o metal amarelo sobe 0,16% para 1.829,80 dólares por onça.
Os Estados Unidos, Japão, Canadá e Reino Unido planeiam anunciar, no âmbito do encontro do G7, a proibição de importações de ouro russo. Downing Street revelou em comunicado este domingo que "esta medida terá um impacto global, fechando as portas das principais praças mundiais à 'commodity' russa".
"Acreditamos que esta proibição terá pouco impacto nos preços do ouro", defende contudo Carsten Menke, analista da Julius Baer Group. O especialista justifica a decisão com o facto de "a oferta ser pouco relevante para a formação do preço do ouro".
Os preços do "ouro negro" seguem em ligeira queda, numa altura em que a elevada inflação e o aumento dos juros diretores por parte dos bancos centrais continua a alimentat os receios de uma rápida desaceleração económica que poderá levar a uma recessão – o que levaria a uma redução da procura por esta matéria-prima.
Em Londres, o contrato de agosto do Brent do Mar do Norte, que é a referência para as importações europeias, segue a cair 0,20% para 112,89 dólares por barril.
Já o West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, cede 0,33% para 107,26 dólares por barril.
A volatilidade está a dominar a negociação do rublo contra o dólar e contra o euro, num dia em que Rússia parece ter entrado em default.
A moeda russa está esta segunda-feira a oscilar entre ganhos e perdas, tendo de manhã perdido 2% contra o "green cash", caindo para 54,4975 rublos por dólar e tocando em mínimos de 21 de junho. Mais tarde, o rublo recuperou, com cada dólar a valer 53,1250 rublos.
Já contra o euro, o rublo caiu inicialmente, tendo cada moeda única valido 57,3375 rublos, tendo depois aliviado, com cada euro a custar 55,96 rublos.
A Rússia entrou oficialmente em "default" este domingo, terminado o período de carência de 30 dias para pagar cerca de 100 milhões de dólares em juros aos detentores de dívida russa, segundo avançou a Bloomberg. É o primeiro incumprimento do país em mais de 100 anos. O anterior aconteceu em 1918. O Kremlin acusa o Ocidente de criar um "default" artificial, por não permitir as condições para que Moscovo possa cumprir as suas obrigações.
Por sua vez, o índice do dólar da Bloomberg – que compara o "green cash" com 10 divisas rivais – cai 0,26% para para 103,910 pontos. Já o euro aproveita a fraqueza do dólar e ganha 0,30% para 1,0585 dólares.
Os juros agravaram-se de forma expressiva na Zona Euro, num dia em que Bruxelas emitiu dívida a quatro anos.
A yield das Bunds alemãs a 10 anos – "benchmark" para a Zona Euro - subiram 10,9 pontos base para 1,541%. Desde o dia 5 de maio que os juros das obrigações alemãs nesta maturidade estão acima de 1%.
Por sua vez, os juros da dívida italiana somaram 9,1 pontos base para 3,502%. O spread face ao "benchmark" fixa-se em 195,5 pontos base, longe dos 250 pontos base apontados por alguns especialistas como a "linha vermelha" do BCE.
Na Península Ibérica, a yield da dívida nacional a dez anos cresceu 11,2 pontos base para 2,613%, ainda assim longe da linha dos 3% alcançada no passado dia 14 de junho. O fosso face à yield da dívida alemã fixa-se em 106,6 pontos base.
Em Espanha os juros das obrigações com o mesmo vencimento agravaram-se em 11 pontos base para 2,643%.
Este movimento surge no mesmo dia em que Bruxelas emitiu uma linha obrigacionista de 2.494 milhões de euros com maturidade em 6 de julho de 2026 e a um juro de 1,55%. A procura superou 1,35 vezes a oferta.
As negociações aconteceram ainda horas antes de Christine Lagarde abrir o fórum do BCE em Sintra, numa altura em que os investidores procuram pistas sobre a nova ferramenta anti-fragmentação - que irá evitar a divergência nas condições de financiamento entre os 19 Estados-membros da Zona Euro.
As principais praças do Velho Continente iniciaram a negociação do primeiro dia da semana com uma tendência mista, num dia marcado por caçadores de pechinchas que aproveitaram para comprar ações mais baratas.
O índice de referência europeu, o Stoxx 600, chegou a valorizar mais de 1,4% mas encerrou o dia a crescer menos: 0,52% para 6.054,94 pontos. Nos setores, os recursos básicos lideraram os ganhos, seguidos da indústria e petróleo e gás. Em queda estiveram apenas três setores, as "utilities" (água, luz e gás), o químico e o dos artigos para o lar.
O "benchmark" está a negociar perto dos valores mais baixos desde março de 2020, registados no início da pandemia.
Nos principais movimentos do dia, a Prosus registou uma subida de 15,72%, depois de ter anunciado que vai vender a percentagem que detém na chinesa Tecent Holdings - avaliada em 134 mil milhões de dólares (126,9 mil milhões de euros), para iniciar um programa de recompra de ações.
Já a casa de investimento italiana Mediobanca viu o seu valor cair mais de 2%, depois da morte do empresário italiano Leonardo Del Vecchio, que detinha a maior percentagem da empresa - 19,4%.
Entretanto, os estrategas do Morgan Stanley alertaram que as ações europeias ainda não incorporaram no preço a possibilidade de uma recessão e que as estimativas de lucro das ações devem começar a ser revistas em baixa no terceiro trimestre.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, em Amesterdão o AEX cresceu 1,55%, seguido do britânico FTSE 100 - que subiu 0,69% - e do alemão DAX, que somou 0,52%.
Em tendência decrescente esteve o índice italiano FTSEMIB, a cair 0,69%, o parisiense CAC-40 (a perder 0,43%) e o espanhol IBEX 35 - a desvalorizar 0,02%.
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