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Fecho dos mercados: Europa já "doente" sofre maior derrocada desde a crise de 2008 com petróleo a afundar

O coronavírus já tinha vindo a contaminar as praças europeias e a infligir duros golpes aos mercados de capitais, mas agora foi a vez do petróleo abalar as bolsas. A matéria-prima afundou mais de 30% e a Europa fechou com a maior quebra desde outubro de 2008.

Governo agrava IRS sobre mais-valias da bolsa
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 09 de Março de 2020 às 17:34
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Os mercados em números
PSI-20 recuou 8,66% para 4.266,88 pontos
Stoxx 600 deslizou 7,44% para os 339,5 pontos
S&P 500 desvaloriza 6,08% para os 2.750,95 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos sobem 8,6 pontos base para os 0,360%
Euro avança 1,87% para os 1,1495 dólares
Petróleo em Londres afunda 20,19% para os 36,13 dólares por barril

Europa com maior derrocada desse a crise de 2008

As bolsas europeias estão a cair a pique. Aos receios quanto ao potencial e já real impacto económico do coronavírus, veio somar-se a decisão da Arábia Saudita de inundar os mercados de petróleo, afundando o preço desta matéria-prima e provocando o caos nos mercados internacionais.

O agregador das 600 maiores cotadas europeias, o Stoxx600, afundou 7,44% para os 339,5 pontos, registando volumes de negociação que superam em três vezes a média dos últimos 100 dias. Esta é a maior queda do índice desde outubro de 2008.

A maioria das grandes praças estão a precipitar-se em direção a um mercado urso (bear market), apresentando quebras maiores que 20% desde o último pico. As bolsas de Amesterdão, Espanha, Alemanha e Inglaterra perdem mais de 7%, a francesa desceu acima de 8% e a grega recuou mesmo mais de 11%. 

Do outro lado do Atlântico o cenário é equivalente, com o índice generalista de referência nos Estados Unidos, o S&P500, a deslizar cerca de 18% desde o máximo histórico atingido a 19 de fevereiro. Este "mergulho" no vermelho pode ditar o fim do mercado touro (bull market) que reinava em Wall Street nos últimos 11 anos, que foram essencialmente de expansão.

A bolsa nacional alinhou-se com a Europa, no vermelho e na dimensão comparativa da queda: desvalorizou perto de 9% com todas as cotadas no vermelho, para registar a maior quebra diária desde 2008.

Juros nos EUA abaixo de 1% em toda a curva

Os juros das obrigações dos Estados Unidos para qualquer maturidade posicionam-se esta segunda-feira, 9 de março, abaixo da fasquia de 1%. Na maturidade de referência, os 10 anos, a remuneração caiu 24,2 pontos base para os 0,522%, depois de já ter reduzido 15 pontos base e 14 pontos base nas duas sessões anteriores, respetivamente.

Esta evolução acontece numa altura em que os analistas preveem que a Fed reduza as taxas de juro diretoras e as coloque, à semelhança do que acontece atualmente na Europa, abaixo de zero, já no curto-prazo. Esta medida viria como resposta ao abalo económico provocado pelo coronavírus e pela queda abrupta dos preços de petróleo.

Os juros da dívida a dez anos em Portugal seguem em contramão com os da maioria das praças, e sobem 8,6 pontos base para os 0,360% em vésperas de um novo leilão, que está marcado para esta quarta-feira. Estas obrigações têm vindo a valorizar nas últimas três sessões. Na Alemanha, a referência europeia, a tendência de queda mantém-se há oito sessões consecutivas e, nesta sessão, a descida foi de 14,7 pontos base para os -0,858%.

Dólar perde para o euro com cortes da Fed na mira

A moeda única europeia valoriza há três sessões consecutivas e esta segunda-feira chegou mesmo a subir 1,87% para os 1,1495 dólares, um máximo de 31 de janeiro de 2019. A "vitória" do euro contra a nota verde acontece numa altura em que a probabilidade da Fed baixar as taxas de juro para estimular a economia norte-americana cresce em probabilidade, enquanto que o Banco Central Europeu, uma vez que já tem estas taxas em níveis negativos, terá menos margem para este tipo de cortes e, portanto, não deverá retirar valor à moeda única.  

"Não ficaria surpreendido se os Estados Unidos experimentarem taxas negativas, especialmente com a reviravolta no petróleo, que se soma ao medo do vírus", comenta um analista da Nikko asset Management, citado pela Bloomberg. O mesmo diz que faz "cada vez mais sentido" que este cenário se verifique "muito, muito em breve".

Sauditas afundam petróleo em mais de 30%


O barril de Brent, negociado em Londres e referência para a Europa, deslizou 31,48% para os 31,02 dólares, um mínimo de fevereiro de 2016 e a maior queda em quase 30 anos. Segue agora a perder 20,19% para os 36,13 dólares. 

A derrocada deu-se após a Arábia Saudita ter anunciado que vai produzir mais petróleo e cortar os preços. Depois do falhanço nas negociações para convencer a Rússia a juntar-se aos cortes de produção programados na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a Arábia Saudita decidiu avançar com uma estratégia de a
umentar a produção e cortar de forma significativa o preço que cobra aos seus clientes. O objetivo passa por inundar o mercado de petróleo saudita numa altura em que as cotações já estão em forte quebra devido à redução da procura provocada pela propagação global do coronavírus. A Arábia Saudita responde assim com esta jogada de alto risco para "encostar à parede" os russos e outros países que não pretendem entrar numa estratégia global de redução da oferta.

Ouro relativiza ganhos após máximo de mais de oito anos

O preço do ouro está a sofrer grandes variações nesta sessão, estando nesta altura a somar ligeiros 0,04% para 1.674,43 dólares por onça, isto numa sessão em que ao negociar nos 1.703,39 dólares estabeleceu um máximo de dezembro de 2012.

Ainda assim, é o ouro que assume especial preponderância enquanto ativo de refúgio neste momento conturbado para os mercados internacionais que faz com que os investidores se afastem de outros ativos (e metais) também considerados seguros.

Isso mesmo é também percetível na negociação da prata, que apesar de ser vista como a principal alternativa ao ouro está a desvalorizar 1,64%.

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