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Abril “em casa” dá maior ganho às bolsas europeias desde 2015. Petróleo dispara mais de 20% em Nova Iorque

Os índices estão a ser pressionados a nível global. Os novos indicadores económicos dececionantes estão a pesar no sentimento dos investidores.

Reuters
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 30 de Abril de 2020 às 17:03
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Abril ganhos mil: mês deve fechar com maior subida desde 2009

Os futuros nos Estados Unidos e na Europa indiciam ganhos, depois de a sessão na Ásia ter fechado também em alta. As ações a nível global preparam-se para terminar o mês de abril com o saldo mais positivo desde 2009.

O índice MSCI All-Country World Index subiu cerca de 11% durante o mês de abril, o maior saldo acumulado em 11 anos. O japonês Topix subiu 1% e o Nikkei 2,14%. Os índices em Hong Kong e Coreia do Sul não abriram por ocasião de um feriado. O MSCI Ásia-Pacífico avançou 1,3% e na Austrália os ganhos ultrapassaram os 2%.

O otimismo é sustentado pela esperança de que se esteja perto de encontrar um tratamento para o coronavírus e, paralelamente, os resultados de algumas empresas surpreendem pela positiva.

Na quinta-feira o S&P500 tocou um máximo de sete semanas depois de a Gilead Sciences ter anunciado que um dos seus fármacos ajuda os pacientes com covid-19 a recuperar mais rapidamente.

"O que está a guiar os mercados nesta fase são quaisquer notícias de potenciais tratamentos e vacinas, porque ultimamente é o que muda o jogo", comenta a Principal Global Investors, citada pela Bloomberg.

"Isso é o que vai impulsionar os mercados, além de qualquer novidade que diga respeito ao isolamento ser levantado mais cedo", acrescenta a mesma casa de investimento.

Euro em alta ligeira entre reuniões dos bancos centrais

O euro negoceia em alta ligeira, numa altura em que os investidores analisam os resultados da reunião de ontem da Reserva Federal e aguardam pela reunião de hoje do Banco Central Europeu.

 

A moeda europeia valoriza 0,06% para 1,0879 dólares, numa altura em que os investidores estão também atentos aos dados do PIB da Zona Euro e ao desemprego nos EUA.

 

Reserva Federal dos EUA decidiu não mexer na taxa dos fundos federais, que se manteve assim num intervalo compreendido entre os 0% e os 0,25%. Mas sublinhou que a covid-19 coloca grandes riscos no "médio prazo" e que, por isso, ajudará a economia recorrendo às vastas ferramentas de que dispõe.

 

O BCE divulga as conclusões da reunião de política monetária desta quinta-feira. O Banco Central Europeu tem vindo a tomar medidas como resposta aos impactos da covid-19, tendo um programa de compra de ativos de 750 mil milhões de euros em curso, só por conta da emergência com o novo coronavírus, que se junta ao programa que já estava em vigor. E é aqui que o mercado vê mais margem de atuação, com o aumento do plafond para estas compras em mais 250 mil milhões. Além disso, disponibilizou fundos de liquidez para os bancos a menor custo, aceitando mais colaterais.

Petróleo bisa fortes ganhos com duas razões para sorrir

O petróleo volta a mostrar ganhos expressivos numa altura em que o receio de excesso de oferta abranda.

O barril de Brent, cotado em Londres, avança 9,27% para os 24,63 dólares enquanto o homólogo West Texas Intermediate, negociado em Nova Iorque, soma 13,61% para os 17,11 dólares. Ontem avançaram cerca de 10% e 22%, respetivamente.

As cotações da matéria-prima animam perante sinais de que está a arrancar uma recuperação do lado da procura, agora que os automóveis têm voltado a circular nas ruas da China. Na quarta-feira, a Administração de Informação de Energia mostrou um salto na procura e uma subida nos stocks norte-americanos abaixo do esperado. Paralelamente, a Rússia já anunciou que a respetiva produção vai ser reduzida em um quinto.

De acordo com a casa de investimento Mercuria Energy Group, consultada pela Bloomberg, o petróleo já terá batido no fundo. Ainda assim, a Vanda Insights avisa que "é demasiado cedo para chamar a isto um ponto de infleção" .

Juros de Portugal descem pelo sexto dia

As taxas de juro das obrigações soberanas portuguesas estão a descer pelo sexto dia seguido, com os investidores confiantes que o BCE vai continuar no mercado para impedir um agravamento das "yields" no mercado secundário.

 

A taxa das obrigações do Tesouro a 10 anos cede 1,3 pontos base, para 0,88%, acumulando já uma redução de quase 40 pontos base no espaço de seis sessões. Na dívida alemã a yield desce também 1,3 pontos base para -0,51%.

Europa deixa o verde abalada por dados económicos desapontantes

As bolsas europeias iniciaram o dia num registo positivo mas rapidamente inverteram, na sua grande maioria, para o vermelho.

O índice que agrega as 600 maiores cotadas europeias, o Stoxx600, cai 0,19%para os 346,40 pontos. Espanha, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Itália alinham nas quebras. A praça lisboeta, contudo, está ainda a aguentar-se no verde.

Embora empresas como o Facebook e a Tesla tenham ontem apresentado resultados que surpreenderam pela positiva, e a Gilead Sciences tenha anunciado que um dos seus fármacos está a ter resultados em acelerar a recuperação do coronavírus, os investidores alheiam-se destas fontes de esperança e deixam-se envolver pelo pessimismo dos dados económicos desapontantes.

Duas das maiores economias europeias, a francesa e a espanhola, sofreram uma contração económica acima de 5% nos primeiros três meses deste ano, a maior de que há registo. Isto, apenas um dia após os Estados Unidos terem revelado a maior contração da economia desde 2008 e a primeira em seis anos, com o produto interno bruto (PIB) a cair 4,8%.

Além disto, também há empresas a relembrar as dificuldades impostas pela pandemia. A Royal Dutch Shell cortou o dividendo pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial e o Société Générale apresentou uma quebra surpresa nos lucros.

Novos pedidos de subsídio de desemprego nos EUA penalizam bolsas

O Dow Jones segue a ceder 1,24% para 24.327,25 pontos e o Standard & Poor’s 500 perde 0,90% para 2.913,06 pontos.

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite recua 0,28% para se fixar nos 8.889,65 pontos.

Os índices estão a ser pressionados sobretudo pelo anúncio de que na semana passada mais 3,8 milhões de norte-americanos pediram subsídio de desemprego, elevando para 30,3 milhões a solicitação desta ajuda do Estado nas últimas seis semanas.

Além disso, os bancos centrais não trouxeram os novos estímulos desejados, depois de ontem a Fed e hoje o BCE terem mantido as taxas diretoras.

"Os investidores não gostam de desemprego. E não gostam de inação por parte dos bancos centrais. É por isso que as bolsas estão a cair", sublinha a CNN.

Euro a caminho de parar ciclo de perdas mensais para o dólar
A moeda única europeia segue a valorizar nos mercados cambiais no dia em que o Banco Central Europeu anunciou medidas que facilitam a capacidade dos bancos se financiarem de modo a poderem conferir liquidez à economia.

O euro aprecia 0,27% para 1,0902 dólares para transacionar em máximos de 16 de abril relativamente à moeda norte-americana.

Mas apesar desta valorização, a divisa europeia acumula uma perda de quase 0,5% face ao dólar na semana, a segunda consecutiva em que a moeda única perde terreno para a divisa norte-americana.

Assim, o euro encaminha-se nesta altura para concluir o mês de abril com uma uma desvalorização na ordem dos 0,75% face ao dólar, isto após ter fechado março com uma ligeira valorização (+0,05%) em relação à moeda da maior economia mundial.

Por sua vez, o dólar deprecia há cinco dias consecutivos no índice da Bloomberg que mede o desempenho da divisa americana relativamente a um cabaz composto pelas principais moedas mundiais. O dólar sobe há duas semanas seguidas neste índice e vai a caminho do terceiro ciclo mensal a ganhar valor.

Já a libra soma nesta fase uma valorização de 2,43% face ao euro ao longo do mês de abril, isto após dois meses consecutivos a perder para a moeda da Zona Euro. As economias do bloco do euro contraíram 3,8% nos primeiros três meses deste ano, a maior quebra desde que há registo.

Os efeitos económicos causados pela pandemia do novo coronavírus e a enorme volatilidade verificada nos mercados, em especial num mês em que o petróleo registou perdas históricas, acaba por refletir-se no reforço do valor do dólar enquanto divisa de referência.
Abril “em casa” dá maior ganho às bolsas europeias desde 2015

Abril foi o primeiro mês completo de confinamento e quase paralisação da atividade económica na Europa. E foi também o primeiro mês do ano 2020 em que as bolsas europeias valorizaram.

Apesar da queda registada na sessão desta quinta-feira, 30 de abril, o índice de referência para a Europa, o Stoxx600, fechou o mês com uma subida de 6,24%, depois de três meses consecutivos de saldos mensais negativos. Esta valorização é a maior desde outubro de 2015.

O mercado bolsista esteve não só a recuperar da queda de mais de 14% observada em março – mês de maior incerteza sobre a escala e o impacto da pandemia do novo coronavírus – como também a beneficiar das várias medidas de estímulo à economia que foram sendo apresentadas pelos governos e bancos centrais.

Na sessão de hoje, o índice europeu de referência deslizou 2,03% para 340,03 pontos, devido à desilusão dos investidores com o Banco Central Europeu que, esta quinta-feira, manteve o seu programa de compras nos 750 mil milhões de euros e cortou o custo de financiamento para os bancos.

Este setor foi precisamente um dos que mais pressionou na sessão de hoje, com quedas em torno de 1,5%.

"Os mercados ficaram dececionados com o facto de o BCE não ter aumentado as compras de títulos, escondendo-se atrás de um comunicado de imprensa muito longo que anunciava apenas dois pequenos ajustes, ambos focados em empréstimos mais baratos aos bancos", disse Seema Shah, estrategista-chefe da Principal Global Investors, citada pela Bloomberg.

Por cá, o PSI-20 deslizou 0,62% para 4.284,18 pontos, penalizado sobretudo pela Jerónimo Martins e Nos.

Petróleo dispara com maior procura de combustível e saída dos "grandes" do contrato de junho

Os preços do petróleo seguem a ganhar terreno, pela segunda sessão consecutiva, impulsionados pela reabertura gradual das economias em grande parte do mundo, o que está a fazer aumentar a procura de combustível depois de várias semanas com milhões de carros parados. Um exemplo é o da maior procura por produtos refinados que está já a verificar-se na China.

A contribuir para um maior otimismo está também o facto de as reservas norte-americanas de crude terem aumentado na semana passada menos do que se previa (subiram em 9 milhões de barris, quando se estimava um acréscimo de 10,6 milhões).

Em Nova Iorque, o contrato de junho do West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, soma 21,28% para 18,34 dólares por barril. Cada barril tem 159 litros.

Os preços nos EUA estão também a subir depois de o maior ETF de petróleo, U.S. Oil Fund, e o índice GSCI terem concluído a sua retirada do contrato de junho no início desta semana, diminuindo a pressão vendedora.

Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, negociado em Londres e referência para as importações portuguesas, para entrega em junho (cujo contrato expira hoje) segue a ganhar 13,62% para 25,61 dólares.

Ainda assim, as perdas no acumulado do ano ainda são substanciais, com o WTI a registar uma desvalorização de 69,90% e o Brent a recuar 61,20%. Em abril, o crude norte-americano registou uma depreciação de 14,5%, ao passo que a referência europeia subiu 11,08%.

O grande diferencial entre estes dois tipos de petróleo deve-se sobretudo ao facto de a capacidade de armazenamento de Cushing (Oklahoma, nos EUA), onde o WTI é armazenado, estar praticamente a esgotar-se, pressionando os preços locais face ao crude que é entregue noutras regiões do mundo.

Abril foi "um mês para esquecer" no mercado petrolífero dos EUA - em Londres sofreu também grande pressão, mas sem impedir um saldo menal positivo para o Brent.

Tratou-se de um mês histórico para o petróleo em vários sentidos: foi acordado um corte épico da produção, as cotações em Nova Iorque negociaram em valores negativos, e a capacidade de armazenamento em terra está praticamente esgotada – o que leva a que cada vez mais superpetroleiros estejam a encher-se de "ouro negro".

S&P 500 e Dow Jones com maiores subidas mensais desde janeiro de 1987

O Dow Jones fechou a ceder 1,17% para 24.345,72 pontos e o Standard & Poor’s 500 perdeu 0,92% para 2.912,43 pontos. Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite recuou 0,28% para se fixar nos 8.889,55 pontos.

Apesar da sessão no vermelho, o saldo do mês de abril foi de ganhos que há muito não se viam. O Dow disparou 11,1% e o S&P 500 escalou 12,7%, que foram os melhores ganhos mensais desde janeiro de 1987, ou seja, em mais de 33 anos. Já o Nasdaq ganhou 15,4% em abril, a sua melhor performance mensal em 20 anos - desde junho de 2000.

Na sessão desta quinta-feira e de encerramento do mês, os índices foram pressionados pelo anúncio de que na semana passada mais 3,8 milhões de norte-americanos pediram subsídio de desemprego, elevando para 30,3 milhões a solicitação desta ajuda do Estado nas últimas seis semanas.

Apesar da queda de hoje, houve um setor em destaque pela positiva, o da energia. Isto numa sessão em que os preços do petróleo estiveram em alta. Em Nova Iorque, o contrato de junho do West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, disparou 25% para máximos de duas semanas, nos 18,84 dólares por barril.

Ao longo do dia, um outro fator que desanimou o mercado esteve no facto de os bancos centrais não terem divulgado os novos estímulos desejados. "Os investidores não gostam de desemprego. E não gostam de inação por parte dos bancos centrais. É por isso que as bolsas estão a cair", sublinhou a CNN.

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