Portugal avança com emissão sindicada de dívida a 30 anos
A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) mandatou um conjunto de bancos de investimento para preparar o lançamento de uma emissão de obrigações a 30 anos.
Habitualmente, o IGCP lança uma emissão de dívida sindicada logo no arranque do ano, com a abertura de novas linhas a 10 anos, que é a maturidade de referência nos títulos de longo prazo. Estas emissões têm habitualmente uma dimensão bem superior aos leilões regulares, com a colocação de montantes na ordem dos 3 mil milhões de euros.
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Desta vez, o instituto liderado por Cristina Casalinho optou por aguardar mais tempo e lançar uma nova linha de obrigações com um prazo mais dilatado.
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De acordo com a Bloomberg, o IGCP vai emitir títulos com maturidade em abril de 2052 (ou seja, mais de 31 anos). Portugal aproveita assim o atual contexto de taxas de juro em mínimos históricos para se financiar em prazos muito longos.
A emissão deverá chegar ao mercado esta quarta-feira, um dia depois do INE anunciar que o PIB de Portugal registou um crescimento em cadeia de 0,3% no quarto trimestre, quando os economistas estimavam uma quebra.
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A linha de obrigações que Portugal tem atualmente com maturidade mais longa expira em 2045 (24 anos). Os títulos desta linha negoceiam no mercado secundário com uma "yield" de 0,798%, pelo que Portugal poderá conseguir o feito de financiar-se a 30 anos com uma taxa de juro inferior a 1%.
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Esta linha de obrigações com maturidade em 2045 foi lançada através de uma emissão sindicada em 2015, sendo que na altura o IGCP aceitou pagar uma taxa de juro acima de 3%.
A emissão a 30 anos que estará esta quarta-feira no mercado surge depois de em janeiro Portugal ter conseguido o feito de emitir dívida a 10 anos pela primeira vez com uma taxa negativa. No mercado secundário os títulos a 10 anos estão atualmente com uma taxa ligeiramente mais elevada, em 0,05%.
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De acordo com a Bloomberg, foram estes os bancos contratados pelo IGCP para tratar da operação: Credit Agricole CIB, Deutsche Bank, Morgan Stanley, J.P. Morgan, Nomura e NovoBanco.
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Ao contrário do que acontece nos leilões regulares, nas emissões sindicadas os bancos contactam diretamente com os investidores para colocar os títulos e ficam também por isso com uma parte da emissão.
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