Portugal paga mais para emitir 1,75 mil milhões em dívida de curto prazo
Portugal emitiu esta quarta-feira 1.750 milhões de euros em duas linhas de bilhetes do Tesouro (BT), que vencem a nove e 11 meses, e a procura mais do que triplicou face à oferta, de acordo com o resultado da operação que está a ser avançado pela Bloomberg. O montante fica assim em linha com o valor indicativo da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP.
No caso da linha que vence a 20 de novembro de 2026 foram angariados 875 milhões de euros, com uma "yield" de 2,013% e a procura ficou 2,39 vezes acima da oferta. Não há registo de uma emissão de BT recente a nove meses, mas a 10 meses, o IGCP colocou, em janeiro, 1,25 mil milhões de euros, com um juro de 1,99% e a procura foi de 1,69 vezes.
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Já em obrigações que vencem a 22 de janeiro de 2027, a agência que gere a dívida pública colocou também 875 milhões de euros, com um juro de 2,015%. A procura ficou 2,46 vezes acima da oferta. Esta emissão compara com a realizada em junho do ano passado, quando o país emitiu 750 milhões de euros com uma taxa de juro de 1,941% e a procura ficou 3,22 vezes acima da oferta.
Em mercado secundário, os juros da dívida a curto prazo, a três, seis e 12 meses, agravam-se ligeiramente para 1,941%, 1,934% e 2,037%, respetivamente, mas aliviam nas restantes maturidades. A dez anos a "yield" cede 0,4 pontos base para 3,093%.
"O custo suportado por Portugal neste leilão está em linha com as taxas do mercado secundário, evidenciando uma ligeira subida, à semelhança do que se tem verificado no mercado monetário, mas corroborando a resiliência da dívida soberana portuguesa", refere numa nota Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa.
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"Esta ligeira subida reflete a postura ainda cautelosa do Banco Central Europeu, que em janeiro optou por manter as taxas de juro inalteradas, validando a estratégia de 'data dependent', a qual tem mantido as 'yields' de curto prazo na Europa à volta dos 2%”, acrescenta.
As necessidades de financiamento líquidas deverão situar-se em 13 mil milhões de euros este ano, o que compara com os 10,8 mil milhões de 2025, segundo indica o programa de financiamento do IGCP. Este foi o terceiro leilão de BT do ano, ou seja, mantendo-se o calendário da agência que gere a dívida pública, até ao final março existirá apenas mais uma emissão deste instrumento.
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