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Balanço de 2015: O ano dos mínimos históricos nos juros da dívida

Após as fortes quedas entre 2012 e 2014, os juros da dívida portuguesa voltaram a recuar este ano. Caíram, caíram até registarem mínimos históricos em todas as maturidades. Houve mesmo "yields" a cair para "terreno" negativo, numa tendência liderada pela Alemanha.

31 de Dezembro de 2015 às 16:06

O Banco Central Europeu arrancou o ano com o anúncio do programa de compra de activos do sector público. Uma medida há muito aguardada, que os investidores receberam com entusiamo. Isso mesmo reflectiram várias classes de activos, mas foi a dívida soberana que dominou todas as atenções. As taxas de juro atingiram mínimos históricos e, em muitos casos, chegaram mesmo a "terreno" negativo.

Após ter tocado num máximo de 18,289% em 2012, Portugal entrou em 2015 com a "yield" das obrigações a 10 anos em 2,687%. Mas a actuação da instituição monetária liderada por Mario Draghi (na foto) levou os juros a recuarem ainda mais. A 12 de Março, a taxa de juro atingiu um mínimo de 1,509%.

Este foi mesmo o ano dos valores mais baixos de sempre em todas as maturidades. De tal forma que Portugal chegou mesmo a registar juros negativos nos títulos a dois anos. Atingiram um mínimo de -0,017%. O Tesouro avançou, então, para os reembolsos antecipados ao FMI, tendo pago mais de oito mil milhões de euros só este ano. Já o segundo semestre trouxe subidas, mas a tendência de juros baixos manteve-se. A taxa a 10 anos saiu de 2015 nos 2,516%.

E estes desempenhos reflectiram-se nas emissões de dívida de curto prazo. O Tesouro conseguiu mesmo ganhar cerca de 150 mil euros este ano, com os investidores a aceitarem pagar para emprestar dinheiro a Portugal. Mas o efeito dos estímulos do BCE foi mais significativo na dívida dos países do centro da Europa. Com as finanças públicas equilibradas, como é o exemplo da Alemanha, estes países até conseguiram colocar obrigações com taxas negativas.

Mas mais uma vez o extremo esteve no mercado secundário. Os juros das obrigações alemãs a dois anos caíram para valores negativos. Seguiram-se os títulos a três anos, depois a quatro e assim sucessivamente até que, de forma inédita, os investidores aceitaram ter prejuízo para deter dívida do país durante nove anos. Esta "yield" atingiu um mínimo de 0,049%.

Estes valores não duraram todo o ano, mas a tendência mantém-se à entrada de 2016. Pelo que, mais uma vez, a estratégia dos Tesouros da Zona Euro deverá passar por elevadas emissões de dívida, prolongando maturidades a custos mais baixos.

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