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DBRS corta "ratings" do Novo Banco por impacto na confiança dos investidores

Após a recapitalização, o Novo Banco perdeu alguma confiança dos investidores, segundo a DBRS. Depois da Moody’s, a agência canadiana reduziu a classificação de risco do Novo Banco. E avisa que a tendência é negativa.

Eduardo Stock da Cunha Novo Banco
Eduardo Stock da Cunha Novo Banco Bruno Simão/Negócios
07 de Janeiro de 2016 às 15:37

Algumas das obrigações do Novo Banco voltaram para o BES "mau" para capitalizar o primeiro, o que permitiu a subida dos seus rácios de capital. Contudo, as que ficaram na instituição presidida por Eduardo Stock da Cunha estão a ser castigadas nos "ratings". Depois da Moody’s, agora foi a DBRS a actuar.

As obrigações do Novo Banco foram cortadas de um "rating" de "B" para "CCC (elevado)" pela agência canadiana, uma descida de um nível, segundo um comunicado de imprensa divulgado esta quinta-feira, 7 de Janeiro. É uma classificação que considera que este título é altamente especulativo, não aconselhando o investimento. A dívida visada nesta avaliação é a que não foi alvo da decisão do Banco de Portugal de transferir cinco linhas de obrigações seniores para o BES, numa acção que pretendia recapitalizar o Novo Banco, libertando-o dessas responsabilidades.

De facto, o banco liderado por Eduardo Stock da Cunha (na foto) ficou sem a responsabilidade de reembolsar a dívida. Mas a decisão do regulador presidido por Carlos Costa tem efeitos: "vai ter impacto no sentimento e na confiança dos investidores no Novo Banco, tal como [causará] um aumento do risco reputacional", diz a nota de imprensa da DBRS.

Estes factores têm um maior peso do que a melhoria conseguida no Novo Banco em termos de financiamento e liquidez, sublinha a agência de notação financeira.

E mesmo com a recapitalização de 1.985 milhões de euros, os níveis de capital do banco "permanecem fracos". O Novo Banco ficou com um rácio de referência de 13%, acima dos mínimos exigidos. Mas poderá sofrer. "As potenciais acções legais contra as recentes acções do Banco de Portugal podem também resultar em incerteza sobre de que forma o banco iria beneficiar de mais capital". Ainda esta quinta-feira, a Pimco anunciou, ao Expresso, que irá avançar com uma acção judicial contra o Banco de Portugal. 

Estas são algumas das dúvidas levantadas pela agência, que avisa que a notação financeira agora definida tem uma tendência "negativa", ou seja, poderá ser revista em baixa.

No comunicado, a DBRS comenta ainda que o Banco de Portugal tem de assegurar a suficiente capitalização do banco que permita uma venda bem-sucedida (depois do falhanço do concurso internacional). Isto porque, se não houver nova alienação, "o risco dos obrigacionistas vai aumentar".

"Ratings" do BES e das garantidas mudam

 

Entretanto, e tal como a Moody’s fez, a agência canadiana baixou as classificações das cinco linhas de obrigações seniores que foram retransmitidas do Novo Banco para o BES. Como este último vai entrar em liquidação, já não haverá mais avaliações a partir de agora. Os investidores deste tipo de dívida têm pouca possibilidade de recuperar o investimento, dado o desequilíbrio do balanço do banco "mau". "A DBRS considera que estas obrigações vão enfrentar o não pagamento de juros e absorver perdas substanciais".

Já as emissões do Novo Banco garantidas pelo Estado português mantêm a notação de "BBB", com uma tendência estável, "em linha com o ‘rating’ soberano da República Portuguesa".

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