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Governo só espera contributo de 150 milhões das famílias em 2022. OTRV quase desaparecem da tabela

O Governo espera que as famílias contribuam menos para o financiamento do Estado, este ano e no próximo. De acordo com a proposta do Orçamento do Estado para 2022, os certificados do Tesouro deverão ter subscrições nulas.

Bruno Simão
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 12 de Outubro de 2021 às 00:35
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Os certificados de aforro do Estado apenas deverão render cerca de 150 milhões de euros aos cofres do Estado no próximo ano. As novas previsões constam da proposta do Governo para o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), que reviu ainda em baixa as estimativas de investimento nestes produtos para este ano. O valor aplicado em obrigações do Tesouro de rendimento variável (OTRV) reduz-se a mil milhões, após as amortizações agendadas para 2022.

De acordo com a proposta do orçamento do Estado para 2022, entregue esta segunda-feira na Assembleia da República, os os certificados de aforro (CA) deverão registar subscrições líquidas de 148 milhões no próximo ano, enquanto os certificados do tesouro deverão permanecer estáveis, revela a proposta do orçamento do Estado para 2022. As novas previsões são idênticas aos valores que António Costa conta receber das famílias em 2021. 

Ao contrário do que previa no Orçamento do ano passado, no qual contava captar cerca de mil milhões de euros junto das famílias este ano, o Executivo de António Costa espera agora apenas um contributo positivo de 148 milhões de euros dos CA, em 2021.

Segundo o relatório, os CA deverão fechar o ano de 2021 com um "stock" de 12.368, 148 milhões de euros acima do valor no final de 2020 (12.220 milhões), enquanto no final de 2022, o salvo vivo aplicado nestes produtos de poupança deverá situar-se em 12.516 milhões de euros, o que implica um novo crescimento líquido anual de 148 milhões de euros.

Já os certificados do tesouro deverão manter um "stock" estável de 17.562 ao longo de 2021 e 2022. Ou seja, dando um contributo nulo para o financiamento do Estado nestes dois anos. No Orçamento para 2021, o Executivo esperava um contributo das famílias próximo de mil milhões de euros. O Governo previa que os certificados do tesouro captassem 826 milhões de euros em 2021, enquanto os certificados de aforro (CA) deveriam receber 147 milhões, este ano. Juntos, os dois instrumentos de aforro perfaziam, assim, um total de 973 milhões de euros.

Nos primeiros oito meses do ano, os CA captaram 143 milhões de euros, enquanto os CT registaram subscrições líquidas de 226 milhões, o que perfaz um total de 369 milhões de euros, segundo o boletim mensal do IGCP. Face a estes valores, o Governo acredita que os CT poderão ser alvo de resgates nos últimos meses do ano.

As baixas remunerações, num ambiente de maior inflação, poderão justificar o travão no investimento nestas aplicações, uma situação que apenas tenderá a agravar-se dada a descida dos juros indexados aos certificados do tesouro.

Novos certificados rendem menos

O Executivo anunciou em setembro uma revisão das condições de comercialização do Certificados do Tesouro (CT). Os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC) deram lugar aos Certificados do Tesouro Poupança Valor (CTPV). O novo produto, comercializado desde o dia 13 de setembro, paga uma taxa de remuneração mais baixa, mas continua a bater os juros pagos pelos Certificados de Aforro (CA) e pelos tradicionais depósitos.

Ao contrário dos CTPC, que remuneravam uma taxa anual bruta de 1,39% a sete anos, os novos certificados dão apenas 1% para quem mantiver a aplicação pelo prazo máximo. Já os CA pagam uma taxa bruta de 0,455%, em outubro.

Em relação às OTRV (Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável), o Governo além de não prever qualquer emissão, tal como no ano passado, espera ainda que o valor investido nestes instrumentos de dívida recue, devido às amortizações previstas para 2022. 

No próximo ano, está prevista a amortização de 3,5 mil milhões de OTRV, reduzindo o "stock" em orbigações para o retalho para apenas mil milhões de euros.

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