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Juros estão abaixo da média histórica, mas prémio de risco é bem mais elevado

Desde o início de 2000, a taxa a dez anos esteve acima de 4% em 70% dos dias. Mas o prémio de risco é mais elevado. Face a Espanha, a diferença actual é o dobro da média histórica.

Bruno Simão/Negócios
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 08 de Março de 2017 às 14:29
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Portugal regressou esta quarta-feira, 8 de Março, ao mercado, tendo pago um juro de 3,95% para se financiar a nove anos. Confrontado por Assunção Cristas com os níveis das taxas de juro, António Costa defendeu que desde 1993 o normal foi a taxa a dez anos ser mais elevada do que os níveis actuais, que se situam em 4%.

Segundo cálculos do Negócios, baseados em dados da Bloomberg, a taxa a dez anos esteva acima de 4% na maior parte do tempo desde o início de 2000. Mas o prémio de risco face à dívida alemã, que é vista como a referência na Zona Euro, é bem mais elevado actualmente que no passado.

Desde 2000 a taxa a dez anos esteve acima de 4% em cerca de 70% dos dias. O valor médio para esse período é de 5,12%. Mas esses números incluem os dados de entre início de 2011 e final de 2013, em que Portugal esteve afastado dos mercados e em que a taxa chegou a superar 18%. Excluindo esses anos, em 64% dos dias a taxa esteve acima de 4%, com a média a situar-se em 4,27%.

Prémio de risco mostra dados diferentes

No entanto, o valor absoluto da taxa pode não reflectir as condições monetárias de uma determinada altura. Apesar da recuperação dos últimos meses, a inflação passou por um período historicamente baixo, o que levou o BCE a adoptar medidas não-convencionais que incluem, por exemplo, a compra de dívida pública e taxas de referência de zero.

E comparando a taxa da dívida portuguesa com a alemã, os números mostram dados diferentes. Actualmente, o mercado exigem mais 366 pontos base (3,66 pontos percentuais) para deter obrigações portuguesas a dez anos em vez de títulos germânicos com a mesma maturidade. Desde o início de 2000, em apenas 20% dos dias esse diferencial foi mais elevado. Excluindo o período desde o início de 2011 ao final de 2013 a proporção cai. Só em 2% dos dias o prémio de risco foi mais elevado que actualmente.  

E os valores médios são bem inferiores ao que se regista actualmente. Desde 2000 a média é de 203 pontos base. Excluindo o período entre 2011 e 2013, a média é de 96 pontos base. O valor actual é mais do triplo.


E em relação a Espanha?

A Alemanha é vista como a referência e tende a servir de refúgio em momentos mais instáveis. Mas compara a taxa actual de Portugal com a de Espanha? Os investidores exigem mais 222 pontos base para deterem dívida nacional em vez de espanhola. É o dobro da média histórica de 100 pontos base que se observa desde 2000. Aliás, em apenas 13% dos dias essa diferença foi mais elevada que actualmente.

Excluindo o período de entre 2011 e 2013, a média do diferencial em relação à dívida espanhola foi de 41 pontos base. Os valores actuais são mais de cinco vezes superiores à média. E só em 2% dos dias desde o início de 2000 é que os investidores exigiam uma diferença maior que a actual. 





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