Portugal volta a pagar menos de 1% para emitir dívida a 10 anos
O IGCP colocou perto de 1,5 mil milhões de euros num duplo leilão de dívida de longo prazo.
Portugal financiou-se hoje no mercado de obrigações, tendo conseguido baixar o custo de financiamento na emissão de títulos a 10 anos, que tinha disparado no leilão de abril.
O IGCP colocou 742 milhões de euros em títulos com maturidade em 18 de outubro de 2030, tendo suportado uma "yield" de 0,852%. No mês passado tinha pago uma taxa de 1,194% para emitir títulos com maturidade em fevereiro de 2030, bem acima dos 0,426% do leilão de março.
O instituto que gere a dívida do estado também colocou 750 milhões de euros em dívida com maturidade em 15 de outubro de 2025 (cinco anos), sendo que a taxa ficou em 0,258%. Em março o IGCP tinha colocado títulos desta linha com uma yield de 0,059%.
No total o Tesouro português encaixou 1.492 milhões de euros com este duplo leilão, o que se situa acima do limite superior do intervalo pré-anunciado, entre mil e 1,25 mil milhões de euros.
O leilão realizado hoje pelo instituto liderado por Cristina Casalinho mostra que os custos de financiamento de Portugal agravaram-se face ao registado em março, mas não estão a acentuar a tendência de agravamento e para já indiferentes à decisão do Tribunal Constitucional alemão de colocar em causa o programa de compra de ativos do Banco Central Europeu.
O facto de Portugal ter conseguido voltar a financiar-se a 10 anos abaixo de 1%, em linha com a taxa no mercado secundário, é uma prova disso mesmo. No leilão realizado em maio do ano passado Portugal pagou uma taxa acima de 1%, pelo que o custo de financiamento atual continua a estar em níveis historicamente baixos. O mínimo histórico foi atingido em abril, pouco acima de 0,25%.
Na emissão de títulos a 10 anos a procura quase duplicou a oferta, quando no leilão de março o rácio tinha ficado em 1,53. Por títulos a cinco anos a procura foi de 1.670 milhões de euros, mais do que duplicando a oferta.
"A descida do risco nos países da zona euro, bem como em Portugal, está associada ao suporte que o BCE tem vindo dar aos mesmos", diz Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa, lembrando que "Christine Lagarde alertou que a zona euro está a enfrentar uma forte contração económica, a uma velocidade e magnitude sem precedentes, e que o programa recentemente lançado de 750 mil milhões de euros, poderá aumentar o seu tamanho e prazo". "A evolução do risco em Portugal estará muito dependente da atuação do BCE, que nesta fase de pandemia tudo fará para preservar a União Europeia", acrescenta o analista.