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Fed pode cortar juros em 2016?

O antigo conselheiro de Barack Obama considera que é mais provável a Fed baixar juros este ano, perante a instabilidade global.

Andrew Harrer/Bloomberg
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 28 de Janeiro de 2016 às 13:33
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Depois de vários meses de impasse, a Reserva Federal (Fed) dos EUA decidiu subir, em Dezembro, a sua taxa de juro pela primeira vez em quase 10 anos. Um movimento que foi assumido como o início de um ciclo de normalização da taxa de referência no país. Mas será que a Fed pode voltar atrás? Austan Goolsbee, antigo conselheiro do presidente Barack Obama, acredita que a entidade pode mesmo ter que cortar juros este ano.


16 de Dezembro. A instituição liderada por Janet Yellen deu um passo em frente para sair de um longo período de taxas extremamente baixas. A taxa subiu de um intervalo entre 0% e 0,25% para entre 0,25% e 0,5%, naquele que foi o primeiro agravamento dos juros desde Junho de 2006. Para este ano a maioria dos analistas previa entre duas a quatro subidas. Mas estes planos poderão cair por terra devido à instabilidade nos mercados financeiros.


A Fed "quer subir as taxas de juro, quer voltar à normalidade. Disseram que pensavam que iriam subir juros mais quatro vezes este ano e não me passa nenhum cenário pela cabeça em que eles consigam fazer algo remotamente parecido com isso", alerta Austan  Goolsbee, que foi presidente do Conselho de Conselheiros Económicos do presidente dos EUA entre 2010 e 2011.


Taxas de juro negativas nos EUA são uma possibilidade no horizonte?
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Os responsáveis da Reserva Federal têm prevista a subida das taxas de juro directoras este ano e no próximo, depois do arranque nesse sentido dado em Dezembro. Mas os mercados de opções mostram que alguns investidores se estão a proteger para o caso de os juros, em vez disso, ficarem negativos.


Goolsbee, em conversa com a CNBC, adiantou que "é bem mais provável que (a Fed) tenha que reverter (a sua política monetária) tal como um número de outros países tem, como a Suécia e outros, onde subiram as taxas de juro a pensar que ficariam bem e agora têm que as baixar".


Esta possibilidade surge depois de um início de ano marcado por forte volatilidade nos mercados financeiros, devido às preocupações em relação a uma travagem na economia chinesa e à crise do petróleo. A instituição liderada por Janet Yellen, que na quarta-feira manteve os juros inalterados, admite estar a seguir os recentes desenvolvimentos económicos e mantém a previsão de subida "gradual" dos juros.


Para o antigo conselheiro de Obama, esta expectativa é pouco provável. "O crescimento tem sido apenas modesto nos EUA e com as coisas que estão a acontecer no resto do mundo, receio que 2016 possa ser pior do que apenas um crescimento modesto", alerta o especialista, que acrescenta que, apesar das melhorias no mercado laboral, o "PIB ainda está bastante fraco".


Mas, mais do que a situação nos EUA, o que deverá travar a Fed é a situação mundial. Goolsbee lembra que houve "problemas na Europa, há problemas óbvios na China, abrandamentos nos mercados emergentes", situações que estão fora do alcance da Fed, mas que coloca a instituição como um alvo quando as coisas correm mal.


O ex-conselheiro de Obama não é o primeiro especialista a alertar para uma potencial descida de juros nos EUA. Na semana passada, Mike Moran, responsável pelos "research" económicos do Standard Chartered, disse, também à CNBC, que a Fed poderá reduzir a sua taxa de referência até ao final do ano. 

Paul Mortimer-Lee, do BNP Paribas, explica na Bloomberg porque considera que a Reserva Federal não deverá subir os juros em Março. 


Porque é pouco provável que a Fed suba os juros em Março?
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Paul Mortimer-Lee, do BNP Paribas, explica na Bloomberg porque considera que a Reserva Federal não deverá subir os juros em Março.





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