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BCE sobe juros na Zona Euro pela primeira vez desde 2023

A decisão já era esperada pelos mercados após a inflação na região ter ultrapassado os 3% em maio.

Christine Lagarde é a presidente do Banco Central Europeu.
Christine Lagarde é a presidente do Banco Central Europeu. Michael Probst / Associated Press
13:15
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Os juros na Zona Euro vão subir pela primeira vez desde setembro de 2023. A decisão foi anunciada esta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) após uma reunião em que os governadores liderados por Christine Lagarde acordaram um aumento de 25 pontos-base, que coloca a taxa de referência em 2,25%.

devido ao impacto da guerra no Médio Oriente especialmente no valor do petróleo e gás natural. Devido à subida dos custos com a energia, impulsionada pela escalada nos combustíveis, a taxa de inflação da Zona Euro terá acelerado para 3,2% em maio (contra 3% em abril).

"O conselho do BCE está empenhado em definir a política monetária de modo a assegurar que a inflação estabiliza no objetivo de 2% a médio prazo. Em consonância com este compromisso, decidiu hoje [quinta-feira] aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos-base", indica. As taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez serão aumentadas para, respetivamente, 2,25%, 2,40% e 2,65%, a partir de 17 de junho.

"A guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas e a decisão de aumentar as taxas de juro apresenta-se robusta face a um conjunto de cenários, que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a área do euro", justifica o banco central, em comunicado.

A par da decisão sobre taxas de juro, o BCE atualizou igualmente as projeções macroeconómicas, mostrando-se mais pessismista sobre a inflação em 2026 e 2027, devido à trajetória mais elevada dos preços dos produtos energéticos, "a qual deverá, em certa medida, repercutir-se na inflação dos preços dos produtos alimentares, dos bens e dos serviços".

O "staff" de Frankfurt antecipa agora que a inflação global se situe, em média, em 3% este ano, 2,3% no próximo e 2% em 2028. Estes números eram aguardados pelos mercados para avaliar se esta é uma subida de juros isolada ou o início de um ciclo, sendo que o banco central deixa em aberto os próximos passos.

Para já, "o conselho do BCE permanece bem posicionado para lidar com a incerteza provocada pela guerra", garante, indicando que "acompanhará de perto a situação e seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação apropriada da política monetária".

Reafirma igualmente que as decisões sobre taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas – à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária. "O conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica", acrescenta.

(Notícia atualizada às 13:25)

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