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BCE já vê inflação nos 3% este ano. PIB da Zona Euro só deve crescer 0,8%

Conflito no Médio Oriente está a elevar preços na energia acima do esperado, com impacto na generalidade dos bens e serviços. BCE mais pessimista, espera agora inflação mais elevada e crescimento inferior ao estimado em março.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, explica novas projeções esta tarde.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, explica novas projeções esta tarde. Christopher Neundorf / Lusa - EPA
13:30
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Com os preços dos produtos energéticos a crescerem mais do que o esperado, o Banco Central Europeu (BCE) mostra-se mais pessimista para a Zona Euro, esperando agora que a inflação atinja 3%  e que o PIB cresça apenas 0,8% este ano. 

De acordo com novas projeções publicadas nesta quinta-feira, 11 de junho, o BCE vê a inflação atingir 3% este ano, . Os valores para 2027 também são revistos em alta, para 2,3%, quando antes a autoridade monetária apontava para 2%.

Esta revisão em alta deve-se "à trajetória mais elevada dos preços dos produtos energéticos, a qual deverá, em certa medida, repercutir-se na inflação dos preços dos produtos alimentares, dos bens e dos serviços", explica o BCE em comunicado. "A guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas", o que levou, o que não acontecia desde 2023. 

Excluindo os produtos energéticos e os produtos alimentares, as projeções para a inflação subjacente (considerada mais persistente) apontam para uma média de 2,5% em 2026 e 2027 e de 2,2% em 2028.

Mas a entidade liderada por Christine Lagarde também reviu em baixa as suas estimativas para o crescimento da economia da Zona Euro. Agora, a previsão é que o PIB dos 21 países da moeda única cresça 0,8% este ano e 1,2% em 2027, abaixo dos 0,9% e 1,3% esperados em março. 

"Estes valores representam uma revisão em baixa para 2026 e 2027, refletindo um impacto mais pronunciado da guerra nos mercados de matérias-primas, nos rendimentos reais e na confiança", justifica a entidade sediada em Frankfurt.

Só em 2028 é que a inflação deverá voltar ao objetivo de médio prazo do BCE: os 2%. Na realidade, e ao contrário do que acontecia nas projeções divulgadas em março, e que foram as primeiras que tentaram medir o impacto da guerra no Médio Oriente, a entidade considerava que o impacto do conflito fosse temporário. Essa referência desaparece nas projeções desta quinta-feira. 

Ainda assim, o BCE frisa que "as perspetivas mantêm-se incertas, com riscos em sentido ascendente para a inflação e em sentido descendente para o crescimento económico".

"As plenas implicações da guerra para a inflação e o crescimento a médio prazo vão depender da intensidade e da duração do choque sobre os preços dos produtos energéticos, assim como da magnitude dos seus efeitos indiretos e de segunda ordem", afirma a entidade.

(Notícia atualizada com ais informação às 13:45)

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