Lagarde garante que as expectativas de inflação mantêm-se em linha com a meta
Apesar dos efeitos da guerra no Médio Oriente, a presidente do Banco Central Europeu indica que as expectativas de inflação a longo prazo permanecem, em geral, bem ancoradas. Não quis, contudo, dar sinais sobre o que o grupo vai fazer em junho.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu que as expectativas de inflação a longo prazo ainda estão amplamente alinhadas com a meta de 2%, apesar do agravamento das consequências da guerra com o Irão. "Embora a crise energética esteja a aumentar a inflação e a prejudicar a economia, as expectativas de inflação a longo prazo permanecem, em geral, bem ancoradas", disse esta sexta-feira em Nicósia, em Chipre.
Em declarações citadas pela Bloomberg, após uma reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, afirmou que "as implicações da guerra para a inflação e a atividade económica a médio prazo dependerão da intensidade e duração do choque no preço da energia e da escala dos seus efeitos indiretos".
Os mercados estão à antecipar que o BCE aumente as taxas de juro na reunião de política monetária a 11 de junho. Isto depois de a inflação na Zona Euro ter acelerado, em termos homólogos, de 2,6% para 3% em abril. Este é já o terceiro mês consecutivo em que os preços de venda aos consumidores europeus estão a escalar, sendo que a guerra no Irão veio acentuar essa tendência com um disparo nos preços dos combustíveis.
Lagarde sublinhou, contudo, que não daria "muitas indicações" sobre o será decidido. "Continuaremos a seguir uma abordagem dependente de dados e reunião a reunião, a fim de determinar a postura de política monetária mais apropriada para cumprir a nossa meta de 2% a médio prazo", disse, reiterando o seu "firme compromisso com a estabilidade de preços no meio da crescente incerteza".
Também à margem da reunião de ministros das Finanças europeus em Nicósia, Alexander Demarco, membro do conselho de governadores, afirmou igualmente que com as expectativas de inflação a médio prazo ainda "bastante bem ancoradas", não há necessidade, neste momento, de muitas medidas adicionais.
"Em junho, provavelmente precisaremos de aumentar as taxas", disse Demarco, que também preside ao banco central de Malta. "Temos de sinalizar que estamos comprometidos com o nosso objetivo a médio prazo. Trata-se de preservar a credibilidade — não podemos dar a impressão de estarmos atrasados", acrescentou.