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Notícia

As revoluções da digitalização e da sustentabilidade

“São desafios relacionados entre si, e será muito difícil, senão impossível, que a agricultura sofra esta profunda transformação de sustentabilidade, se não se apoiar em fortes fundamentos de digitalização”, afirma Filipe Núncio, COO da Agri Marketplace.

Filipe S. Fernandes 11 de Março de 2021 às 16:00
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Para Filipe Núncio, o principal contributo do comércio eletrónico e de plataformas digitais, como a Agri Marketplace, para o mercado e a agricultura em Portugal "é a capacidade de potenciar a exportação de produtos produzidos em Portugal para agroindústrias noutros países e a melhoria da capacidade de sourcing nacional e internacional das agroindústrias nacionais".

Uma das revoluções do nosso tempo tem a ver com a digitalização e a sustentabilidade. Como é que a agricultura portuguesa está a utilizar as ferramentas digitais e tecnológicas e a responder ao desafio da sustentabilidade? O comércio eletrónico pode ser um motor para a digitalização e a sustentabilidade agrícola?
A digitalização e a sustentabilidade são revoluções que estão em curso, mas também são desafios incontornáveis num setor que está em profunda fase de transformação. São desafios que estão muito relacionados entre si, e será muito difícil, senão impossível, que a agricultura sofra esta profunda transformação de sustentabilidade, se não se apoiar em fortes fundamentos de digitalização, em que se destacam as tecnologias de agricultura de precisão e as plataformas digitais e-commerce.

Por outro lado, a sustentabilidade terá de ser sempre suportada por fundamentos económicos, ambientais e socialmente sustentáveis, que devem permanecer interdependentes entre si. Por essa razão, acreditamos que as tendências de consumo das novas gerações terão um grande impacto na sustentabilidade desta transformação em curso. Sem uma mudança grande no paradigma de comportamento dos consumidores, não é sustentável a transformação de sustentabilidade em curso.

São transformações que têm de ser realizados em paralelo, e se por um lado a agricultura está a desenvolver alterações substanciais nos seus modos de produção, a comunicação dos benefícios dos alimentos que irão ser produzidos por esta agricultura deverá ser massivamente comunicada para os consumidores, para que os mesmos possam adaptar os seus hábitos de consumo de acordo com os valores em que acreditam.

O comércio digital de produtos agrícolas através de plataforma e-commerce B2B do tipo Agri Marketplace tem um peso determinante nesta cadeia de valor, porque garante muito maior rastreabilidade de informação relativa aos modos de produção, certificações, origens e de qualidade dos produtos transacionados. Por outro lado, além de permitir que os agricultores de um determinado país possam produzir um determinado produto específico pretendido por uma agroindústria de outro país potenciando o escoamento dos produtos diferenciados para países onde os mesmos são mais valorizados.

Estas plataformas proporcionam inúmeras oportunidades de negócio e prometem revolucionar o comércio mundial e a forma como, no futuro, cidadãos e empresas se vão relacionar com produtores e fornecedores de bens e serviços. Quais os impactos esperados desta revolução no setor agrícola e agroalimentar?
Os maiores impactos que prevemos que este tipo soluções tenham no mercado são os seguintes:
1. Universalidade no acesso de agricultores e agroindústria a um mercado global de produtos agrícolas;
2. Maior transparência de preços nas ofertas de venda, de compra e de volumes transacionados em todo o mundo;
3. Mais e melhor detalhe de características de qualidade de cada lote em oferta de venda e de compra, garantindo mais rastreabilidade na origem e informação sobre os modos de produção dos produtos transacionados;
4. Maior segurança de pagamento para os agricultores vendedores e para a agroindústria compradora;
5. Maior segurança de qualidade do produto entregue e recebido de acordo com os termos e condições acordados em contrato;
6. Fácil acesso a serviços logísticos globais (transporte, armazenamento, desalfandegamento, etc.).
Desta forma, face às vantagens e impactos descritos nos pontos anteriores, acreditamos que a Agri Marketplace irá funcionar como um potenciador de mais e melhores negócios entre agricultores e agroindústria, que, pela aproximação entre as partes, irão usufruir de mais e melhor informação para tomarem as melhores decisões de venda e compra.

Quais são as expectativas relativamente ao Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030?
As expectativas que temos relativamente ao Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030 são de que os programas de apoio às empresas sejam um acelerador do processo de transformação digital que a agricultura e a agroindústria tanto necessitam para consolidarem os seus processos nas áreas de inovação, tecnologia de precisão, digitalização, melhorando a comunicação com os consumidores, para que estes valorizem cada vez mais estas novas práticas sustentáveis de produção e adotem novos hábitos de consumo que, hoje em dia, são cada vez mais orientados para dar resposta a uma alimentação mais saudável da população em geral.


PERFIL
Engenheiro mecânico e produtor de arroz

Filipe Núncio foi um dos fundadores da Agri Marketplace em 2016 e na qual é COO (Chief Operating Officer). Engenheiro mecânico pelo Instituto Superior Técnico e com um MBA pela AESE Business School, é produtor de arroz e diretor da Aparroz - Agrupamento de Produtores de Arroz do Vale do Sado, Lda. E como empreendedor fundou a Wattsky, consultora de energia e WattSave na área da consultadoria em eficiência energética e certificação energética.