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A era da biometria contactless

A Vision-Box tem vários projetos de inovação com financiamento do PRR, que em breve deverão ser anunciados e que terão por base uma das tendências reveladas pela pandemia: o contactless, que conquistou consumidores e cidadãos.

Filipe S. Fernandes 27 de Abril de 2022 às 14:30
Miguel Leitmann é o CEO da Vision-Box Pedro Ferreira
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A Vision-Box nasceu em 2001 com o desenvolvimento de soluções de vigilância através da análise inteligente de dados vídeo e, quatro anos depois, a tecnológica portuguesa entrou no segmento de negócio da biometria. Como refere Miguel Leitmann, CEO e fundador da empresa, "a Vision-Box soube antecipar e ter uma visão do futuro da biometria no mercado da aviação, com a massificação do número de passageiros, a intensificação dos controlos de fronteiras, e a automatização de processos", afirmou o gestor na talk sobre inovação promovida pelo Negócios em parceria com o Santander, no âmbito do Prémio Portugal Inspirador.

Em 2007, a Vision-Box instalou em Portugal o RAPID - Reconhecimento Automático de Passageiros Identificados Documentalmente, que foi o primeiro sistema de ABC (Automated Border Control) do mundo, e que reconhecia os passageiros pela biometria facial. Esta foi uma das estrelas da mostra de tecnologias portuguesas que foi organizada durante a presidência portuguesa da União Europeia. No entanto, "logo à partida, o nosso mindset foi que Portugal não seria o nosso único mercado, isto vai ser para o mercado global e a questão é como é que se consegue desenvolver uma tecnologia e um produto a um preço atrativo, para ser colocado e implementado pelo mundo. Hoje, estamos em 40 países e operamos em cerca de 100 aeroportos em todo o mundo", explicou Miguel Leitmann.

Cadeia de valor integrada é vantagem competitiva

O CEO da Vision-Box afirmou que, em termos de mercado e de tecnologia, "a concorrência segue muito a visão da Vision-Box na implementação destas soluções biométricas". "Não é por acaso que somos líderes de mercado no nosso segmento. Concorremos com empresas com muito maior dimensão. Na Vision-Box, somos cerca de 500 pessoas, e os nossos concorrentes têm 15, 20 mil funcionários, ainda que os departamentos que desenvolvem os mesmos produtos e concorrem com a Vision-Box sejam normalmente mais pequenos do que nós."

Nas palavras do CEO, a grande vantagem competitiva da Vision-Box é a sua cadeia de valor integrada, que inclui o desenvolvimento, a eletrónica, a mecânica, e as soluções de software. Adicionalmente, "as nossas equipas estão vocacionadas para antecipar padrões de comportamentos de pessoas, cidadãos e passageiros, para implementar as soluções de forma mais rápida e a um preço bastante interessante", disse Miguel Leitmann.

Pandemia acelera contactless

A Vision-Box "respira" inovação, tecnologia e indústria desde a sua origem, e o PRR "pode ser e será um motor de inovação", frisou Miguel Leitmann. Neste contexto, a empresa tem vários projetos com financiamento do PRR que serão conhecidos no curto prazo. Por isso, destacou, o apoio do Estado tem acompanhado a Vision-Box desde os seus tempos iniciais. Uma das tendências que a pandemia acelerou foi a da adoção de soluções "contactless", que conquistaram os consumidores e os cidadãos. Assim, o objetivo da Vision-Box é liderar a mudança das plataformas para que as pessoas possam ter, nos aeroportos, e nas interações como o Estado, "uma experiência sem contacto".

Recentrar produção na UE

Durante a pandemia, não só o mercado da aviação parou completamente, como a área de supply chain foi posta em causa. "Hoje em dia é quase um milagre as várias indústrias conseguirem fazer o sourcing dos componentes para continuarem com as fábricas a funcionar", referiu.

A guerra provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia tem impacto a curto prazo, mas Miguel Leitmann não acredita que haja implicações a longo prazo. Considera que este episódio, associado ao que aconteceu com a pandemia, "vai intensificar a tendência para a produção local na Europa, fortalecer a noção de que tem de haver alguma independência em termos tecnológicos e de capacidade de fabricação, de matérias-primas". Será um pouco a reversão da tendência do global e do barato, para centralizar na UE um certo número de áreas "que se vão manter a qualquer custo, para que, em circunstâncias como as que estamos a viver, não haja tanta profundidade nas consequências".

A inovação preocupada com a experiência "Inovação, Tecnologia e Indústria" foi o tema da quarta e última talk no âmbito do Prémio Portugal Inspirador - lado a lado com as empresas, que é uma iniciativa do Banco Santander em parceria com o Jornal de Negócios, e que visa distinguir e divulgar as empresas e personalidades que se destacaram em vários setores de atividade. Conta com a Informa e a Accenture como knowledge partners. Teve a moderação de Hugo Neutel, jornalista do Jornal de Negócios, e a participação de Gonçalo Valério, Portugal Expansion and Franchising Manager da Calzedonia Portugal, Miguel Leitmann, CEO da Vision-Box, e Susana Ferreira, head of Digital Transformation do Santander Portugal.