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Em busca das melhores práticas inspiradoras

O Prémio Portugal Inspirador - Lado a Lado com as Empresas é uma iniciativa do Santander, do Jornal de Negócios, Correio da Manhã e CMTV e conta com o apoio da Informa D&B e da Accenture.

Filipe S. Fernandes 20 de Junho de 2022 às 14:00
Bruno Colaço
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A ideia do Prémio Portugal Inspirador surgiu no último trimestre de 2021, no pós-pandemia, em que, como diz Miguel Belo de Carvalho, administrador do Santander, "sentíamos a existência de misfeelings, com um contexto altamente negativo do ponto de vista pandémico, com uma economia e uma sociedade a sofrer, mas sentíamos uma vibração grande em vários setores e que Portugal não estava adormecido".

A banca é um observatório privilegiado da economia, do comportamento e das necessidades das pessoas, das empresas, pela sua presença no mundo empresarial, e pela multiplicidade de relações com clientes e agentes económicos. "Sentimos um vibrar muito grande e sobretudo uma reinvenção de muitos setores que, se já eram os pilares da nossa economia, ganharam uma capacidade de transformação muito grande", sublinha Miguel Belo de Carvalho.

O gestor sustenta ainda que, apesar das nuvens de complexidade e de incerteza, "é um facto que sentimos que a pandemia nos trouxe muitos bons exemplos, de afirmação de muitas empresas e de muitos agentes em setores que fazem a diferença e que vão continuar a fazer no futuro".

Para consolidar o prémio foi necessário fazer uma seleção dos setores. Na opinião de Miguel Belo de Carvalho, não foi uma tarefa fácil, mas procurou-se que os setores fossem suficientemente abrangentes para haver uma capacidade de escolher e selecionar os exemplos que fizeram a diferença e tiveram grande impacto na economia. Foram selecionados os setores da agricultura, turismo e serviços, indústria, tecnologia e inovação, e sustentabilidade e inovação social.

A agricultura é um dos pilares da economia e, no atual contexto geopolítico, ainda ganha mais relevância, porque a sustentabilidade de cada país e a sua afirmação passam muito pelo setor primário. O turismo e serviços era uma área a considerar porque, tanto no momento atual como no futuro, Portugal vai ser um destino de referência na Europa e no mundo.

A indústria, a tecnologia e a inovação têm uma relevância decisiva, em que existem muitos bons exemplos e, "apesar de sermos uma economia pequena, em vários setores estamos na vanguarda tecnológica e da inovação, e prevê-se uma seleção difícil porque está muita coisa a acontecer, tanto na indústria como na tecnologia e inovação", refere Miguel Belo de Carvalho.

Acrescenta ainda que "a sustentabilidade e a economia social estão muito interligadas. A sustentabilidade é transversal a todos os setores e por isso vamos atribuir os prémios e as menções honrosas de forma a separar os dois campos porque a economia social assim o merece".

Quatro grandes desafios

Em forma de enquadramento dos prémios, Miguel Belo de Carvalho sublinha os grandes desafios para os atores económicos e sociais.

O primeiro desafio relaciona-se com a alteração radical dos mercados e os consumidores. É válido para todos os setores, mas sobretudo para os que lidam com o consumidor final, que vivem de uma forma mais disruptiva esta transformação. "A banca é um setor que está em grande transformação por causa das alterações brutais do comportamento dos clientes e dos consumidores de serviços financeiros. Cada um dos setores vai sofrendo com maior ou menor intensidade esta mudança conforme a sua participação na cadeia de valor", defende Miguel Belo de Carvalho.

O segundo desafio reside na alteração ao nível dos transportes e da logística e da cadeia de abastecimento. "As empresas mais localizadas no mercado nacional sentem menos esta pressão, mas quem vive muito do negócio e do comércio internacional sente muito mais. O paradigma está a mudar, é um desafio muito grande de superação nesta matéria", sublinha Miguel Belo de Carvalho.

O terceiro desafio é o das pessoas, que hoje são um recurso escasso em termos de quantidade e de qualidade, e afeta todos os setores que, cada vez mais, competem entre si nesta guerra pelo talento. "Hoje em dia a banca não compete apenas dentro do setor, porque precisamos de competências que são necessárias em todos os setores, e por isso competimos com o setor primário, a indústria, as telecomunicações", esclarece o administrador do banco.

O quarto desafio está relacionado com as transformações políticas e económicas globais, "que são um exercício de superação para todos em Portugal. Em todos os desafios, mas neste em particular, Portugal tem até, de uma forma micro pelo modo como as empresas se estão a posicionar, uma grande oportunidade", refere.

O administrador do Santander salientou ainda que, depois da pandemia e não obstante o contexto geopolítico que se vive, a economia portuguesa está forte e a crescer. "As exportações estão mais fortes do que nunca, diria que hoje já estamos mais fortes do que nos anos pré-crise, com as exportações muito perto dos 50% do PIB. A situação de Portugal saiu muito reforçada pela sua posição natural, geográfica, pelas características da nossa economia, da nossa sociedade, colocam-nos aqui num patamar de competitividade muito forte e assim saibamos aproveitar esta oportunidade", concluiu Miguel Belo de Carvalho.