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385 investigadores portugueses entre os mais influentes do mundo

Estão no top 2% dos mais influentes no mundo nas mais diversas áreas de investigação científica e do desenvolvimento tecnológico, segundo a avaliação da Universidade de Stanford. Para o presidente do Técnico, o que falta é as empresas captarem os 1.500 doutorados que todos os anos saem da universidade.

Filipe S. Fernandes 18 de Janeiro de 2022 às 14:30
Rogério Colaço, presidente do Instituto Superior Técnico. Mariline Alves
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Nos últimos 25 anos, houve duas mudanças estruturais que alteraram de forma significativa o "tecido de investigação e desenvolvimento e a capacidade instalada que neste momento existe e que muito provavelmente ainda tem uma margem de crescimento e que tem de ser aproveitada e explorada", conclui Rogério Colaço, presidente do Instituto Superior Técnico (IST).

O sistema nacional de investigação científica e desenvolvimento tecnológico mudou "fruto de uma política continuada que atravessou vários governos e vários ministros e os resultados neste momento estão à vista", frisa Rogério Colaço. E exemplificou com uma publicação da Universidade de Stanford que todos os anos revela os 2% de investigadores mais influentes no mundo em diversas áreas de investigação científica e desenvolvimento tecnológico e na qual, em 2021, constam cerca de 385 investigadores portugueses, quando em 2020 eram 280 a 290. "Este é um número desproporcional face à dimensão do país", destaca Rogério Colaço.

Outro dado é a profunda mudança estrutural, no sistema de ensino superior nacional, da tipologia dos diplomados. "Até 2006, 2007, menos de 1% dos diplomados em engenharia, ciência ou tecnologia tinham doutoramento. Neste momento no país, 10% dos diplomados são doutorados, têm uma formação de dez anos - quatro dos quais em doutoramento -, em que aprendem e fazem aquilo que os torna mais diferenciados e que é o desenvolvimento, a investigação e a criação de conhecimento", acrescentou o presidente do Técnico.

1500 doutorados

Estará o país preparado para valorizar este conhecimento que neste momento já tem capacidade instalada para produzir, questionou também Rogério Colaço. A resposta foi simples: "Demos um salto significativo na nossa capacidade de criação de talento, mas ainda não demos um salto tão significativo na capacidade de valorização do conhecimento. Se não dermos este salto, na próxima década o talento emigra e o investimento que o país fez na criação de talento não é aproveitado no desenvolvimento económico e sustentado".

O presidente do IST revelou que os 350 investigadores que fazem parte dos 2% do top mundial e que trabalham em centros e universidades em Portugal "são diariamente, ou semanalmente, confrontados com o contacto de estudantes internacionais de várias proveniências como a China, o Brasil, o Irão, a Índia, que querem trabalhar com eles e trazem dote". Estes estudantes internacionais são financiados pelos seus governos e pelas suas empresas "para virem aprender aquilo que fazemos em Portugal e depois levarem esse conhecimento para os países que os financiam".

Contudo, segundo Rogério Colaço, "não existe ainda o movimento do lado das nossas empresas, ou seja, neste momento o país produz cerca de 1.500 doutorados por ano que não são integrados em empresas". Como explica o presidente do Instituto Superior Técnico, quando uma empresa contrata um doutorado, e isto não é uma ideia muito comum, "não contrata apenas um doutorado, contrata o seu orientador e o seu centro de investigação, que ficam atentos à permuta e à transferência de conhecimento e de tecnologia".

Em conclusão, para Rogério Colaço, "há um caminho grande que ainda temos de fazer, que é feito de uma forma consolidada em vários países na Europa". "Só há uma coisa que Portugal não pode desperdiçar, é o talento. A nossa economia pequena e aberta pode cometer alguns erros, algumas alterações de trajetória, mas não pode delapidar o talento", declara Rogério Colaço.