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Carteiras privilegiam as ações sobre as obrigações

Se o crescimento económico continuar ao ritmo atual e caso se mantenham os estímulos do ponto de vista orçamental e monetário, vai existir um enquadramento muito favorável para as ações em detrimento das obrigações.

Filipe S. Fernandes 18 de Maio de 2021 às 13:30
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Este ano destacam-se positivamente as ações e as matérias-primas, sobretudo devido à recuperação económica, referiu José Miguel Calheiros, diretor -geral do Bankinter-Gestión de Ativos, numa apresentação digital feita no âmbito da Talking Money -O Valor do Dinheiro, em que fez o balanço dos mercados financeiros nos primeiros cinco meses de 2020, e falou do posicionamento que o Bankinter Gestión de Ativos tem para as diferentes classes de ativos de investimento.

"Houve episódios como a paralisação do canal do Suez, a rebelião dos investidores do Reditt e agora a debacle de um hedge fund, mas o que foi relevante foram dois factos como o crescimento económico muito acima do esperado, com destaque para economia norte-americana tanto por causa do massivo programa de vacinação mas também da aprovação dos grandes apoios, e os estímulos à economia como um programa de infraestruturas a 15 anos", explicou José Miguel Calheiros.

O outro fator foi a subida das taxas de juro, que é reflexo deste crescimento económico acima do esperado e da "política muito expansionista dos principais bancos centrais à recuperação das zonas monetárias ao longo dos últimos 12 meses", disse José Miguel Calheiros. Este aumento de taxas de juro teve reflexos no comportamento muito negativo das obrigações no primeiro trimestre. "Não me lembro de cinco meses tão maus nos últimos 10 anos em termos da performance do mercado obrigacionista."

Depois de os mercados de ações terem ficado muito caros no final de 2020, com o anúncio dos resultados das empresas neste primeiro trimestre de 2021, os mercados de ações ficaram mais baratos pois melhorou o rácio de preços sobre lucros, o que permite antever um bom ano de 2021. "Os resultados das empresas norte-americanas e das europeias foram muito acima do que se esperava com taxas de crescimento no primeiro trimestre de 50%". Não se pode deixar de ligar as classes de investimento à sua principal âncora que são as taxas de juro, que estão a zero ou um pouco abaixo e em termos reais, após a inflação, que ainda são mais baixas. "Para um investidor remunerar o seu património tem de incluir ações na sua alocação."

Nas carteiras sob gestão e dependendo dos perfis de risco, vão ser privilegiadas as ações sobre as obrigações. Dentro do segmento das ações, "claramente posicionados nos Estados Unidos, é um mercado que estruturalmente faz mais sentido para o acionista. Em termos táticos temos alguma sobre-exposição a empresas da Zona Euro porque acreditamos que os setores mais cíclicos da economia, como a energia, a banca, o consumo cíclico, que foram penalizados em 2020, podem ter uma recuperação acima da média em 2021".

Em termos de obrigações as carteiras têm o menos possível e sem praticamente dívida pública porque, sobretudo na Zona Euro, transaciona com yields negativas. Têm mais exposição nas obrigações high yield, porque acreditam que haverá potencial para alguma valorização nomeadamente no europeu e, em particular na dívida subordinada de bancos, face ao rendimento esperado compensa o risco.

Como o investidor deve abordar o mercado  O mercado deve ser abordado mais pela razão do que pela emoção. José Miguel Calheiros disse ainda que investir a menos de um ano "não é investimento, é especulação", porque "quando estamos a ‘investir’ a menos de um ano, não estamos de facto a investir, estamos a especular e para especular são precisos outros produtos, é outro mindset e não tem nada a ver com investimento".

Nos últimos 14 anos, desde a crise financeira já existiram várias grandes crises como a crise da dívida soberana em 2011, o crash da China em 2016, o crash em 2018 e covid-19 em 2020. "Quem conseguiu resistir a vender ao longo deste tempo tem hoje um património com mais ganhos do que quem saiu do mercado, e esta é a grande lição que temos de aprender enquanto investidores. Temos de investir num horizonte de médio e longo prazo, sermos pacientes e persistentes. É mais fácil ganhar dinheiro desta forma do que tentar adivinhar quais são os melhores e os piores momentos para sair do mercado."