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João Castello Branco é o 28.º mais poderoso de 2019

Discreto, tímido, racional. É assim o presidente executivo da Semapa, a quem coube, após a morte de Pedro Queiroz Pereira, assegurar a continuidade no grupo industrial herdado pelas três filhas do empresário.

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A  morte de Pedro Queiroz Pereira a 18 de agosto de 2018 apanhou os administradores da Semapa de férias. João Castello Branco, que tinha sucedido ao empresário na presidência executiva da "holding" em 2015, estava do outro lado do mundo. Um "recall" trouxe, de imediato, todos de volta a Lisboa.

Cinco dias depois, João Castello Branco enviava uma mensagem aos trabalhadores do grupo, sinalizando comoção, mas serenidade. "Perdemos todos um líder incontornável, mas esta enorme perda não nos deve deixar dúvidas ou apreensões sobre os rumos futuros do grupo", afirmava o CEO da "holding" que controla a Navigator e a Secil, assegurando "continuidade" e "alinhamento" com as principais acionistas e as equipas de gestão.

Sem quererem ter parte na gestão diária do maior grupo industrial português, as três filhas de Queiroz Pereira - Mafalda, Filipa e Lua - reforçaram o poder de Castello Branco, que foi uma escolha pessoal do empresário. Aos 55 anos, deixava a McKinsey, onde entrou em 1991 e construiu uma vasta rede de contactos na banca e nas cotadas quer em Portugal quer em Espanha, país onde viveu vários anos.

Casado com Cristina Cabeza de Vaca - apelido do conquistador espanhol, conhecido por ter sido o primeiro europeu a descrever as Cataratas do Iguaçu e a explorar o curso do rio Paraguai -, Castello Branco é um gestor calmo e diplomata. Vem de uma família discreta e segue uma vida recatada. Contrasta com o estilo único de liderança de Queiroz Pereira, mas, como ele, tem autoridade, uma característica relevante num líder.

Inteligente, profundo nas análises, racional, bem educado e correto para com quem trabalha.

É católico praticante, mas não asceta. Os seus dois filhos gémeos - uma rapariga e um rapaz - estudaram em Ampleforth, o maior colégio interno católico do Reino Unido. E durante anos o Natal com a família não era passado em casa, mas numa instituição de solidariedade.

No Tauromáquico e no Turf

João Castello Branco usa fatos de alfaiate, tem férias confortáveis - na Quinta do Lago, no Algarve - e gosta de fumar charuto. Algo que faz agora no Real Clube Tauromáquico Português e no Turf, dois círculos em Lisboa de encontro de elites, onde as mulheres não entram e a gravata é obrigatória. E em que os pratos de bacalhau à sexta-feira são um retrato da tradição católica. Espaços de convívio discretos para um gestor que luta contra a timidez.


Os poderes de João Castello Branco
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Nos cinco critérios do Negócios para analisar o poder, veja porque ficou João Castello Branco na 28ª posição na lista dos Mais Poderosos de 2019.

Reservado na forma como gere a sua carreira, focado no estudo minucioso dos temas e concentrado nos impactos das suas decisões. Quem o conhece entende que a João Castello Branco não sobra muito espaço para fazer aliados profissionais. A McKinsey será a sua grande base de apoio. Teve uma longa carreira na consultora, que o levou ao contacto com um sem-número de gestores de topo de vários setores em todo o mundo. Na Semapa, Castello Branco cruzou-se e continua a cruzar-se com outros ex-McKinsey, como o alemão Heinz Peter Elstrodt, que trabalhou 32 anos nesta consultora e é, desde janeiro passado, "chairman" da Semapa. E Diogo da Silveira, o ex-CEO da Navigator que Castello Branco substituiu interinamente em abril.

[As filhas de Queiroz Pereira] querem introduzir alguma modernização mas dentro de um quadro de continuidade.

A hostilidade para com os empresários preocupa-nos.

João Castello branco Em entrevista ao Expresso em abril de 2019

Os dois mantinham uma boa relação, que arrefeceu um pouco com a saída do gestor, motivada por divergências sobre a estratégia de investimento da Navigator, que Diogo da Silveira pretendia manter acelerada. A opção dos acionistas foi em sentido diferente. Coube agora a João Castello Branco anunciar, na apresentação dos resultados semestrais aos analistas, o arranque em 2020 de um novo programa de corte de custos fixos na produtora de pasta e papel. Ainda antes disso a Navigator encontrará um novo CEO, concluindo o processo de recrutamento que assumiu que iria "demorar o tempo necessário" e seria "anunciado quando concluído". Em setembro, o gestor deverá estar escolhido, altura em que Castello Branco regressará apenas ao lugar de "chairman".

Pelo eucalipto

Como Pedro Queiroz Pereira, e as suas três filhas, João Castello Branco não gosta da exposição mediática, mas ao contrário da família do industrial compreende a necessidade de alguma visibilidade. Por isso, aceitou dar uma entrevista este ano, ao jornal Expresso, na qual deixa claro que tem hoje como inimigos - algo que não cultiva de forma leve - aqueles que decidam a desfavor da evolução dos seus negócios. É o caso do eucalipto, cuja área vai ser reduzida no país por opção dos partidos de esquerda.

 

Castello Branco no congresso das comunicações em 2013, antes de ter entrado na Semapa. São raras as aparições públicas.
Castello Branco no congresso das comunicações em 2013, antes de ter entrado na Semapa. São raras as aparições públicas.

"Temos mostrado um compromisso com o país muitíssimo relevante", afirmava ao jornal, apontando o investimento de mais de 2 mil milhões de euros feito pelo grupo em Portugal nos últimos 10 anos. "O ambiente de crispação e de hostilidade que existe para com os empresários e para com quem investe preocupa-nos", admitia o gestor.




Líder do maior grupo industrial
Evolução da classificação ao longo dos anos

Pedro Queiroz Pereira figurou sempre entre os Mais Poderosos da economia portuguesa, mas com o desaparecimento do empresário em 2018 é agora João Castello Branco que dá a cara pelo maior grupo industrial nacional.