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O potencial de Portugal na energia eólica offshore

Paul Malte, da Mainstream Renewable Power/Aker Offshore Wind, empresa interessada no concurso que Portugal vai abrir para a exploração da eólica offshore, lembrou que para o país atingir a meta a que se propôs, de 10 GW de eletricidade produzida por esta via em 2030, é preciso começar já.

Rute Coelho 14 de Dezembro de 2022 às 14:00
A colocação de plataformas com turbinas eólicas em águas profundas e afastadas da costa não será difícil no mar português, disse Paul Malte CharlieChesvick
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O governo português fixou a meta de produção de 10 GW de eletricidade a partir de energia eólica offshore em 2030, mas só para o ano vai arrancar o leilão eólico offshore internacional que permitirá a um promotor escolhido avançar com o processo em Portugal. Haverá tempo para reunir todas as condições e ter a indústria naval portuguesa a reagir ao desafio? No webinar "Energia eólica offshore: o potencial de Portugal e da Europa", Paul Malte, que falou em nome de uma das empresas interessadas na corrida, a Mainstream Renewable Power/Aker Offshore Wind, elencou as excelentes condições de que Portugal usufrui, mas deixou bem claro que "para se atingir a meta dos 10 GW em 2030 é preciso começar já".

Sob a égide da iniciativa Mar Sustentável, uma iniciativa do Jornal de Negócios e do Fórum Oceano, realizou-se o terceiro webinar patrocinado pela Câmara Municipal de Oeiras e a EDP, com o apoio institucional do gabinete do secretário do Estado do Mar.

O Aker Group está sediado na Noruega e trabalha com todas as energias renováveis, nomeadamente solar, hidrogénio verde e eólica. Com experiência de 15 anos na área específica da energia produzida pela força do vento turbinado em plataformas marítimas, Paul Malte garantiu, na sua intervenção remota, que "Portugal tem um potencial enorme para ter energia eólica offshore flutuante". A colocação de plataformas com turbinas eólicas em águas profundas e afastadas da costa não será difícil no mar português, considerando os 60 metros de profundidade necessários, observou. "A capacidade de vento é de 30 a 40% em onshore, 45 a 50% em offshore fixo e 50 a 60% em offshore flutuante", afirmou Paul Malte.

Há um potencial no offshore fixo de 14 GW e no flutuante de 117 GW. No total, estamos a falar de 131 GW. Ou seja, há um potencial enorme em Portugal. Paul Malte
da Mainstream Renewable Power/Aker Offshore Wind
O Aker Group já fez as contas e tem a certeza de que o país tem nesta fonte energética uma mina de ouro. "Há um potencial no offshore fixo de 14 GW e no flutuante de 117 GW. No total, estamos a falar de 131 GW. Ou seja, há um potencial enorme em Portugal."

Como explicou Paul Malte na sua intervenção, o leilão eólico offshore arranca em 2023. Depois de escolhido o promotor, a fase de engenharia vai decorrer em 2024 e 2025. A fase do "procurement" ou da aquisição dos componentes necessários para construir o parque eólico flutuante decorrerá de 2026 a 2028, tal como a construção, sendo que a instalação será concluída em 2028. Não há tempo a perder, como deu a entender Paul Malte ao dizer que "é preciso começar já".

O Aker Group prevê uma redução de custos nas eólicas offshore flutuantes de 60% até 2030 em Portugal se forem tidos em consideração um aumento do tamanho e capacidade das turbinas eólicas e a produção em série e por módulos das plataformas marítimas.