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Vai comprar casa? Saiba como escolher o melhor empréstimo

2015 está a ser um ano de recuperação do crédito, tanto ao consumo como à habitação. Os bancos têm aumentado a oferta e as famílias têm procurado mais. Se está a pensar pedir um, saiba o que fazer para garantir o melhor empréstimo.

Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 29 de Outubro de 2015 às 21:45
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Desde 2011 que os bancos não emprestavam tanto dinheiro para a compra de casa. Depois de vários anos de condições de financiamento quase proibitivas, aos poucos as instituições financeiras têm vindo a aliviar as exigências tornando o crédito mais barato numa altura em que os juros estão em mínimos históricos. Se vai comprar casa com recurso a financiamento, há alguns cuidados a ter. Saiba como escolher o melhor empréstimo para evitar surpresas desagradáveis no futuro.

Um ponto de partida é uma análise cuidada da oferta de mercado. Quase todas as instituições financeiras a operar em Portugal concedem crédito e as soluções diferem muito. Por isso, é importante que não se fique pelo seu banco. A instituição onde tem a sua conta pode ser a primeira a consultar, mas não é garantido que lhe ofereça as melhores condições. Os "spreads" estão a baixar (há vários com taxas de menos de 2%), mas para assegurar uma margem baixa deverá ponderar a utilização de algum dinheiro amealhado: em regra, apenas financiam cerca de 80% do valor da avaliação, mas se conseguirem emprestar uma percentagem inferior, vão dar uma taxa mais reduzida.

A escolha da taxa de juro é um processo que deve também ser alvo de grande atenção, sobretudo se tivermos em consideração que estamos a falar de um contrato a longo prazo, tipicamente a 30 ou 40 anos. Além do "spread", deve ter em atenção o indexante ao qual este será somado. Actualmente são poucas as instituições que ainda disponibilizam no seu preçário a Euribor a três meses, que assume valores negativos desde Abril. Mas pode ainda escolher a taxa a seis ou 12 meses, uma opção em cada vez mais instituições financeiras. Além disso, pode também optar pela taxa fixa, uma opção a considerar. Uma possibilidade que tem ainda a vantagem de retirar incerteza sobre o que vai pagar no futuro.

Mas além do "spread" e do indexante, é igualmente importante ter em conta as despesas associadas ao processo de financiamento, tanto na altura da abertura como no resto do período do crédito. Já ouviu falar da TAER? A Taxa Anual Efectiva Revista é uma taxa que considera todos os custos associados ao empréstimo e que os bancos são obrigados a mencionar na Ficha de Informação Normalizada. Deve ter a preocupação de saber o valor desta taxa, uma vez que pode ter conseguido um "spread" reduzido conseguido à custa da subscrição de vários produtos que, no seu conjunto, elevam o conjunto de encargos que tem com o crédito.

É na TAER que deve concentrar as suas atenções, utilizando-a como termo de comparação entre ofertas de vários bancos. "É um erro olhar apenas para o valor da prestação naquele momento", alerta Natália Nunes. A prestação "poderá subir no futuro [fruto da subida do indexante, no caso da taxa variável] e, além disso, ao contratar um crédito à habitação, as famílias assumem outros encargos, como condomínio, seguros e impostos", lembra a responsável do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da Deco. Por isso, é também importante olhar para a sua taxa de esforço, considerando cenários de aumento de 1% e 2% no indexante. Só assim poderá garantir que não será surpreendido por encargos que não consegue suportar.


Atenção às comissões ao longo do crédito
O "spread" não é o único número ao qual deve estar atento quando pensar em contratar um crédito à habitação. Isto porque, ao longo do financiamento, será confrontado com o pagamento de comissões. Podem ser comissões de abertura de processo, de avaliação ou de processamento da prestação.
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