A crise segue dentro de momentos
Permitia que os juízes passem a guiar-se pelo espírito da lei e não pela sua letra. Nessa altura a arquitectura legal do País era do tamanho da Torre de Babel: legislava-se sobre tudo. O resultado era um País que não se movia.
Claro que o bom senso nunca prevaleceu em Portugal.
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O acordo assinado para o OE entre os representantes do PS e do PSD e não pelos seus líderes, Sócrates e Passos Coelho, é tudo menos uma lei de bom senso. É um armistício útil mas envergonhado. Não o assinando, os líderes podem continuar a treinar o tiro ao alvo, para as manobras de Maio e ilibar-se das culpas que querem disparar sobre o adversário. O ministro Teixeira dos Santos queria uma fotografia oficial para mostrar ao mundo o acordo. Desejava simplesmente transformar a ilusão que o Governo alimentou em postal ilustrado. Porque o acordo foi o fruto proibido de três meses de alucinação do PS e do PSD, de um Governo que negava a crise evidente e de um PS que negociava nos dias pares e ficava irredutível nos ímpares. O problema foi o choque com a realidade decretada pela Alemanha com o espantalho do FMI. A crise de financiamento é um garrote e não verte lágrimas por quem se comporta como Peter Pan. É por isso que o PS sai desta novela como o chorão. O País precisa de poupança interna, de enxugar o Estado e de criar um modelo económico com futuro. É essa Lei do Bom Senso que Portugal precisa de aprovar depois deste acordo. Algo que as estratégias partidárias evitarão. Assim, a crise segue dentro de momentos.
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