O silêncio do grande artista
O filme vencedor dos Óscares, "O Artista", é a preto e branco. O sr. Messi vive num mundo de cores. Uma coisa une o filme ao artista do futebol: o silêncio. Com 24 anos apenas, o sr. Messi tornou-se o proprietário da Liga dos Campeões. Cinco golos a uma equipa que há poucos dias tinha ganho ao Bayern de Munique não é algo que se esqueça. O sr. Messi tornou um jogo de futebol num espectáculo de dança. Jogou como nunca, mais do que nunca.
Por estes dias, o Benfica eliminou, com inteligência, o Zenit. Um Sporting renascido ganhou, com um querer indomável, aos milionários do Manchester City. Mas a semana toda é do sr. Messi. Ou melhor: o ano todo. O Barcelona pode perder este ano a liga espanhola. Mas, da história, nada apagará estes cinco golos feitos de artifício e arte do sr. Messi. Quem viu o jogo viu um milagre. E esses não surgem todos os dias.
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O sr. Messi cresceu em campo. Ao lado de uma equipa que é por um, porque ele também é por todos. É esse o segredo do Barcelona. O que a separa totalmente do Real Madrid, sempre um império de craques vindos de todas as partes do mundo. O Barcelona é uma família. O Real Madrid um encontro de primos geniais comandados por um excelente treinador. Contra isso, e contra o ruído da generalidade dos craques, o sr. Messi parece transportar uma paz interior que ilumina o seu rosto após marcar cada golo, após assinar cada obra de arte. Tudo o que faz é em silêncio. E o silêncio, na hora da vitória, é o grande poder.
O sr. Pep Guardiola explicava isso: "Há diferentes tipos de liderança. Quando as coisas se complicam, Messi levanta-se. Ele tem feito isso nos últimos quatro anos. É uma liderança silenciosa; na adversidade ele sempre avança". É por isso que jogadores excepcionais como o sr. Xavi, o sr. Iniesta ou sr. Fabregàs se curvam perante a liderança. Porque o sr. Messi também transpira modéstia. Para ele, o futebol é apenas um jogo. Quando passa, quando finta, quando marca, tudo parece simples e inocente. É por isso que o Barcelona é uma equipa tão imponente e tão valorizada, ao contrário do que sucede com o Real Madrid.
O sr. Messi impõe, no futebol, um outro tipo de liderança. Aquela que não necessita de estar a aniquilar as opiniões diferentes, que não necessita de pedir que os outros se subjuguem à sua superioridade. Com o silêncio do seu poder e a modéstia da sua forma de celebrar, o sr. Messi mostra o que é um grande jogador. Os seus cinco golos colocam-no na história suprema da Liga dos Campeões. Mas ele já tinha garantido o seu lugar nas primeiras linhas da história do futebol.
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