Páginas da Vida
Nesta versão política a que em Portugal se dá o nome de "Estado da Nação", Clarinha é uma heroína do trabalho socialista: o PSD acha que Sócrates deve ficar com ela, o PS considera que ela é demasiado socialista para as reformas do Estado, e há quem, como Paulo Portas, que tanto se dá como se lhe deu. Desde que ninguém o chateie por causa de Telmo Correia. E Portugal, o que pensa o país? Há os que querem subsídios, outros sonham com a carreira e muitos que desejam que se removam os obstáculos à reforma. Com apoios estatais, é claro. O Estado é o chaparro de Portugal: à sua sombra proliferou quase toda a sociedade civil. E é isso que faz com que sejamos um país amorfo. Os debates sobre o "Estado da Nação" costumam, por isso, ser uma telenovela muito fraca. Os eleitores vão acreditando que "Páginas da Vida" é a verdade e o "Estado da Nação" é a ficção. Exceptuando pessoas empenhadas na mudança, que têm de lutar contra o labirinto kafkiano do Estado e dos interesses partidários lá instalados, que se faz? Diversos serviços que promovem as mesmas áreas atropelam-se sem perceberem o que está em jogo. Um exemplo: a campanha de José Mourinho fez mais pela cortiça portuguesa em Inglaterra do que os grandes estudos dos organismos nacionais nos últimos anos sobre o tema. É bonito falar da tecnologia. Mas Portugal continua a ser um país que não sabe o que fazer com Clarinha.
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