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António Moita - Jurista 23 de Março de 2017 às 19:47

Dijsselbloem não está sozinho

Moralismos à parte, e não desfazendo noutras nacionalidades, podemos orgulhosamente afirmar que o nosso vinho e as nossas mulheres fazem figura em qualquer parte do mundo.

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Gastámos muito, aplicámos mal e não produzimos riqueza suficiente para pagar a quem nos emprestou. Alguém tem dúvidas de que tudo isto é verdade?

 

O presidente do Eurogrupo foi desagradável e politicamente incorreto para os povos do Sul da Europa. Mas, na substância, não disse nada que muitos outros já não tenham dito, inclusivamente em Portugal.

 

A ideia enraizada de que há quem trabalhe muito para permitir a outros viver bem sem grande esforço não é de hoje nem é exclusiva de alguns iluminados do Norte da Europa. Em muitos países, falando de si próprios, este preconceito existe e é demonstrado de múltiplas formas em diferentes momentos. Para não ir muito longe, quem não se lembra em Portugal dos comentários, anedotas e intervenções públicas mais formais de e sobre Alberto João Jardim acerca da Madeira, Pinto da Costa a propósito do Norte ou Medina Carreira sobre o país inteiro.

 

A verdade é que, com os ventos que sopram por essa Europa fora, a solidariedade entre povos se torna cada mais difícil de explicar aos diferentes eleitorados. E quando os mecanismos institucionais não respondem às necessidades individuais o desajustamento torna-se evidente.

 

A União Europeia é cada vez mais uma realidade virtual que só não se partiu já toda porque os receios são maiores do que as certezas. E quem dirige as instituições europeias tentará sempre endossar para alguém as responsabilidades pelo insucesso das políticas.

 

Dijsselblom é uma personagem politicamente menor no contexto europeu. Mas as suas declarações refletem uma corrente de pensamento presente nas decisões individuais dos povos europeus. Por isso cada eleitor europeu irá preocupar-se cada vez mais em saber como é gasto o seu dinheiro. Seja em vinho, seja em mulheres.

 

Moralismos à parte, e não desfazendo noutras nacionalidades, podemos orgulhosamente afirmar que o nosso vinho e as nossas mulheres fazem figura em qualquer parte do mundo.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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