A TAP e a extraordinária forma de gastar dinheiro público
Temos de acreditar, num país com eternos problemas de dinheiro, não em números ou em factos, mas na palavra de quem jura que a companhia é “estratégica” e que a sua salvação merece o dinheiro que for preciso. Já vimos este triste filme na TAP – e há pouco tempo.
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Um mês depois da privatização da TAP, ainda a tinta do acordo não tinha secado, o novo Governo de António Costa decidiu mudar os termos: o Estado, argumentava o PS, precisava de ter 50% de uma empresa estratégica como a TAP. Os accionistas privados, como habitualmente nestas coisas, saíram a ganhar nas negociações: garantiram que não perdiam o dinheiro posto na empresa em caso de nacionalização, conquistaram mais direitos sobre eventuais lucros e continuaram a mandar na TAP. O Estado aumentou a sua exposição aos problemas da empresa. O Tribunal de Contas notou em 2018, sem surpresa, que a recompra da TAP não foi um uso eficiente dos parcos recursos públicos.
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