A caminhar para a cauda da Europa? Sim... e depressa!
A FRASE...
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"Porque é que países do leste europeu estão a ultrapassar Portugal em termos de desenvolvimento?"
Cavaco Silva, Rádio Renascença, 15 de Abril de 2019
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A ANÁLISE...
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Cavaco Silva tem sido um ex-Presidente "irrequieto". No sentido de que não se coíbe de analisar a situação política e económica do país. É certo que não passa o tempo a intervir (até porque, como referiu nesta entrevista, não é "comentador de televisão"). Mas quando o faz, o que tem acontecido com mais frequência nos últimos meses, raramente deixa de ser notícia.
Nesta entrevista à Renascença, o ex-Presidente analisa alguns temas quentes como o Brexit e a baixa taxa de crescimento da economia portuguesa. É aqui que vale a pena centrar a atenção. Cavaco pergunta porque é que países sujeitos a programas de ajustamento (Espanha, Grécia, Chipre e Irlanda) estão a crescer mais do que Portugal. E manifesta a sua estranheza pelo facto de a Imprensa económica "não ter notado isto".
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Um pequeno aparte: Cavaco está mal informado. A "A Cor do Dinheiro" ("Negócios" - artigo de 13/12/2018 e "Facebook" - vídeo de 6/1/2019) tem feito referência a esta questão. Voltemos ao tema: o ex-Presidente tem toda a razão, particularmente quando se questiona sobre o facto de a Grécia, sujeita a um penalizador programa de ajustamento (mais duro do que o nosso), ter previsões de crescimento superiores à portuguesa. E embora não faça diagnósticos, dá pistas: "Opções erradas no domínio fiscal, opções erradas no domínio da despesa pública, baixa produtividade, falta de investimento que está ainda muito aquém da trajetória de antes de 2011..."
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E tem também razão quando diz que por este andar, vamos acabar na cauda da Europa: "[…] Estamos a caminhar para ser a 'lanterna-vermelha' em termos de desenvolvimento, em termos de rendimento per capita dos países da zona do euro."
Só é pena que o ex-Presidente (apesar de "convidado" a fazê-lo pelos jornalistas da Renascença) não se tenha retratado de uma das suas piores tiradas durante o programa de ajustamento: aquele em que afirmou que as medidas impostas pela troika iam conduzir Portugal a uma "espiral recessiva".
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Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.
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