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Carlos Bastardo 05 de Agosto de 2020 às 19:54

Desafios para enfrentar e ultrapassar

Devem utilizar-se outras fontes de financiamento para minimizar a dependência dos bancos. Aumentem os capitais próprios, abram o capital a novos investidores (capital de risco) e, em certos casos, fundam empresas para aumentar a dimensão e o poder de negociação.

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Os fatores de risco da atual grave crise económica são vários, sendo o principal a pandemia e a possibilidade de uma nova vaga. O ano está recheado de dificuldades, mas também existem alguns desafios e oportunidades.

O tecido económico é praticamente constituído por micro, pequenas e médias empresas com uma estrutura financeira em que a dívida é rainha. Isto limita muito o investimento à inovação, à obtenção de economias de escala, ao aumento da eficiência produtiva e ao redimensionamento da atividade.

Daqui resultam, como sabemos, muitas vulnerabilidades quando há crises e um nível de produtividade e competitividade aquém do desejável. Como resolver este problema estrutural?

Cativando o investimento fomentando as iniciativas de constituição, expansão e reorganização operacional, administrativa e financeira das empresas, capitalizando as mesmas e apostando na educação/formação dos colaboradores.

Primeiro, é vital termos mecanismos jurídicos mais flexíveis, minimizar a burocracia que ainda existe e que faz atrasar decisões de investimento, por exemplo, em áreas como os licenciamentos, aprovação de projetos, e acesso aos fundos europeus.

Segundo, tratar melhor o capital próprio em termos fiscais. As empresas nacionais estão pouco capitalizadas. O capital próprio deve ter mais incentivos. O IRC deve baixar. A Irlanda quando foi resgatada bateu o pé aos credores no IRC. Comparem o crescimento do investimento e do PIB irlandês nos últimos anos com o nosso!

Sem capital é difícil investir e sem investimento não há criação de emprego.

Urge mudar a mentalidade. Nos ciclos positivos, a tendência geral (embora haja algumas boas exceções) tem sido a acumulação de património pelos empresários em detrimento da melhoria da estrutura de capitais das empresas. O endividamento em excesso cria vulnerabilidade e impede o aproveitamento de oportunidades de negócio. Quando a crise chega, as empresas não têm tesouraria para mais de dois meses em média e perfilam-se os pedidos de subsídios ao Estado. Somos uma economia subsídio-dependente.

Terceiro, as fontes de financiamento das empresas estão concentradas no crédito bancário de curto prazo. Além da reduzida capacidade de endividamento, o facto de o crédito ser em grande parte de curto prazo cria pressões na tesouraria, dificultando a tomada de decisões. Devem utilizar-se outras fontes de financiamento para minimizar a dependência dos bancos. Aumentem os capitais próprios, abram o capital a novos investidores (capital de risco) e, em certos casos, fundam empresas para aumentar a dimensão e o poder de negociação.

Quarto, aposta na educação e formação profissional (agricultura e indústria preferencialmente). As ações devem ter objetivos de progressão, mas também de reconversão das funções dos colaboradores. A covid-19 afetou negativamente a generalidade das atividades, mas também fez aparecer novos negócios e obrigou a novos comportamentos sociais e profissionais. A metodologia de trabalho vai obrigar a repensar a organização e a dimensão dos espaços; a aquisição de bens e serviços vai crescer no online em detrimento da loja; a descarbonização é crucial para a sustentabilidade; e a digitalização tem de continuar nos serviços e na indústria com evidentes ganhos de eficiência.

Estes são alguns dos principais desafios. Temos de os superar, caso contrário…

 

É vital termos mecanismos jurídicos mais flexíveis, minimizar a burocracia que ainda existe e que faz atrasar decisões de investimento.

 

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