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Carlos Bastardo 10 de Dezembro de 2019 às 18:58

Mas afinal, quantos portugueses emigraram entre 2011 e 2018?

Os pais destas pessoas (numa boa parte jovens) pagaram os seus estudos, o Estado investiu na sua educação e agora, as pessoas ao emigrarem vão pagar impostos sobre o rendimento e consumo noutros países.

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Recentemente surgiu na comunicação social uma notícia que menos de 500 portugueses (481 mais precisamente) tinham até novembro aderido ao programa de incentivo ao regresso. Independentemente das razões do regresso que podem ser várias: saudades, não se adaptaram, não conseguiram encontrar emprego no estrangeiro, terem conseguido emprego e boas condições em Portugal… a questão é que este número, infelizmente, é irrisório face ao número de portugueses que emigraram entre 2011 e 2018.

 

Com base nos dados do INE e do Observatório da Emigração, entre 2011 e 2018, emigraram 846.287 portugueses, 341.277 de forma permanente e 504.970 de forma temporária. Portanto, os 481 pedidos de regresso representam 0,057% dos que emigraram.

 

É natural que os regressos sejam reduzidos, uma vez que os portugueses que foram obrigados a emigrar, porque não tinham emprego ou porque conseguiram melhores condições no estrangeiro, depois de se adaptarem e estabilizarem, não vão regressar com eventuais ou reduzidos benefícios fiscais. Desengane-se quem pensa o contrário!

 

A seguir ao resgate do país, emigraram entre 120.000 e 130.000 pessoas por ano, mas entre 2016 e 2018, continuaram a emigrar bastantes portugueses, entre 81.000 e 97.000 pessoas anualmente. Portanto, os portugueses emigraram no período 2011-15, em especial nos anos piores da crise de 2011 a 2013, mas também no período 2016-18.

 

Uma boa parte dos portugueses que emigraram entre 2011 e 2018 tinha habilitações de ensino superior. Os pais destas pessoas (numa boa parte jovens) pagaram os seus estudos, o Estado investiu na sua educação e agora, as pessoas ao emigrarem vão pagar impostos sobre o rendimento e consumo noutros países.

 

Recentemente, um estudo realizado por investigadores universitários, concluiu que se o nível de governance da economia portuguesa fosse equiparado ao da Alemanha (por exemplo, o nível de corrupção), o PIB português poderia quase dobrar o crescimento anual previsto para 2020.

 

Se o PIB evoluísse de forma mais acelerada, a criação de emprego era maior e muito provavelmente, o fluxo de emigração anual seria menor.

 

Este é um aspeto interessante, porque não estamos a falar de mais investimento, de mais consumo das famílias e de mais dívida financeira para fazer crescer a economia; apenas maior controlo, fiscalização e penalização dos infratores em caso de corrupção e fraude. E esta, hein?!, como dizia o saudoso comunicador da RTP, Fernando Pessa. É só uma questão de vontade dos nossos responsáveis e temos o PIB a crescer mais!

 

Na Europa, devemos ter atualmente um contingente de emigrantes dos mais bem preparados em termos académicos e profissionais. É essencial retermos uma boa parte destas pessoas, que poderiam ocupar quadros intermédios e superiores de muitas empresas e de outras organizações no nosso país.

 

Outra questão importante que deriva da tipologia do fluxo de emigrantes é que, ao sair do país, estes portugueses vão constituir os seus agregados familiares lá fora, isto é, não contribuem para a tão desejada reversão do aumento do envelhecimento da população portuguesa. E quanto mais envelhecida estiver a população, maior pressão haverá no orçamento da Segurança Social e no Orçamento do Estado.

 

Economista

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