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Maxime Hozé 19 de Junho de 2020 às 19:14

2020 está a passar uma mensagem clara às empresas: investir em pessoas e tecnologia

Uma percentagem significativa de administradores apresenta-se relutante em introduzir o conceito de trabalho remoto por acreditar estar associado a uma menor produtividade dos seus colaboradores.

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A covid-19 tem testado, a nível mundial, a capacidade dos líderes empresariais em reagir rapidamente às alterações no ambiente de mercado. Embora nenhum setor tenha saído imune ao impacto desta crise, empresas com elevado investimento em ESG têm enfrentado a tempestade de forma mais pacífica, realçando a importância de uma liderança sólida em prol do bem-estar dos seus funcionários e focada no investimento de infraestruturas tecnológicas.

 

No centro desta crise sanitária sem precedentes, surge, a nível global, o medo da eminente crise financeira, independentemente de as bolsas de valores terem suprimido a maioria das perdas causadas pelas quebras dos mercados no período de fevereiro e março. Como consequência dos cerca de dois meses de confinamento obrigatório na maioria dos países ocidentais, as empresas encontram-se fragilizadas, os seus balanços sob averiguação e os atuais modelos económicos fragilizados. Tudo isto, tem alertado os líderes empresariais para a necessidade de reformular os modelos de negócio e desviar o foco dos lucros financeiros das empresas para uma tendência governativa ambiental e social. Esta aposta tem-se verificado inclusive em Fundos de Risco mais céticos, cujas estratégias estão a direcionar-se para o investimento em ESG, o que se deve ao facto de as empresas que se focam em maximizar o bem estar dos seus stakeholders, em vez de apenas se focarem no dos seus acionistas, apresentarem-se menos expostas tanto ao risco interno como externo estando, assim, a ter um melhor desempenho comparando com o dos seus concorrentes.

 

Deste modo, era previsível que empresas com um constante investimento em condições de trabalho, tenham tido maior capacidade de ação e sofrido menor impacto face ao decréscimo económico presente. Dar ênfase a questões sociais (o S de ESG), sendo pioneiras na tecnologia e foco no desenvolvimento de eximias condições laborais através do investimento em formação dos seus colaboradores, na diversidade e igualdade de direitos e apostas em locais de trabalho apelativas, contribui para os resultados positivos das empresas enquanto, as mesmas se demonstram melhor preparadas para lidar com a pandemia. De facto, igualdade de género assim como a diversidade têm gerado um grande dinamismo recentemente. Na liderança da aposta nestas vertentes, encontram-se os gigantes de Sillicon Valley, como a Google ou assim como o luxuoso conglomerado Kering, pioneiro na paridade de género entre os seus líderes e na igualdade de salários. Tais tópicos são alvo de grande controvérsia nas gerações mais jovens daí que estas corporações se apresentaram na lista de empregadores mais atrativos para os recém graduados. 

 

Uma das consequências diretas desta crise assenta na mudança para o trabalho remoto. O teletrabalho, forçado devido às medidas de prevenção sanitárias, não seria eficiente há vinte anos, devido à falta de tecnologia adequada e fraca qualidade de rede de Internet. Tem sido largamente adotado por grandes empresas e mesmo start-ups que se encontram nas principais áreas metropolitanas, o que permite uma maior flexibilidade para os seus colaboradores e uma tendência futura em suprimir certos espaços de escritório tradicionais.

 

Contudo, uma percentagem significativa de administradores apresenta-se relutante em introduzir o conceito de trabalho remoto por acreditar estar associado a uma menor produtividade dos seus colaboradores. Tudo se baseia numa questão de perspetiva: teletrabalho permite uma poupança significativa no tempo gasto em transportes e deslocação para os locais de trabalho, com consequente aumento do tempo de descanso para estar em casa e de ter uma maior possibilidade de cuidar de filhos pequenos. Ao aumentar a qualidade de tempo familiar, aumenta o bem-estar dos trabalhadores o que, em contrapartida, pode gerar um maior compromisso e dedicação no desempenho profissional.

 

No tempo em que a redução de custos apresenta-se como uma prioridade para tantas empresas, ter uma porção significativa de colaboradores a trabalhar remotamente irá diminuir a necessidade de certas áreas de escritórios, levando a uma diminuição do investimento no mercado imobiliário. A possível redução das rendas de escritórios, complementa a vantagem de produtividade referida anteriormente.

 

É tempo para os administradores aproveitarem a oportunidade de investir em tecnologia e na transformação cultural das empresas a fim de construir um crescimento resiliente.

 

Membro do Nova Investment Club

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