Animais de aprendizagem
O semanário The Economist dedicou recentemente toda uma monografia à chamada aprendizagem contínua, uma tradução pobre do termo inglês "lifelong learning".
O termo correcto em castelhano seria aprendizagem ao longo de toda a vida, que, embora seja muito longo, parece-me muito mais correcto e sugestivo. As organizações que sobrevivem no mundo actual são as que contam com uma base de trabalhadores dispostos a aprender durante toda a sua carreira profissional, independentemente dos anos de experiência ou do cargo que ocupam.
Diferentes estudos demonstram que, biologicamente, é possível exigir aos seres humanos níveis estáveis de aprendizagem apesar do passar dos anos; o cérebro é altamente plástico e dinâmico, cresce e aprende durante mais tempo do que tradicionalmente se pensa.
Pessoalmente, parece-me uma excelente notícia que se reconheça que a idade não é um impedimento para que possamos desenvolver a maior parte dos trabalhos actuais, baseados em conhecimento em vez de destrezas físicas, que resistem pior aos desafios do tempo. No entanto, a aprendizagem contínua é, em grande medida, mais uma questão de atitude do que de capacidade. Implica uma atenção constante, adoptar um papel de radar para identificar onde temos de colocar o esforço seguinte de aprendizagem.
As novas tendências em desenvolvimento descentralizam as decisões de formação para oferecer aos funcionários uma plataforma de conteúdos e canais de exploração, proporcionando orientações amplas baseadas nos possíveis itinerários de carreira na empresa. O profissional fica, em grande medida, com a responsabilidade de definir quando, como e em quê actualizar-se.
Para as novas gerações parece-me uma tarefa mais simples, dado que se desenvolvem de forma natural neste tipo de culturas. Permanece a dúvida de como reagirão os trabalhadores mais velhos, que não têm este hábito. Por outro lado, os empregados que têm vivido relações de emprego mais tradicionais têm a crença implícita de que, chegados a determinado momento, podem abandonar esta tensão permanente e viver da sua experiência durante os últimos anos da carreira.
E, como se não bastasse, esta formação ao longo da vida desenvolve-se através de plataformas de tecnologia e redes sociais, às quais muitos trabalhadores mais velhos não estão acostumados. Assim, é preciso um esforço adicional por parte destes grupos para que se tornem os "animais de aprendizagem" de que fala o The Economist. E as áreas de recursos humanos devem desenvolver sensibilidades geracionais diferentes se querem atingir a mudança, sobretudo tendo em conta que há muitos trabalhadores seniores que ocupam cargos de direcção com um grande impacto na empresa.
Professora, IE Business School
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