Simplesmente Maria
Chamava-se "Simplesmente Maria". E a simplicidade de Maria e dos seus dramas fizeram deste folhetim radiofónico que a Rádio Renascença passou entre 1973 e 1974 a fonte de lágrimas de muitos milhares de portugueses nessa altura.
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Era uma história de faca e alguidar, fácil e gratuita, de qualidade muito duvidosa. Mas emocionava. Inspirado nesta velha novela, o núcleo político do Governo decidiu criar uma versão envergonhada de "Simplesmente Maria". Evitando o picante de as reuniões do Conselho de Ministros serem um repositório elegante da Casa dos Segredos. A acreditar no que por aí se diz, Pedro Passos Coelho escondeu a Paulo Portas as alterações no OE sobre os impostos. Criou-se assim, para alegria da pátria, mais um romance de faca e alguidar. Em que, num desenlace amoroso inexplicável, o primeiro-ministro preferiu apaixonar-se pelo IRS do que pelo partido que com ele criou uma coligação. Evita-se assim, cuidadosamente, os problemas de fundo: não houve moderação fiscal, mas sim um novo aumento da carga de impostos.
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