Quando os números são a arma do medo
Tornámo-nos progressivamente indiferentes, proporcionalmente ao nosso sentimento de impotência.
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Volto à guerra, volto às guerras. E à constatação de que somos tão facilmente dessensibilizados à violência, provavelmente porque nos expomos continuamente às mesmas imagens: explosões e incêndios, prédios arrasados, onde vagueiam entre os escombros pessoas atordoadas, que parecem procurar a sua vida perdida ou a confirmação palpável de que é mesmo verdade, perderam tudo. E nós, no conforto do sofá, fazemos um “swipe”, porque o cérebro já não reage às sirenes, nem àquelas pernas, grandes, médias e pequenas, que correm para os abrigos subterrâneos — está tudo visto, nada de novo a assinalar. Na melhor das hipóteses, talvez ainda nos sobressaltem os olhos azuis, a pele clara, o cabelo descoberto de véus ou turbantes.
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