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Jorge Fonseca de Almeida 09 de Abril de 2019 às 18:53

A Líbia e uma nova vaga de refugiados

Trípoli alberga mais de 1 milhão de pessoas que com o intensificar dos confrontos podem optar, muito compreensivelmente, por se refugiar na Europa, reabrindo dramaticamente o debate sobre este tema sensível num período de eleições para o Parlamento Europeu.

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A guerra civil Líbia reacendeu-se e chegou já a Trípoli com o ataque das forças comandadas pelo general Khalifa Haftar ao reduto do governo reconhecido pelas nações unidas e chefiado por Fayez al-Sarraj. Este último, um rico comerciante e terratenente, está no poder, na capital, desde 2015 mas tem pouco ou nenhum controlo sobre o resto do país.

 

Os dois lados são apoiados por países europeus diferentes, o que está a criar tensões intraeuropeias. Assim Khalifa Haftar é apoiado pela França e por um conjunto de países árabes como a Arábia Saudita, o Egito e os Emiratos Árabes Unidos enquanto Fayez al-Sarraj é apoiado pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos. O Reino Unido condenou já publicamente pela voz do seu ministro dos negócios estrangeiros, Jeremy Hunt, as forças de Khalifa Haftar e está a pressionar a França, aparentemente sem sucesso, para se demarcar deste.

 

Assim a guerra civil parece ser uma luta entre potências ocidentais pelo controlo do petróleo líbio, hoje nas mãos das forças de Khalifa Haftar depois do ataque bem-sucedido aos campos petrolíferos no início deste ano. A guerra civil põe em perigo a comercialização do petróleo e do gás líbios pressionando os preços destas matérias-primas nos mercados internacionais e tornando mais difícil o abastecimento de vários países europeus.

 

Os Estados Unidos já retiraram parcialmente as suas forças de ocupação da Líbia face aos avanços das tropas de Khalifa Haftar mas prometem manter-se envolvidos no conflito.

 

Mas acima de tudo a guerra está a lançar a cidade no caos e a fazer milhares de deslocados. Recorde-se que Trípoli alberga mais de 1 milhão de pessoas que com o intensificar dos confrontos podem optar, muito compreensivelmente, por se refugiar na Europa, reabrindo dramaticamente o debate sobre este tema sensível num período de eleições para o Parlamento Europeu.

 

Um grande fluxo de refugiados este ano pode vir a significar grandes avanços da extrema-direita xenófoba em vários países europeus. Eis o resultado de intervenções externas das potencias ocidentais em países africanos do outro lado do Mediterrâneo, criando a morte, a destruição e o caos junto da fronteira sul da Europa.

 

Era importante que a União Europeia e os seus membros se abstivessem de intervir na Líbia e que pressionassem os seus aliados árabes e americanos para também o não fazerem. A continuação da guerra pode revelar-se desastrosa em várias frentes, nomeadamente económica e política.

 

O general Khalifa Haftar que comandou as tropas líbias durante a guerra israelo-árabe de 1973 veio mais tarde a tornar-se um opositor a Khadafi tendo-se exilado nos Estados Unidos onde viveu mais de 20 anos. Regressou ao país para comandar uma das fações em guerra. 

 

Economista

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