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Jorge Marrão - Gestor 16 de Junho de 2021 às 19:08

Mega-PPP e os 50 anos de democracia

Os media capturados pelas forças instaladas do que resta da mega-PPP excitam-se com os debates sobre Estado Novo, período da troika, corrupção, e vícios do investimento público vs. privado. Recusam debater a complexidade, vícios e desaires da democracia.

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A FRASE...

 

"A direita tem de sair muito rapidamente do divã e começar a discutir o país."

Cecília Meireles, Novo Semanário, 25 de maio de 2021

 

A ANÁLISE...

 

As alternativas ao poder instalado do PS e seus companheiros radicais estão no divã, a dormir, a sonhar ou a pensar? E porque não acordam o país, mas dedicam-se à recriminação recíproca? A atual configuração política alimentada pelo PS, este quebrando os valores que professou em parte da sua história, precisa do debate das memórias do Estado Novo para a sua frágil união, e agarra-se "a culpa é do Passos Coelho" para esconderem que o regime democrático distributivo tem os dias contados. Este poder, todavia, serviu e é usado para ocultar que o período de Sócrates foi a criação de uma sociedade paralela corrupta que permitiu criar na esfera privada uma classe de empresários favorecidos, e protegeu uma classe política que misturava os interesses pessoais com os públicos.

 

O PS de Sócrates criou uma megaparceria público-privada do regime que destruiu a confiança dos cidadãos nos setores público e no privado. Naturalmente os detratores e desconfiados da economia privada serviram-se dos comportamentos dos "empresários do regime" para manter a aversão atávica ao capital e empresários; e os insatisfeitos com os resultados desta política democrática desastrosa vangloriam-se a meter todos os políticos no grande saco da corrupção e incompetência. Os media capturados pelas forças instaladas do que resta da mega-PPP excitam-se com os debates sobre Estado Novo, período da troika, corrupção, e vícios do investimento público vs. privado. Recusam debater a complexidade, vícios e desaires da democracia.

 

As alternativas a este poder, uma saudosista de Pedro Passos Coelho, e uma outra muito minoritária nostálgica da ordem salazarista, mas ampliada por esta comunicação social, ao não permitir que os partidos reformistas (PSD e CDS) consolidem as suas lideranças e ideias, contribuem para que se esteja no divã, diminuindo a capacidade do PR para oferecer ao país a alternativa ao atual poder situacionista. O regime quis comparar com as comemorações de Abril os 50 anos de Estado Novo com os 50 anos do Novo Estado democrático, mas esqueceu-se de Novembro, já que não interessa aos radicais de Abril. Deviam lembrar-se de que aquele período do Estado Novo originou uma revolução militar. E o país espera, no sofá ou não, que não haja nada de novo passados os 50 anos de democracia? A história pode ser diferente em 2024, como foi em 1974.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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