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Jorge Marrão 12 de Novembro de 2018 às 20:20

O medo que divide

Este é um resultado da geringonça. Cumpre o Tratado Orçamental, mas está contra a sua formulação. Vivemos numa sociedade em que se está contra, mas por oportunismo vota-se a favor.

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A FRASE...

 

"Não é nem nunca foi 'Manel (Alegre) vai com as outras', nem se sujeitou à ditadura do politicamente correto."

 

Mário Ramires, Sol, 10 de Novembro de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Os conflitos de interesses dominam o curto prazo, os de visão dominam a história do Homem, segundo Thomas Sowell, que aprofundou as origens ideológicas do combate político. O eixo franco-alemão de Macron e de Merkel e a Europa a 28 não têm uma ideia para a sua Europa, nem para o seu papel nesta fase da globalização. Nas comemorações do armistício, admiram-se da América dividida, mas mais nacionalista. Não atribuem relevância à China, com o seu capitalismo e capitalistas de Estado, e fingem que a Rússia subversiva tecnologicamente, não podem condenar os sistemas democráticos.

 

Os democratas responsáveis lutam contra o eleitorado dos interesses imediatos - direitos adquiridos -, mas abrem a porta aos extremistas de esquerda e de direita. Perder as pensões, o emprego, a vida, o património, o salário, o acesso falsamente barato à saúde, as convicções culturais, a liberdade de ter religião e viver à sua maneira amedronta os eleitores ricos, remediados ou pobres. Quem apelar a estes medos de forma inteligente, ainda que contraditoriamente à sua visão original, tem o campo de vitória aberto.

 

No burgo nacional, os reflexos da confusão civilizacional europeia, foi a criação de um PS que, para estar no poder, se contorceu de modo que o politicamente correto do "camarada e camarado do BE" possa ser muleta para este aspirar a um governo. O PS moderniza-se com os temas identitários e da contracultura, ainda que não permita o casamento e fazer família. Não é um acaso termos uma ministra da Cultura que quer impor a sua cultura antitaurina. Nunca se pensou que os intelectuais do Bairro Alto chegariam ao poder, e que os comunistas se tornariam institucionalistas e conservadores. Este é um resultado da geringonça. Cumpre o Tratado Orçamental, mas está contra a sua formulação. Vivemos numa sociedade em que se está contra, mas por oportunismo vota-se a favor. O confronto é inevitável.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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