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Jorge Marrão - Gestor 04 de Janeiro de 2021 às 19:02

TINA presidencial

Se tínhamos dúvidas em quem votar, provavelmente não se dissiparão, por responsabilidade dos moderadores e candidatos. Vivamos com o que temos. É realmente poucochinho.

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A FRASE...

 

"A primeira ronda foi má demais."

Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 4 de Janeiro de 2021 

 

A ANÁLISE...

 

PR está refém em Belém? Não sabe do país ou não quer saber ou dá-lhe jeito? Os debates entre os candidatos a Presidente da República estão a ocultar a dimensão da crise de Portugal, a ausência de projeto de futuro, a falência do papel deste Estado monopolizante das vontades das pessoas e das instituições e a enfraquecida e temerosa iniciativa privada com os poderes estatais. O regular funcionamento das instituições não se traduz no regular funcionamento do país. O país económico está devastado, endividado e descrente. O que seriam casos políticos na saúde, justiça e administração interna são transformados em casos administrativos. A interpretação constitucional é formal e não substancial.

 

Paralelamente perpassa, pela forma enviesada como são conduzidas as entrevistas, a ideia de que não há alternativas ao desenvolvimento de Portugal, nem aos resultados das sondagens, a não ser a que nos é proporcionada pela gestão de charneira do PS. O PS social-democrata desapareceu e desistiu de combater pela melhoria do país? Resta-nos o PS dos interesses de manter o poder pelo poder, com o colaboracionismo hipócrita da extrema-esquerda e o instinto de sobrevivência comunista. Parece que os candidatos não são uma alternativa ao atual, nem o atual a si mesmo, este com base nos erros e omissões que, nalguns casos, humildemente reconheceu. As televisões cumprem o seu calendário, mas não obrigam os candidatos a revelarem-se em si mesmos, pois apenas repisam a argumentação comparativa que já foi criada nos media. Nem criatividade, nem crítica arguta que os incomode a todos. 

 

Se tínhamos dúvidas em quem votar, provavelmente não se dissiparão, por responsabilidade dos moderadores e candidatos. Vivamos com o que temos. É realmente poucochinho. O papel presidencial, assim, só pode ser "vendido" como o garante da estabilidade de hoje, para que se omita a instabilidade do futuro, resultante da crise pandémica, mundial e interna a que não poderemos escapar. Entende-se assim que a um PR não cabe antecipar os problemas, nem promover soluções, mas sim pronunciar-se, vetar ou não, na estrita formalidade, para que se esconda o icebergue dos problemas e se mantenha uma paz podre. Se assim é, então para que serve um Presidente? 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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