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Manuel Falcão - Jornalista 01 de Fevereiro de 2019 às 11:21

Mascarada

Este ano temos três eleições: as eleições para o Parlamento Europeu, as regionais dos Açores e Madeira e, depois, as legislativas nacionais. Para falar claro, isto vai andar num virote.

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Começar é a parte mais importante de qualquer trabalho.
Platão

Mascarada
Este ano temos três eleições: as eleições para o Parlamento Europeu, as regionais dos Açores e Madeira e, depois, as legislativas nacionais. Para falar claro, isto vai andar num virote. Além das actividades eleitorais clássicas, este ano vamos assistir a uma nova forma de campanha: a proliferação de greves, que pretende moldar a forma como evoluirá o Governo e que é a forma de pré--campanha do PCP. Os sindicatos - já ouvi várias pessoas actualmente envolvidas em negociações laborais dizerem - têm instruções para fazerem greve e para multiplicaram e visibilidade das suas formas de luta. O PCP quer mostrar o peso que tem e não vai perder a oportunidade para fazer valer as suas tropas, procurando afirmar o contraste com o Bloco na contagem de espingardas da coligação. Neste conjunto de eleições, há muitas coisas em jogo: a medição da sensibilidade e participação dos eleitores face a uma Europa cada vez mais polémica e afastada dos cidadãos; a manutenção dos equilíbrios políticos nos Açores e Madeira; e, mais do que tudo o resto, a evolução do PSD, a capacidade de resiliência eleitoral do PCP, as potencialidades dos novos partidos, nomeadamente da Aliança e da Iniciativa Liberal - os "outdoors" desta última são dos melhores que têm aparecido na propaganda política portuguesa. Vamos ver como isto corre num país onde todas as semanas há novos escândalos que envolvem políticos. Serão as eleições capazes de dar uma varridela no sistema? Ou o sistema vai continuar a viver de um jogo de máscaras?

Arco da velha
O Tribunal de Arouca estava com o alarme avariado há um ano e foi assaltado, tendo os ladrões levado o dinheiro que estava num cofre.

Semanada
Em Portugal, morreram 19 pessoas nos últimos três meses a tentar aquecer a casa os "entertainers" da "Quadratura do Círculo" mudaram-se da SIC Notícias para a TVI24, o programa vai passar a chamar-se "A Circulatura do Quadrado" e Marcelo Rebelo de Sousa será o primeiro convidado Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que irá recandidatar-se Portugal é o segundo país da Europa onde o trabalho precário mais subiu as detenções por violência no desporto dispararam 34% nas duas últimas temporadas 13 ex-governantes foram gestores da Caixa Geral de Depósitos entre 2000 e 2015, com Santos Ferreira e Faria de Oliveira a terem liderado o banco no período mais crítico, entre 2007 e 2012 Armando Vara recebeu um bónus de 167 mil euros referente ao período em que foram concedidos parte dos créditos de risco que levaram a perdas da Caixa entre 2008 e 2017, o Estado gastou 16,7 mil milhões de euros com ajudas à banca e há mais 5,5 mil milhões em risco que podem levar o total para 23,3 mil milhões a comissão parlamentar para a Transparência está a trabalhar há três anos sem ter ainda divulgado conclusões; Portugal caiu um lugar no índice da percepção da corrupção 60% dos pagamentos realizados em Portugal são feitos em dinheiro os portugueses consomem por ano 12,3 litros de álcool "per capita" Portugal vai exportar carne de cerca de dez mil porcos por semana para a China, com um volume estimado de 100 milhões de euros por ano o número de efectivos das Forças Armadas caiu 28% na última década e meia, e mais de metade dos soldados deixam a tropa antes do fim do tempo previsto.

Politiquices
A falta de honradez política, a corrupção, o compadrio - tudo coisas que abundam neste cantinho - são geralmente boa matéria para falar da verdade sob o manto diáfano da ficção. Até a RTP1 se lançou nesta senda com uma série estreada há dias - "Teorias da Conspiração". Se se conseguisse perceber o que os actores dizem, a coisa podia ser simpática, mas assim só posso apreciar a beleza plástica da fotografia. A série - vamos ver como corre - estreou no momento em que a Operação Marquês entra em nova fase e em que os indícios de que algo não está bem por aquelas bandas se avolumam. Ao mesmo tempo, a editora Guerra & Paz lançou um muito educativo "A deslumbrada vida de João Novilho", um romance passado no imaginário município de Rio Novo de Mil Nomes, onde o autarca João Novilho é um catálogo de muito a que temos assistido em matéria de pouca-vergonhice na actividade partidária e dos múltiplos expedientes que se utilizam com o objectivo único de assumir e abusar do poder, nem que seja transitoriamente. Cito aqui um excerto do livro, numa exemplar fala de Novilho: "Eu sou da ética, sim senhor. E sabes porquê? Porque sou capaz de defender com fundamentação um ponto de vista e o seu contrário. E ética é isso mesmo: uma retórica, a criação de uma sensação que está bem seja lá o que for." Onde é que eu já vi isto?

Agenda plástica
A partir deste sábado, na Galeria 111 (Campo Grande 133), pode ver uma exposição colectiva que assinala mais um aniversário daquele espaço, que já ultrapassou o meio século de existência. Nesta colectiva, estão obras de artistas como Costa Martins, João Vieira, Paula Rego, Vieira da Silva, Júlio Pomar, António Palolo, Ana Vidigal, Lourdes Castro, Manuel Batista, Miguel Teles da Gama ou Menez, entre muitos outros. Na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção 80) vale a pena ir ver "Sexo, Escondidas e uma Parede", de Rodrigo Oliveira (na imagem uma aguarela que faz parte da instalação). Na Módulo (Calçada dos Mestres 34) ainda pode ver, até sábado, a exposição de novos trabalhos de Marco Moreira. No Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva (Praça das Amoreiras 16) está, até 17 de março, "Da História das Imagens", de Manuel Casimiro. Com curadoria de Isabel Lopes Gomes, a exposição reúne cerca de 100 obras em torno da imagem fotográfica, que o artista tem vindo a desenvolver desde os anos 1970.

Dixit
"É indelével a sensação de que algo na Justiça não está a correr bem e de que se preparam grandes acções. Ou reviravoltas. Não se esconde a ideia de que a Justiça pode ser fonte de surpresas a breve prazo. É uma questão inescapável: estará em curso um movimento de revisão dos grandes processos pendentes?"
António Barreto

Ouvir
Há dias, encontrei um dos autores do saudoso programa radiofónico "Praça de Espanha", Carlos Oliveira Santos, a passear entre robôs numa exposição no MAAT. Palavra puxa palavra e falámos de Rosalía - exactamente porque a conversa caiu logo na música espanhola. Rosalía, meus amigos, é um caso sério. Muito sério mesmo. Rosalía Vila Tobella , assim se chama a voz, tem 25 anos, nasceu na Catalunha e tem por missão explicar ao mundo os encantos do flamenco numa visão contemporânea. Aqui há uns tempos, li uma teoria que explicava que no início deste século uma série de novos produtores de música pegaram nas tradições folk de vários países, aplicaram as novas técnicas de produção e mistura e criaram um género baseado no tradicional, mas com sonoridades que evocam pontualmente as pistas de dança, com um acentuar do baixo e percussões eléctricas. Rosalía pode incluir-se nesta área, doseando com cuidado a acústica do flamenco com a electrónica. "El Mal Querer", o seu segundo disco, é exemplo disso mesmo - combina o flamenco com sonoridades dos rhythm and blues, tudo sobre narrativas contemporâneas - onze canções sobre o amor e os desamores, cada uma escrita como se fosse um capítulo diferente do romance, com títulos como "Malamente", "De Aquí No Sales", "Reniego", "Maldicion" e, a finalizar, um poderoso "A Ningún Hombre". Não por acaso certamente Rosalía é uma das vozes convidadas por James Blake no seu novo álbum. "El Mal Querer" está disponível no Spotify.

Provar
Durante bastante tempo, ouvir falar em brócolos provocava-me arrepios. Nem sei mesmo se alguma vez cheguei a prová-los ou se me limitava a dizer que não queria, como os meninos pequenos. Seja como for, aqui há uns anos, sem eu perceber bem como, os brócolos entraram na lista de ingredientes vulgares na minha vida. Fui fazendo testes e não precisei de testar muito para perceber que brócolos frescos do mercado são melhores que brócolos insonsos do supermercado. Depois percebi que a flor dos brócolos é delicada e não deve ser cozida demais, sob pena de perder toda a graça. Aprendi a preferi-los "al dente", para manterem sabor e consistência. Uns tempos depois, passei a usar só a parte florida, tirando os caules - e aí descobri um mundo novo -, cozer levemente a parte da cabeça do brócolo, separar as suas flores e misturar com arroz carolino ou, o melhor de tudo, com uma boa massa. A descoberta deste "cocktail" nasceu quando provei um dos petiscos do Chef Marcello Di Salvatore, do Bella Ciao (Rua de S. Julião 74). Trata-se de um prato de "orecchiette" com as flores de brócolos bem separadas, envolvidas num molho de anchovas e queijo "grana padrano". Se os brócolos já se tinham tornado comestíveis, nesse dia tornaram-se apetecíveis. E, assim, passei a gostar de brócolos.

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