Joaquim Aguiar 12 de Maio de 2016 às 00:01

Corpos e sombras

Descobrir o lado oculto da política e estabelecer o que é a sua lógica instrumental implica reconhecer que, na política portuguesa, há corpos que não têm sombras e que há sombras a que faltam os corpos.

A FRASE...

 

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"A investigação jornalística paralela ao 'saco azul' do GES mostra que ele era parte do regime, com suspeitas de pagamentos numa rede que, se pública (e muitos jornalistas estão a trabalhar nisso), provocará a náusea colectiva."

 

Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 7 de Maio de 2016

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A ANÁLISE...

 

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Já falta pouco tempo para se encontrar a resposta para um enigma persistente na política portuguesa, que se mantém sem solução há duas décadas e meia. Como explicar que os modelos de análise baseados nas escolhas racionais, nas decisões de agentes orientadas pela racionalidade intertemporal e pela defesa dos equilíbrios fundamentais, não tenham aplicação no caso português?

 

Há um lado oculto da política que é mais relevante do que o lado visível. É nesse lado oculto que estão os atractores que configuram os sistemas e que impõem as decisões. Estas redes de influência e de protecção - que influenciam a decisão política e protegem os agentes políticos quando estes fracassam - só aparecem nos resultados, nunca são reconhecidas e expostas como os autores efectivos dos programas políticos e das decisões. Não pode haver decisões racionais com base no que é escondido ou mistificado. Os que decidem querem o que não dizem e o que dizem é apenas para esconder o que querem. Descobrir o lado oculto da política e estabelecer o que é a sua lógica instrumental implica reconhecer que, na política portuguesa, há corpos que não têm sombras e que há sombras a que faltam os corpos. Em Portugal, a política não é o que parece, e só pela força dos factos se encontra o real que está encoberto pelas mistificações. 

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Quando se souber quem recebeu o que foi financiado com o dinheiro dos outros e com a dívida de todos que todos terão de pagar, poderá reconstituir-se o que aconteceu. Então se perceberá o que querem agora os que pretendem reconfigurar um sistema partidário pluralista de cinco partidos para o apresentar como um sistema de dois partidos, a direita e a esquerda - um sistema partidário que não teria consistência nem coerência, não teria crescimento na economia nem modernização na sociedade.

  

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Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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