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Paulo Carmona 26 de Novembro de 2020 às 09:40

O Cabo do Medo

A sociedade ocidental hoje é colecionadora de medos. Onde deveria ter cautela e receio, não faz por menos, tem medo. Medo das alterações climáticas, medo do Chega, medo dos comunistas, medo da covid, medo dos chineses, dos muçulmanos, medo, medo, medo.

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A FRASE...

 

"O consumo de antidepressivos aumentou substancialmente nos primeiros oito meses de 2020, altura em que se venderam mais de 13 milhões de embalagens deste tipo de medicamentos, segundo dados disponibilizados pelo Infarmed." 

 

Correio da Manhã, 25 de novembro de 2020

 

A ANÁLISE...

 

Não é fácil ser governo em tempos de pandemia. Primeiro porque se sabe pouco e as informações são contraditórias. Há países que confinam e corre bem, outros nem por isso. E há os que não confinam e têm mortes abaixo da média dos últimos anos, e o seu contrário também. Como bem disse o Presidente da República, na apresentação do estado de emergência, não há um padrão que nos diversos países se tenha confirmado. Dá para tudo. E o que faz o Governo, com base em manchetes de jornais, exemplos internacionais inconclusivos e, sobretudo, médicos alarmados e alarmistas? Confina onde pode e como pode, por concelhos em vez de grupos de risco, aqui e ali em contradição, deixando transparecer uma certa desorientação e falta de planeamento atempado, nas camas, lares e profissionais de saúde. Ou seja, para não correr riscos, e de ser responsabilizado por um agravar da pandemia por sua inação, age com força, como outros governos, vincando a sua preocupação e boas intenções. Ou em português, mais vale prevenir do que remediar…

 

O tema é que esse remédio de confinar e restringir movimentos e ajuntamentos tem o efeito secundário das questões mentais, das liberdades e de arrefecer ou destruir grandes partes da economia, por inibição de consumo, de difícil recuperação. O teletrabalho e sobretudo o medo fizeram o resto. E se temos medo?! Muito medo…

 

A sociedade ocidental hoje é colecionadora de medos. Onde deveria ter cautela e receio, não faz por menos, tem medo. Medo das alterações climáticas, medo do Chega, medo dos comunistas, medo da covid, medo dos chineses, dos muçulmanos, medo, medo, medo. O medo vende jornais e dá audiências, sempre deu. E numa sociedade de fast-opinião take-away, onde não se aprofundam nem se cozinham opiniões próprias, cada vez mais a opinião dominante nos media e nos tudólogos passa facilmente a dogmas de pensamento único, sem o contraditório "antipatriótico", com métodos próximos da Inquisição.

 

Sabemos como o medo é o grande manipulador, como permitiu e causou guerras e tragédias. Dos medos irracionais dos judeus, da peste, do estrangeiro, do Demo.

 

Cautelas e receios, sim. Verdades absolutas e indiscutíveis, não. Pela História já sofremos o que chegasse.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com
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