Paulo Carmona
Paulo Carmona 27 de janeiro de 2020 às 20:08

A acumulação é revolucionária!

Por cá, custa ter uma extrema-esquerda a defender regimes iliberais, apresentados como modelos para Portugal, em que a dita revolução socialista apenas tem servido para instalar cleptocracias.

A FRASE...

"E um exemplo especialmente irónico desta hipocrisia foi a forma como a elite, a partir de certa altura, recorreu a uma categoria de análise marxista - a acumulação primitiva - para justificar o seu próprio enriquecimento a partir do controlo do Estado." 

 

Alexandre Abreu, Expresso, 23 de janeiro de 2020

 

A ANÁLISE...

 

Conta a história que Isabel dos Santos começou por vender ovos, adquiriu um bar e passados alguns anos era multimilionária, a mulher mais rica de África. Mais ou menos por essa altura, Fábio Luís Lula da Silva cresceu, de biólogo no Jardim Zoológico de São Paulo, para se tornar numa das 10 maiores fortunas do Brasil, através da Gamecorp, fundada um ano depois de o seu pai ser empossado como Presidente do Brasil.  Maria Gabriela Chavez, filha do ex-presidente venezuelano, bastante mais discreta com o seu cargo de diplomata, também conseguiu uma fortuna simpática, calculada em 4 mil milhões de dólares. Quem também se está a iniciar numa vida de glamour e empresarial é o filho do novo primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero Medina. Não será difícil encontrar aqui um padrão. Jovens que nasceram e cresceram em berços marxistas, filhos de líderes no combate revolucionário à pobreza, à exclusão social e à opressão, conseguem imenso sucesso capitalista, tornando-se milionários, certamente para irritar os pais. Estes não conseguiram erradicar a pobreza, apenas os ricos, e alguns como Chavez e Dos Santos até a agravaram, mas os filhos enriqueceram, contribuindo para aumentar a desigualdade bastante visível nesses países.

 

Ironias à parte, infelizmente não se conhece nenhum líder revolucionário dito socialista que não tenha iniciado o combate à pobreza na sua família ou nos seus camaradas, para que nada lhes falte, e consigam prosperar enquanto o povo tomba na miséria, por via de políticas marxistas que apenas trazem empobrecimento. Mugabe, Chavez, Maduro, Santos, Lula, Castro, Kim-Il-Sung são alguns dos inúmeros exemplos.

 

Por cá, custa ter uma extrema-esquerda a defender regimes iliberais, apresentados como modelos para Portugal, em que a dita revolução socialista apenas tem servido para instalar cleptocracias. E se o povo continua na miséria há sempre uma desculpa, e desta vez é que vai ser. Tem sido assim desde 1917. E nenhum prosperou…

 

Mesmo assim conseguem quase 20% dos votos em Portugal. Maior cego é o que não quer ver.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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