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Paulo Carmona 16 de Setembro de 2020 às 20:30

"Back in the URSS"

O ministro tem razão num aspeto, onde a TAP pratica os preços exagerados que quer, privada ou pública, é nos mercados nos quais não tem concorrência, PALOP, Brasil e em parte EUA.

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A FRASE...

 

"O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, disse que se a TAP fosse totalmente privada tal como ‘o PSD queria’, os deputados sociais-democratas ‘levavam com os preços’ que a empresa quisesse."

  

Diário de Notícias, 13 de janeiro de 2020

 

A ANÁLISE...

 

É confrangedor a falta de senso económico de alguns governantes, cegos por uma ideologia retrógrada que nunca desenvolveu socialmente nenhum país. Não se entende muito bem a presença de ministros lúcidos, como Pedro Siza Vieira, num Governo que não entende e desconfia do mercado livre. Portugal está integrado num espaço europeu de economia social de mercado, em que a concorrência é alimentada e defendida duma forma agressiva pela comissária Margrethe Vestager. Na UE, os Estados existem como reguladores, fiscalizadores e corretores de falhas de mercado, mas é o mercado que manda.

A afirmação do ministro, totalmente desprovida de realismo como se tem visto, poderia ter saído da boca de um ministro cubano ou de António Salazar, no seu desprezo pelo mercado e suas leis. O comunismo e o corporativismo, com o seu condicionamento industrial, são primos ideológicos de Pedro Nuno Santos.

Pela lei dos mercados, a TAP ser pública ou privada é indiferente, em concorrência ou baixa os preços ou vai vazia. Veja-se a quota de mercado crescente das low-cost que, ao trazerem mais turistas para Portugal que a TAP e permitirem que muitos portugueses consigam viajar de avião, são hoje merecedoras de muito mais apoio social e louvor.

O ministro tem razão num aspeto, onde a TAP pratica os preços exagerados que quer, privada ou pública, é nos mercados nos quais não tem concorrência, PALOP, Brasil e em parte EUA. Uma TAP pública, dado que António Costa reverteu a privatização em 2016, tem praticado os preços mais altos que consegue, como qualquer empresa privada. Não se vê diferença… A não ser nos 1,2 mil milhões de euros dos contribuintes, em benefício do aeroporto de Lisboa e dos lisboetas.

Em 2020, quando uma companhia aérea seria muito necessária para repatriar ou trazer os poucos turistas possíveis para Portugal, a TAP desapareceu. Não se deu pela falta… são para isto os 1,2 mil milhões? Infelizmente o ministro não está sozinho. Também Costa Silva, quer investir fortemente nas infraestruturas, abandonadas pelas políticas ultraliberais de Centeno, Sócrates e Guterres, sendo que o Estado e António Costa serão a salvação do país. Sim, e a URSS é hoje uma economia pujante…

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

 

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