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Luís Marques Mendes 26 de Dezembro de 2021 às 21:08

Marques Mendes: Se houver um pico pandémico em meados ou fim de janeiro, o PS pode ser penalizado nas eleições

No seu espaço de opinião habitual na SIC, o comentador Marques Mendes fala sobre as medidas sobre a pandemia e o plano para a TAP, entre outros temas.

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MEDIDAS SOBRE A PANDEMIA

 

  1. Há quem diga que o Governo tomou as medidas que tomou porque está muito preocupado com a Ómicron. Outros dizem que o Governo está é preocupado com as eleições. Eu acho que são as duas coisas ao mesmo tempo:
  • Primeiro: o Governo está preocupado com o Ómicron. E tem razão. Este tsunami de novos casos assusta qualquer governo. E nunca se sabe o efeito que terá dentro dos hospitais. É melhor prevenir que remediar.
  • Segundo: o Governo está preocupado com as eleições. Se houver um pico pandémico em meados ou fim de Janeiro, o PS pode ser penalizado nas eleições. Por isso, está assustado e a tentar fazer tudo para evitar um desastre eleitoral. É normal. Qualquer outro Governo faria o mesmo. Sobretudo depois do que sucedeu no Natal do ano passado.

 

  1. Posto isto, há que dizer duas coisas:
  • As medidas anunciadas são bastante equilibradas. E, se as compararmos com o que se passa pela Europa fora, então são mesmo muito equilibradas. São o mínimo dos mínimos.
  • Depois, é preciso garantir que os apoios cheguem a tempo e horas às pessoas e sectores afectados. O que normalmente não acontece. Ou chegam fora de horas ou não chegam mesmo. Os "suspeitos" do costume já estão fartos de tanta penalização – a cultura, os bares, as discotecas e as famílias com crianças que não têm nem escola nem ATL.

 

VACINAÇÃO – UM ANO DEPOIS

 

  1. Faz amanhã um ano que se iniciou o processo de vacinação. A vacinação fez "milagres". Os dados mais surpreendentes são aqueles de que menos se fala – a relação entre vacinados e não vacinados nos internamentos e nos óbitos. Vejamos a diferença, a partir de dados oficiais (DGS e INSA):
  2. Internamentos de pessoas com 80 ou mais anos: em Outubro ( últimos dados disponíveis), 65% dos internados nesta idade não estavam vacinados. Só 35% tinham a vacinação completa. Ou seja: em cada 6 pessoas internadas, apenas 2 estavam vacinadas. Uma relação de 2/3 para 1/3.
  3. Internamentos de pessoas entre os 50 e os 59 anos: em Outubro, 86% dos internados nesta idade não estavam vacinados. Só 14% tinham a vacinação completa. Ou seja: em cada 6 pessoas internadas, só 1 estava vacinada.
  4. Óbitos de pessoas com 80 anos ou mais: das pessoas que morreram de Covid no mês de Novembro (últimos dados disponíveis), só 33% estavam vacinadas. Cerca de 67% não estavam vacinadas. Ou seja: em cada 10 óbitos, só 3 pessoas estavam vacinadas.
  5. Óbitos de pessoas na faixa entre os 50 e os 59 anos: das pessoas que morreram de Covid no mês de Novembro, só 11% estavam vacinadas. Cerca de 89% não estavam vacinadas. Ou seja: em cada 10 óbitos, só uma pessoa estava vacinada.
  • O que estes dados provam é que a vacinação conta. Quem estiver vacinado está muito mais protegido. Quem não tiver vacinação completa corre mais o risco de ir parar aos hospitais ou até morrer.

 

  1. Finalmente, falamos muito de infetados. E cria-se um ambiente alarmista. Mas depois da vacinação, o que se devia falar era, sobretudo, de internamentos e óbitos. É o que conta para ver se temos ou não a situação controlada. Vejamos:
  • Temos hoje mais do dobro de infetados de há um ano. Mas o que conta é que temos 3 vezes menos internados do que há um ano; e temos 6 vezes menos mortes do que há um ano.

 

O PLANO PARA A TAP

 

  1. A aprovação do plano de reestruturação da TAP é, no curto prazo, uma vitória do Governo e, em especial, do Ministro Pedro Nuno Santos:
  2. Vitória do Governo (estiveram envolvidos neste processo, pelo menos, o Ministro das Infraestruturas e o Secretário de Estado do Tesouro). Porquê?
  • Primeiro, porque o Plano de reestruturação foi aprovado. Se tivesse sido recusado, seria uma derrota colossal do Governo.
  • Segundo, porque o plano foi aprovado como o Governo queria. As concessões são reduzidas e a TAP não passa a TAPzinha;
  • Terceiro, porque o plano foi aprovado antes das eleições. Se até 30 de Janeiro não houvesse plano aprovado, seria um pesadelo para o Governo. Assim, é um alívio.
  1. Vitória de Pedro Nuno Santos: esta decisão dá credibilidade e estatuto ao Ministro. É o Ministro que enfrenta situações difíceis; que tem coragem; que dá a cara; que resolve problemas. Para quem quer suceder a António Costa, esta decisão é um certificado de credibilidade.

 

  1. Quanto ao futuro, veremos: temos, já no início de 2022, a contratação de um empréstimo de 360 milhões de Euros. Diz-se que será um empréstimo obrigacionista. Ou contratado na banca internacional. Nem uma coisa nem outra. Será um empréstimo contratado com um Sindicato Bancário Nacional.

 

  1. Quanto ao médio prazo, é prudente esperar para ver. Bons planos no papel é o que mais temos. O problema está na execução. Por isso, uma sugestão: o Governo faria bem se nomeasse desde já uma comissão independente encarregue do acompanhamento da execução deste plano de reestruturação. É preciso escrutinar para não falhar.

 

GOUVEIA E MELO NA ARMADA

 

  1. Toma posse amanhã como novo CEMA o Almirante Gouveia e Melo. Quanto à escolha nada a opor. Só merece saudação e elogio. O Almirante Gouveia e Melo é um oficial competente, prestigiado e credível. Várias vezes o elogiei.

 

  1. Posto isto, acho que a decisão do Governo é altamente censurável:
  2. Primeiro, quanto ao processo. Para nomear Gouveia e Melo, o Governo destratou o actual CEMA, o Almirante Mendes Calado. Demitiu-o sem uma explicação pública minimamente convincente. Depois de o próprio se ter disponibilizado para sair pelo seu pé daqui a uns meses. Isto não se faz. É arrogância e prepotência.
  3. Segundo, o momento da decisão. O Governo tem legitimidade jurídica para tomar esta decisão. Mas, politicamente, não a devia tomar. Um Governo que está a um mês de terminar o seu mandato devia deixar uma decisão de fundo como esta para o próximo governo. É uma questão de seriedade.
  4. Terceiro, a pressa. Qual era a pressa de decidir agora? Nenhuma. O lugar não está vago e o Almirante Mendes Calado não cometeu qualquer falha. Fica a suspeita de que o Governo pretende apenas aproveitar-se da popularidade do Almirante Gouveia a Melo. Parece uma decisão de campanha eleitoral. Simplesmente censurável.

 

  1. Não é a primeira nem a segunda vez que o Governo trata mal as FA: como se a instituição militar fosse uma Direcção Geral ou um departamento do Esta governamentalização das FA não é aceitável. As FA têm de ser tratadas com outra dignidade e outro sentido de Estado.

 

 

BALANÇO DO ANO

Os telespectadores votaram. As decisões estão tomadas.

 

1.      FIGURA NACIONAL DO ANO – Henrique Gouveia e Melo (79%). Uma decisão óbvia e justa.

O Almirante foi o herói da vacinação. Ele e os profissionais de saúde.

·        Carlos Moedas, em segundo lugar (12%)

·        Rui Rio, em terceiro (8,8%)

 

2.      ACONTECIMENTO NACIONAL DO ANO – Crise política / Eleições antecipadas (63%)

Era uma decisão previsível face ao impacto que a crise teve no país.

·        Fuga e detenção de Rendeiro, em segundo lugar (19,6%)

·        Decisão instrutória – Caso Sócrates, em terceiro (17,5%)

 

3.      FIGURA INTERNACIONAL DO ANO – Angela Merkel (50%). Outra decisão expectável. Merkel

marcou fortemente a Alemanha, a Europa e o mundo.

·        Joe Biden, em segundo lugar (26%)

·        António Guterres, em terceiro (23,8%)

 

4.      ACONTECIMENTO INTERNACIONAL DO ANO – Invasão do Capitólio (41,3%). A surpresa

e o impacto deste acontecimento não deixaram ninguém indiferente.

·        Saída da Nato do Afeganistão, em segundo lugar (40,2%)

·        Cimeira co clima (COP 26), em terceiro (18,6%)

 

5.      FIGURA DO DESPORTO DO ANO – Ruben Amorim (43,2%). O treinador do Sporting é

também uma escolha previsível e justa.

·        Ricardinho, em segundo lugar (29,5%)

·        Pedro Pichardo, em terceiro (27,3%)

 

 
 
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