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Pedro Santana Lopes 01 de Setembro de 2016 às 00:01

Diplomas e medalhas

Escrevo este artigo quando faltam ainda umas horas para encerrar o chamado mercado de transferências do futebol profissional. Dá que pensar a dimensão que os números das transferências atingem, sobretudo as diferenças existentes entre os clubes em Portugal.

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Há três clubes que lidam com transferências na ordem das dezenas de milhões de euros. Depois, há um, que é o Braga, que tem uma transferência de mais de uma dezena de milhões de euros e outras bem abaixo. Para além disso, há assim uns casos esporádicos de uma transferência aqui e ali. Na prática, há clubes que têm movimentos de compras e vendas de jogadores entre 50 a 100 milhões e há outros, a maior parte, que não chegam a um milhão. É na verdade muito difícil haver condições de igualdade, mesmo sendo verdade, que nem todos os anos as grandes equipas atingem os mesmos valores. O Sporting há uns bons anos que não tinha uma lista de vendas significativa.

 

Faz este ano 50 anos, que Portugal foi pela primeira vez a um Mundial de Futebol, onde ficou em terceiro lugar, com os Magriços. Alguns representantes dessa grande Seleção, realizam este ano uma digressão por vários pontos do país, com o apoio da Santa Casa, para relembrar junto dos portugueses esse feito. Cerca de dez anos depois acaba o filão das ex-colónias, de onde vinham os Eusébios, os Colunas, e tantos outros. Foi agora, umas décadas depois que conseguimos o primeiro título internacional. Razões? Houve uma política de fomento muito bem estruturada? Uma política de formação bem conseguida? Mais ou menos, teve ciclos. Mas a verdade é que fomos persistentes e juntámos a verdadeira devoção que existe no país ao desporto-rei, o espírito positivo, a vontade de ganhar, investimento financeiro e algum talento nato.

 

Destes Jogos Olímpicos, falou-se muito de diplomas. Já que quase não houve medalhas, contaram-se os diplomas. Devo dizer que considero muito bom e considero algo exagerada a ideia de que temos de conseguir ficar entre os três melhores d o mundo. Apetece-me perguntar "por que carga de água"? Será que o país investe tanto assim nas várias modalidades para conseguir sustentar tamanha ambição? O atletismo é o exemplo de outra modalidade em que o esforço e a organização com objetivos, como ensinou e protagonizou o professor Moniz Pereira, atingiram resultados. Faz-me muita impressão ver Portugal ausente de modalidades onde tínhamos condições para estar. Por que razão não temos saltadores? E competidores na natação sincronizada? Temos tantas piscinais pelo país fora. E na ginástica, porque não estamos em mais disciplinas?

 

Nestas alturas de crise, os países têm que se agarrar a projetos mobilizadores. A formação no desporto e na cultura devia ser ponto-chave de qualquer reforma educativa. Houve progressos? Sim, houve. Há 30 anos era muito diferente. Mas não chega de todo. Oiçam os dirigentes das federações e eles explicam como há tanta falta de prática desportiva no país. Como é evidente, trata-se também de uma questão de saúde e dos portugueses chegarem às idades avançadas em melhores condições físicas.

 

Mais do que ligar-se a projetos rotineiros ou pouco ambiciosos, a Santa Casa está disposta a apoiar projetos mobilizadores que contribuam para dar mais alma ao país. Já apoia muitos, em várias modalidades, daquelas que são as tarefas correntes de preparação e formação dos atletas. Mas, falo de projetos mobilizadores. Só que a Santa Casa, obviamente não tem nas suas competências fazer aquilo que cabe às autoridades do país. Repito: o país precisa de projetos mobilizadores.

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidadecom o novo Acordo Ortográfico

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